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Tendas sem condições e comida duvidosa: o cenário de terror que espera os fãs no Catar

Nas imagens, prometiam-se tendas de luxo. A realidade, divulgada por vídeos de quem já está nas Fan Villages, é bem diferente.
Não vai ser assim tão glamoroso

Direitos humanos, mortes de migrantes, condições de trabalho deploráveis, um processo de eleição recheado de indícios de corrupção e artistas a negarem-se a atuar nos espetáculos. A viagem da organização do Mundial pelo Catar tem sido mirabolante, mas mesmo depois de todas as polémicas, eis que chegamos ao dia D, o dia do arranque dos jogos que, esperam os responsáveis, venham a ofuscar toda a controvérsia. Bem, talvez não seja bem assim.

A dois dias do jogo inaugural, que decorre no domingo, 20 de novembro, os fãs começam a chegar ao país do Médio Oriente e o cenário é, no mínimo, desapontante. A estimativa era de que o Catar recebesse cerca de 1,5 milhões de visitantes no espaço de um mês, um número incomportável para um país que, em março, registava apenas 30 mil quartos de hotel disponíveis.

Em apenas oito meses, foi necessário encontrar alternativas. Além dos apartamentos privados e de dois navios cruzeiro da MSC que se encontram estacionados na costa, existem também as vilas dos fãs que, segundo estimativas, poderão acolher até 60 mil adeptos.

De todas as soluções para os visitantes, os quartos das vilas são dos menos dispendiosos, com preços que começam nos 200€ — no melhor cruzeiro, o MSC World Europa, começam nos 330€ e, no mais pequeno MSC Poesia, começam nos 172€. As imagens divulgadas e geradas por computador eram apelativas. Tendas espaçosas, bem equipadas, visualmente agradáveis.

Na realidade, as tendas e os contentores são tudo menos isso. Num vídeo que rapidamente se tornou viral, é possível ver o exemplo de uma das tendas: minúscula, praticamente vazia à exceção de um par de camas e de uma mesinha de cabeceira, e situada num mar de outras tendas iguais.

O menos mau? As tendas aparentam estar todas equipadas com ar condicionado. Resta saber se ele irá funcionar durante todo o tempo do campeonato do mundo de futebol. Seja como for, entre o que era prometido e a constatação da realidade, vai um longo caminho, o que provocou aquilo que os organizadores menos precisavam: mais uma polémica.

As comparações com o Fyre Festival — o famoso festival que prometia ser um luxo e se transformou num desastre, e que deu inclusivamente origem a um documentário — eram inevitáveis. Mas, até ver, desta feita o evento irá mesmo para a frente.

Segundo a FIFA, estas vilas para os fãs proporcionam “uma experiência única”. “A Vila dos Fãs de Al Khor oferece uma experiência única de acampamento árabe que reflete as tradições do Catar”, revelou o organizador. “A acomodação está confortavelmente mobilada, recheada de toques contemporâneos, num estilo que faz lembrar as tendas tradicionais do país.”

Segundo o país organizador, existem tendas de luxo que têm tudo: ar condicionado, casas de banho privativas, máquinas de café, televisão, secadores, frigoríficos e até wifi. Mas se existem, elas ainda não foram vistas pelos fãs.

No site oficial do Mundial, a maioria das imagens das acomodações e das vilas são virtuais, o que significa que poderão não corresponder à realidade. É isso que têm demonstrado os primeiros vídeos enviados do Catar.

A contrariar a proibição de venda de cerveja nos estádios, anunciada de forma surpreendente esta sexta-feira, 18 de novembro, será possível beber nas zonas dedicadas aos fãs, hotéis, restaurantes e fan zones anexas às vilas — o álcool nas vilas continua proibido. Mas se o sabor da cerveja será relativamente semelhante ao que se bebe em casa, o mesmo não se poderá dizer da comida, tendo em conta os mais recentes relatos.

Custo total desta refeição? Cerca de 40 euros.

Um dos pratos que tem feito as rondas nas redes sociais é uma anémica salada que custa dez euros. Já o hambúrguer que se vê na imagem, comprado em conjunto com uma cerveja, irá custar cerca de 28 euros.

Nos espaços de restauração disponíveis nestas vilas, reina a fast food. Como a caixa de nachos a cinco euros ou as quesadilhas de frango a nove euros. Tudo com um ar muito pouco apetitoso.

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