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Adultos, brincar é tão importante para os mais velhos como para os miúdos

Saiba tudo neste primeiro artigo da psicomotricista seixalense Vanessa Estevão para a New in Seixal.
Mas atenção: não serve brincar só por brincar.

Há quem diga que brincar é só para os mais novos e que ao adulto cabem as preocupações e as responsabilidades do dia a dia em todas as áreas da sua vida. Pois bem, talvez não seja assim tão verdade uma vez que todos, sem exceção, precisamos de brincar.

Brincar, esta palavra que nos acompanha desde miúdos, significa toda e qualquer atividade que nos proporcione um momento de diversão e prazer e, por isso, não tem de ser apenas associada a uma brincadeira típica da infância. Aliás, é algo que todos precisamos. Sim, leu bem. Brincar é uma necessidade do nosso corpo, é uma questão de saúde e de autoconhecimento.

Em primeiro lugar, o ato de brincar é uma necessidade do nosso corpo. Todos temos um corpo, ou melhor somos um, onde encontramos a parte física, mental, emocional e social. E a verdade é que não é possível separar cada uma dessas partes, sendo, sem dúvida, no brincar que encontramos a harmonia de todas elas. Quando nos movimentamos (físico) é porque pensámos (mente) e representamos uma intenção (emocional) ao agir sobre o mundo (social).

Começando pela infância, quando o bebé inicia os primeiros movimentos, já está a brincar. Depois, na primeira infância, a criança cria associações a partir das descobertas que faz ao explorar o ambiente — também está a brincar. Na adolescência, quando se permite sentir todas as emoções à flor da pele e constrói a sua personalidade, aprofundando os seus gostos e interesses, é a brincar que constrói o seu autoconhecimento. Já na idade adulta, quando numa sexta-feira marcamos aquele encontro com os amigos, para espairecer de uma semana stressante de trabalho, continuamos a brincar, mas desta vez através da socialização.

Tal como falamos acima, brincar é uma necessidade para o equilíbrio do nosso corpo e, por isso, é fundamental fazer parte da nossa rotina. Saiba que mesmo tendo uma profissão apaixonante, relações afetivas agradáveis e uma vida estável como deseja, o nosso corpo precisa todos os dias de ser reequilibrado e de se adaptar. E, para isso, é importante brincar. Só assim se torna possível conseguir “fugir” da realidade, mergulhar no universo da imaginação e criatividade que nos ajuda a aumentar o espaço mental e a encarar os desafios da vida e do desenvolvimento com uma perspetiva mais leve, clara e muitas vezes a ressignificar a dimensão dos acontecimentos.

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Podemos assim atrever-nos a dizer que brincar é uma questão de saúde. Fazer uma caminhada ou ir ao ginásio ajuda-nos a melhorar a nossa condição física e a movimentar o corpo, o que permite em simultâneo que tenhamos um momento de paragem para libertar tensão também mental. Relaxar o corpo permite alcançar a sensação de bem-estar, felicidade e tranquilidade, que nos faz encarar a nossa disponibilidade para tudo o que nos rodeia de uma outra forma. Essa é a razão pela qual se afirma que brincar é importante. É, afinal, quase como uma forma de autocuidado, levando-nos a descobrir mais sobre nós próprios e assim a cuidar dos outros.

Mas atenção: ter tempo para brincar é uma recomendação feita por vários psicomotricistas. No entanto, é importante fazer algumas ressalvas. Brincar é importante para a nossa vida, mas não serve brincar só por brincar. Dedicar tempo a essa atividade ajuda-nos a estar mais presentes e a ser mais empáticos na relação com os outros, mas não basta estarmos divertidos, se não estivermos com o nosso corpo todo presente.

Saiba que parar não é um luxo, mas também não é obrigatório. Todos temos rotinas, interesses e vidas diferentes, mas o tempo para brincar deve ser uma escolha de cada um, todos os dias, pela saúde e equilíbrio do seu próprio corpo.

E porque desta vez, o foco está na brincadeira, convidamo-lo a jogar o jogo do silêncio. Pode fazê-lo sozinho, mas se tiver os miúdos à volta experimente também com eles ou com o seu grupo de amigos e família. Comece por focar-se na sua respiração, inspirando e expirando calmamente e apenas fique em silêncio durante um tempo definido por si. Preste atenção a tudo o que o rodeia: espaço, pessoas, pensamentos, emoções, sensações, ideias, movimentos, sons, cheiros, intenções. Aceite e esteja disponível. Com as crianças pode ajudar se colocar uma música de fundo. O objetivo do jogo é claro e simples: divertir-se e conectar-se consigo mesmo e com o seu ambiente. Agora já sabe, isto já é brincar.

Para desmistificar esta e outras temáticas relacionadas com a infância, o desenvolvimento, o autoconhecimento, a psicomotricidade, o bem-estar físico, mental, emocional e social, a psicomotricista seixalense Vanessa Estevão, em parceria com a NiS, está pronta para escrever e dar a conhecer, duas vezes por mês, alguns dos seus estudos.

Vanessa é licenciada e mestre em Reabilitação Psicomotora e faz intervenção em psicomotricidade na infância, no contexto de estimulação e terapêutico. Além disso, é responsável pela página online do Movimento Brincar. Por lá leva todos a refletir sobre estes e outros assuntos ligados à sua área. Pode encontrar outras informações na sua página profissional do Instagram.

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