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“Poderia morar em outro lado qualquer, mas Corroios continuaria a ser o melhor”

A opinião é da seixalense Vanessa Estevão, especialista em psicomotricidade na infância. Vive nesta freguesia desde que se lembra.
Corroios: a freguesia seixalense em destaque.

Desde o dia em que nasci, vivi quase sempre no mesmo local: em Corroios. Ao longo da minha vida, ouvi sempre a minha mãe dizer que adorava morar aqui porque tinha tudo ao pé de si. E é verdade. Lembro-me dos passeios ao fim de semana, quando as idas a supermercados ainda não eram uma rotina e se aproveitava muito mais para fazer compras no comércio local.

O que recordo com maior carinho são as idas à praça, aos sábados, comprar frutas, legumes e outras coisas. Lembro-me bem de cheiros e sons, mas também me recordo intensamente de uma lojinha pequenina onde se vendiam brinquedos e de passar e ficar parada a observar e a contemplar as novidades da banca. Mesmo não trazendo, na maioria das vezes, brinquedos para casa, sei que observá-los ajudou-me a estimular a criatividade e a imaginação e, por isso, muitas das brincadeiras que fazia em miúda com o meu irmão, eram autênticas réplicas daquilo que visitávamos por aqui.

Desde o mercado à escola, o parque ou os restaurantes, tudo isto estava e permanece aqui, sendo que podemos facilmente aceder a qualquer coisa numa simples caminhada a pé — o que nos dias de hoje é sem dúvida algo a valorizar. Confesso que devia aproveitar mais.

Aceitei este desafio da New in Seixal para escrever sobre o sítio onde moro, no concelho do Seixal, ser para mim o melhor. Verdade é que não conheci outro e estou habituada a viver aqui, na tranquila e acessível freguesia de Corroios, bem no centro, o que torna para mim tudo ainda melhor. Porém, na verdade, foi só isto que me ocorreu, a princípio.

Depois, mais tarde, debruçando-me sobre o assunto, pensei que de facto eu poderia morar em outro lado qualquer, mas Corroios continuaria a ser sempre o melhor. E deixem-me explicar o porquê. É aqui que está a minha escola primária, de onde tenho tantas memórias, das brincadeiras, da professora de amigos que ainda hoje levo comigo.

A escola nº3 de Corroios, hoje Quinta do Campo, no meu tempo não tinha escorregas nem baloiços, mas tinha uns canteiros que adorava trepar e uma horta onde todos os alunos semanalmente cultivavam. Foi aqui que nasceu boa parte do meu desenvolvimento e assim seguiu noutras escolas do concelho onde continuei a estudar.

Além da escola, que considero uma importante memória, é aqui também que estão algumas pessoas de quem muito gosto. Foi por estas ruas que passei de miúda a jovem, ganhando mais autonomia, andando de autocarro para a escola, ou sendo responsável por acompanhar o meu irmão mais novo no regresso a casa. Por tudo isso, que à primeira não me tinha recordado, reconheço que o sítio onde nascemos e crescemos representa, sim, boa parte da nossa história. Acaba sempre por ser especial.

Hoje em dia aprecio muito da disponibilidade de espaços verdes, onde podemos fazer caminhadas ou simplesmente ler um livro num final de um dia de trabalho. Ao escrever este artigo recordei-me de muita coisa que existe em Corroios e que muitas vezes me passa despercebida. Talvez fosse uma boa ideia parar para andar mais a pé e com tranquilidade, recuperando as memórias e os caminhos, as ruas e os lugares que me fazem lembrar do quão sou feliz aqui, em Corroios.

Aqui, Vanessa Estevão, de 28 anos.

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