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Paulo Silva: “O Seixal tem uma oferta cultural e desportiva única na Área Metropolitana de Lisboa”

Em entrevista à NiS, o vereador da autarquia falou dos projetos nas áreas de lazer, turismo, saúde e dos impactos da pandemia.
Paulo Silva, pelouro da Cultura, Juventude, Participação, Desenvolvimento Social e Saúde.

O Seixal é um dos concelhos mais dinâmicos do País. Há vários eventos culturais e desportivos, ótimos restaurantes para ir com a família e com os amigos e muitos espaços verdes ideais para caminhar. Nas últimas eleições autárquicas que decorreram no dia 26 de setembro de 2021, a CDU liderada pelo atual presidente Joaquim Santos voltou a renovar o mandato, preparando-se para mais quatro anos a servir a população seixalense.

Entre as várias figuras do partido a assumir cargos no executivo do Seixal, Paulo Silva foi um dos autarcas escolhidos sendo atualmente o responsável pelo pelouro da Cultura, Juventude, Participação, Desenvolvimento Social e Saúde. Em entrevista à New in Seixal, o vereador falou sobre os planos futuros da autarquia no que toca ao turismo, lazer, saúde, comércio local, desporto e cultura.

Ao longo da conversa, uma vez que neste momento é praticamente impossível desassociar a pandemia da gestão das cidades, ficámos a perceber os impactos da Covid-19 no concelho e quais as medidas tomadas pelo município para enfrentar este contexto. Um dos destaques prendeu-se com a questão do hospital do Seixal, uma reivindicação que já perdura há cerca de 20 anos e que o vereador Paulo Silva afirmou ser da responsabilidade do poder central.

Nesse ponto, uma das afirmações mais marcantes do autarca reforçou o facto de o investimento rondar os 35 milhões de euros, um valor irrisório para a quantidade de impostos que os seixalenses pagam anualmente ao Estado. “Nestes 20 anos em que estamos à espera do hospital do Seixal, oito mil milhões de euros de impostos foram pagos pelos seixalenses, o que já dava para construir não sei quantos hospitais. Nós só queremos um”, disse Paulo Silva à NiS.

Relativamente ao desporto e à cultura, Paulo Silva adiantou que durante este ano podemos ver já alguns dos projetos previstos a serem concretizados. É o caso do Seixal Cultural, que será um importante evento para mostrar o melhor da produção cultural dentro e fora do concelho precisamente feita pelos agentes locais e movimentos associativos de toda a região.

Leia agora a entrevista completa a Paulo Silva, vereador da Cultura, Juventude, Participação, Desenvolvimento Social e Saúde do município do Seixal.

Que balanço faz do último mandato deste executivo na Câmara Municipal do Seixal?

Sobre o balanço do último mandato, não vou falar enquanto eleito porque não fazia parte da equipa que esteve à frente dos destinos do município do Seixal no último mandato. Só fui eleito pela primeira vez para a Câmara Municipal em setembro de 2021. Tomei posse depois em outubro. Portanto, aí falarei enquanto munícipe e, nessa qualidade, o que posso dizer é que foi um mandato muito positivo e com muitas obras realizadas. Foi, sem dúvida, um dos mandatos mais produtivos da Câmara Municipal do Seixal. E, por isso, a população do concelho do Seixal, reconhecendo o trabalho feito, voltou a dar à CDU a oportunidade de continuar à frente dos destinos do município, reforçando até a votação que o partido tinha obtido em 2017. Portanto, falo assim enquanto munícipe e o que é o pensar da população do concelho do Seixal e considero que isso foi expresso nos resultados das últimas eleições autárquicas.

Quais os impactos mais significativos que a pandemia de Covid-19 teve no concelho do Seixal?

Em relação às consequências da Covid-19 no concelho do Seixal, foram iguais, o impacto que teve foi semelhante ao do resto do País. Não houve especificidades próprias. É claro que a Câmara Municipal do Seixal desde o primeiro momento traçou uma estratégia municipal de combate à Covid-19, em articulação com as nossas forças de segurança, o ACES Almada/Seixal, o Hospital Garcia de Orta, as instituições de proteção civil e as instituições particulares de solidariedade social. Aliás, o município do Seixal foi um dos que mais se empenhou na estratégia de combate à crise pandémica e que mostrou resultados. Portanto, a nível das taxas de incidência esteve sempre numa zona na Área Metropolitana de Lisboa na parte de metade de baixo da tabela, o que é bom.

O Seixal foi um dos poucos concelhos do País que decidiu avançar com a festa de Ano Novo assinalada com um concerto de Carlão. O que é que levou a autarquia a não abdicar deste evento, apesar do agravamento da situação pandémica nessa altura?

Convém lembrar que no dia anterior, 30 de dezembro, houve um evento desportivo onde estiveram presentes cerca de 50 mil pessoas e não ouvi ninguém dizer que esse evento deveria ter sido cancelado por razões de saúde pública. Se um evento desportivo com 50 mil pessoas podia realizar-se, é evidente que uma iniciativa cultural com cerca de 1200 espectadores também se podia realizar. Nessa altura estava a passar-se a ideia de que os eventos culturais não eram seguros e eram perigosos, o que não correspondia à verdade e o Seixal decidiu por bem levar esse evento que estava programado, de modo a desmistificar essa inverdade, a qual está a pôr em causa milhares de postos de trabalho de agentes culturais, de trabalhadores da cultura, de músicos e de artistas. E é importante nós desmistificarmos isso. Desde que sejam tomadas todas as medidas de segurança, os eventos culturais são tão seguros como qualquer outro. E a prova disso é que no concelho do Seixal nas semanas a seguir ao evento, o nível de incidência da Covid-19 esteve em consonância com o resto da Área Metropolitana de Lisboa. Portanto, não houve nenhum agravamento, o que demonstra sem dúvida que, cumprindo todas as normas, se podem realizar eventos culturais e foi isso que nós pretendemos mostrar.

Em 2021, o Pavilhão Desportivo Municipal Leonel Fernandes voltou a receber “Mais um Natal Sem Hospital do Seixal”. O que é que a Câmara Municipal do Seixal já fez até ao momento e o que é que falta fazer para ser construído um hospital no concelho?

O hospital do Seixal é uma justa reivindicação da população e a luta já tem cerca de 20 anos. A construção do mesmo é da responsabilidade do poder central. Foi feito um acordo de parceria entre a Câmara Municipal do Seixal e o governo, em que o governo se comprometeu a construir o hospital do Seixal e a autarquia a construir as acessibilidades e os arranjos exteriores, num investimento de cerca de dois milhões de euros. Até ao momento a Câmara Municipal tem estado disponível para cumprir com a sua parte, que só é possível quando estiver em construção o hospital do Seixal. Não podemos começar a construir os espaços exteriores sem o hospital estar construído. Os seixalenses pagam por ano cerca de 400 milhões de euros em impostos ao poder central. É o IRS, o IVA, o IRC, o Imposto de Selo, o Imposto sob produtos petrolíferos, etc. O investimento no hospital do Seixal que o governo tem de fazer corresponde a um mês dos impostos pagos pelos habitantes do concelho do Seixal. É esse mês que nós exigimos que seja feito e que o governo rapidamente cumpra as suas responsabilidades, porque não é só vir cobrar impostos, também tem de dar algum retorno destes impostos aos seixalenses e é isso que não tem vindo a acontecer nos últimos anos. Se pensarmos bem, em 20 anos que estamos à espera do hospital do Seixal, foram pagos pelos seixalenses oito mil milhões de euros de impostos que já davam para construir vários hospitais. Nós só queremos um.

Que tipo de apoios as pequenas e médias empresas, sobretudo o comércio local, têm recebido por parte da Câmara Municipal do Seixal? E o que é que podem continuar a esperar por parte da autarquia?

O apoio à criação de emprego sempre foi um objetivo deste executivo municipal. Emprego estável com direitos e salários dignos. Segundo os últimos dados do Instituto Nacional de Estatística, em 2019, havia cerca de 16 mil empresas. Principalmente, 99,5 por cento do tecido empresarial do Seixal são pequenas e médias empresas, o número mais elevado de sempre desde que existem dados estatísticos. Este facto demonstra o trabalho que está a ser feito. Por exemplo, a questão da requalificação do núcleo histórico do Seixal permitiu depois da obra a instalação de um número considerável de empresas que aí estão a desenvolver a sua atividade. Portanto, este é um apoio muito concreto ao nosso tecido empresarial. Mas quando realizamos um evento que atrai ao Seixal muitos visitantes, também estamos a ajudar o nosso comércio local. Esta ajuda tem sido feita através de parcerias com as associações empresariais, nomeadamente com os Micro, Pequenos e Médios Empresários (CPPME), a Associação do Comércio, Indústria, Serviços e Turismo do Distrito de Setúbal, a AHRESP, entre outras entidades. No que toca à pandemia houve isenções de taxas de ocupação de espaço público, isenção de rendas para as atividades empresariais que estavam em espaços municipais, sem esquecer o trabalho que temos vindo a fazer no centro de incubação de empresas. Primeiro, o Baía do Seixal, aqui no Seixal, e agora o Centro Inova Miratejo, conseguindo assim que as pequenas e médias empresas, quando estão a ser constituídas tenham espaços com rendas acessíveis para iniciar o seu negócio. Portanto, temos desenvolvido várias iniciativas de apoio ao comércio e ao nosso tecido empresarial com vista à criação de mais empregos para a população do concelho do Seixal.

Relativamente à cultura e ao desporto, que planos é que o município tem pensado para os próximos anos?

No concelho do Seixal tanto a cultura quanto o desporto são dois vetores fundamentais do desenvolvimento e temos obra feita tanto a nível da cultura como do desporto. No desporto temos, sem dúvida, o maior evento de desporto popular do País, que é a nossa Seixalíada. Mas também temos um trabalho considerável de apoio e de colaboração com o nosso movimento associativo desportivo, quer na requalificação das suas instalações, na construção de novas instalações, mas também no apoio a projetos desportivos desenvolvidos pelo mesmo. Além da Seixalíada, temos os Jogos do Seixal, o Agita Seixal e a Seixalíada escolar. Sem dúvida um número muito considerável de programas desportivos que elevam o desporto no concelho do Seixal. Quanto à cultura, o Seixal foi pioneiro quando construiu o Fórum Cultural do Seixal, foi pioneiro na realização de eventos que hoje são marcos importantes da cultura do nosso País, como é o caso do Seixal Jazz e a Mostra de Teatro. Neste momento estamos também a desenvolver um projeto muito interessante com o nosso movimento associativo cultural, que é o Seixal Cultural. O evento está marcado para maio deste ano e vai contar com a participação, não só do movimento associativo cultural, mas também das nossas associações de deficientes porque o nosso objetivo é mostrar que a cultura não tem barreiras nem obstáculos. Posso dizer que o programa tem tido uma grande adesão e já estamos com cerca de 60 propostas para o nosso Seixal Cultural, que irá ser a grande montra da produção cultural feita pelos agentes locais e pelo nosso movimento associativo no concelho do Seixal. 

Relativamente ao setor do turismo, que projetos estão pensados para o futuro?

Está em construção o Hotel Mundet. Estamos também a ver outros locais que possam ter uma utilização turística, nomeadamente a questão do eco-resort da Ponta dos Corvos, que está em estudo; a questão do Centro Náutico de Amora; dos portos de recreio de Amora e Seixal. Portanto, estamos a apostar no turismo, sem esquecer que a restauração também é turismo. Quando se vem almoçar ou jantar ao Seixal também estamos a falar de turismo que importa potencializar e estamos, sem dúvida, a trabalhar para isso.

Começou exatamente a sua resposta por referir o Hotel Mundet. Apesar das várias paragens, o projeto tinha conclusão prevista para o final de 2021. O que motivou o atraso na construção deste empreendimento turístico?

A empresa responsável pela construção do Hotel Mundet fez uma alteração no projeto. Durante a elaboração dessa alteração do projeto, as obras estiveram paradas. Os trabalhos já recomeçaram e prevê-se que estejam concluídas em 2024, que o Seixal bem precisa de uma unidade hoteleira de referência, que esperemos que venha a ser o Hotel Mundet.

A questão da especulação imobiliária em Lisboa faz com que muitas pessoas escolham outras cidades e concelhos da Área Metropolitana de Lisboa para viver. Na sua opinião, quais as vantagens que o concelho do Seixal tem?

De acordo com os últimos Censos, na Área Metropolitana de Lisboa, o Seixal foi dos concelhos que mais cresceu, o que demonstra que tem havido uma procura por parte de habitantes dos outros concelhos para virem para o Seixal. Isso tem acontecido porque sem dúvida eles veem que aqui há qualidade de vida, uma oferta cultural e desportiva, zonas de lazer e de recreio muito apelativas, entre outros atributos. Um dos pontos positivos prende-se com o facto de haver mais pessoas a trabalhar e a contribuírem para o desenvolvimento do nosso concelho.

Neste ponto, a autarquia tem previstas algumas medidas no que toca a rendas para ajudar a população mais jovem?

Estamos a desenvolver um projeto de arrendamento jovem acessível, que iremos apresentar brevemente.

Já que estamos a falar dos mais novos, que projetos futuros têm planeados para a juventude nos próximos anos?

Estamos a preparar o Março Jovem, um evento dedicado à juventude, que já se realiza há muitos anos com atividades muito diversificadas. Para a concretização deste programa do Março Jovem é muito importante os contributos que vêm do nosso movimento associativo juvenil mas também as ações jovens. Estamos a desenvolver e vamos iniciar os contactos com as associações de estudantes das escolas secundárias para fazer programas específicos, nomeadamente a Escola Mexe nas escolas. Estamos a pensar este ano, e pela primeira vez, fazer um concerto de final de ano letivo de homenagem aos estudantes que se esforçaram e conseguiram alcançar os seus objetivos. Também está prevista uma homenagem da parte da Câmara Municipal aos seus jovens e iremos sem dúvida continuar a trabalhar com o nosso movimento associativo juvenil nos projetos jovens também. São iniciativas propostas pelo nosso movimento associativo e que a Câmara Municipal ajuda a desenvolver e a potenciar.

Já mencionou a qualidade de vida que o Seixal é capaz de oferecer à população. Na sua opinião, o que acha que leva as pessoas a considerar isso do Seixal?

Quando o Seixal tem uma oferta cultural e desportiva que, muitas vezes, é única na Área Metropolitana de Lisboa. Quando criamos zonas de lazer como é o caso do Parque Urbano do Seixal, que toda a gente que visita pela primeira vez fica maravilhado e volta novamente. Portanto, com essas apostas estamos a criar qualidade de vida e é isso que as pessoas têm em conta quando vão à procura de casa. Basicamente vão ver qual é que é a oferta, qual é a qualidade de vida que existe em cada concelho e depois muitas delas, com muito agrado nosso, optam pelo Seixal, considerando que é o melhor para o seu futuro e dos seus filhos.

Numa perspetiva completamente oposta, quais as zonas do Seixal que considera menos desenvolvidas e que necessitam urgentemente de algum tipo de intervenção?

A zona de Santa Marta, Vale de Chícharos e a Cucena, onde estamos a trabalhar para conseguirmos resolver esses três problemas que ainda não foram resolvidos. Estamos a desenvolver a estratégia municipal de habitação. Pensamos que ainda este ano vão estar criadas condições para o realojamento de parte substancial de Vale de Chícharos. Estamos a trabalhar a nível do PRR num programa de comunidades desfavorecidas, para fazer obras de intervenção importantes na Cucena e esperemos também que com Santa Marta, com a ajuda da estratégia municipal de habitação, seja resolvido. E que neste mandado, o município consiga resolver esses três problemas para também levarmos qualidade de vida a essas populações.

Qual o seu restaurante favorito do concelho do Seixal?

É impossível responder a essa questão, são tantos. Quando convido os meus amigos para vir ao Seixal, o que eles me costumam dizer é que é ótimo visitarem o concelho e aceitarem os meus convites, porque há sempre uma novidade quando eles vêm cá. Nunca vamos duas vezes ao mesmo restaurante. Porquê? Precisamente porque há imensa oferta. Se virmos bem, existem restaurantes de comida portuguesa, mediterrânica, mexicana, asiática, italiana, entre outras. Há tanta oferta no concelho do Seixal e com tanta qualidade que é impossível dizer um em específico. Vários restaurantes são os favoritos e curiosamente quando há um novo restaurante a abrir, eu vou lá. Passa também quase sempre a ser um favorito, porque há muita oferta e de boa qualidade aqui no concelho do Seixal.

Para quem visita o concelho do Seixal, quais são os pontos que são de paragem obrigatória a seu ver?

Quando trago amigos meus aqui ao Seixal, há sítios onde vamos sempre. O núcleo histórico do Seixal é um deles, requalificado pela Câmara Municipal recentemente. Mas também os núcleos históricos de Arrentela, Amora, Paio Pires e Corroios. Além destes também gosto da Quinta da Fidalga; com o seu palácio; o espaço Oficina de Artes Manuel Cargaleiro, com arquitetura de Siza Vieira. Não são muitos os concelhos que têm um museu com arquitetura de Siza Vieira aqui na Área Metropolitana de Lisboa; o Centro Internacional de Medalha Contemporânea e o seu jardim. Em resumo: é um sítio excelente para estar e aproveitar ao máximo. Outro sítio que considero que é dos mais belos do concelho do Seixal, mas pouco explorado — e de difícil acesso — é a Ponta dos Corvos. Sem dúvida, o eco-resort que estamos a estudar para esse local vai ser uma mais-valia que irá potenciar o desenvolvimento deste concelho. Portanto, esses são os sítios onde levo os meus amigos a conhecer e que aconselho vivamente a quem visita o Seixal também.

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