na cidade

O casal seixalense de mascarados que anda pelo País à descoberta de edifícios abandonados

As suas explorações podiam inspirar uma nova série da Netflix ou até, quem sabe, uma sequela de uma das mais vistas até hoje.
Moram no concelho do Seixal.

Não assaltam bancos nem distribuem dinheiro, mas o planeamento meticuloso que colocam em prática é parecido ao de um golpe desse género. Não, não nos estamos a referir a nenhuma nova série influenciada pela já conhecida “La casa de papel”, de Ález Pina.

Ela é auxiliar de saúde, ele gere uma empresa de transportes, mas nos tempos livres são um super casal apaixonado pelo urbex discover. Se ainda não conhece este termo, nós explicamos. Afinal, a tendência veio para ficar e tem cada vez mais adeptos. Desde profissionais a curiosos, são muitos a querer fotografar casas, castelos, palácios, igrejas, fábricas ou escolas do antigamente. O essencial é que esteja abandonado, perdido no tempo, mas intacto. Há exploradores urbanos interessados na vertente histórica, no antigo e abandonado, e para outros a motivação está no risco e na natureza do proibido.

Para Vivien Afonso, de 24 anos, e para o seu namorado Gonçalo Rodrigues, de 23, o que começou por uma simples curiosidade, tornou-se em admiração e respeito pelos espaços que visitam. O que os distingue de outros exploradores urbanos é o recurso inesperado ao uso de uma máscara que lhes esconde a cara. “A ideia surgiu apenas por graça”, começa por contar Vivien à NiT. “Queríamos ter um estilo diferente, mais sombrio”, continua. Com o tempo, o conceito acabou por se tornar uma imagem de marca e nunca mais a largaram.

Fizeram a primeira exploração no dia 11 de julho de 2021. O spot escolhido foi um mosteiro abandonado. Onde fica não sabemos. A chave do urbex é manter as localizações em segredo, como forma de prevenir possíveis vandalismos e manter os espaços intactos e perdidos, quase como se estivessem parados no tempo. Conseguimos, porém, perceber que foi num local sem povoações nas redondezas e sem rede telefónica que os dois arriscaram fazer a primeira aventura. Começaram, primeiro, por utilizar um drone para descobrir o caminho mais fácil e lá foram eles. A primeira experiência nunca se esquece e esta foi decisiva: “ficámos encantados com o que vimos e a partir daí nunca mais parámos”, confessa.

Vivien partilha na sua página de Instagram as fotografias que tiram nos sítios mais inusitados. Mágicos, mas insólitos e até inquietantes. Por mais corajosos que sejam, a adrenalina está constantemente “à flor da pele” e não são imunes aos saltos mais inesperados: “alguns animais, especialmente os pombos, são os grandes causadores de alguns sustos”, diz-nos. Em alguns dos lugares também encontram sem-abrigos. Aventureira e com uma paixão pelas viagens, Vivien explica-nos que a escolha dos spots é feita de forma racional e planeada. Primeiro é feita uma extensa pesquisa na web e depois analisam as distâncias para concluir se vale a pena ou não explorá-los. “Tentamos escolher sempre locais que fiquem a caminho uns dos outros e ao regressar a casa igualmente, de maneira e não fazemos desvios desnecessários”. São do Seixal, mas já acumulam visitas a locais por todo o País.

A verdade é que os dois têm profissões que ocupam grande parte do tempo, logo, quando podem partir para a aventura têm de ser eficientes e passar pelo máximo de sítios que conseguirem. Nesta etapa, também a escolha do alojamento importa. “Sempre que fazemos uma viagem, durante dois ou três dias, temos sempre em conta o hotel em que ficamos”, diz. “É muito importante que fique perto dos locais que queremos visitar, ou a caminho”. Tudo é pensado ao pormenor e nesse planeamento conta também o preço. Sozinhos ou acompanhados por outros exploradores, acabam por optar pelos alojamentos mais baratos e fazer refeições de sandes. Uma viagem destas ronda pode rondar os 300 ou 400€, com tudo incluído.

Baterias da máquina fotográfica, focos de luz e lanternas, tripé, e não esquecendo as indispensáveis máscaras, o carro é carregado no dia anterior da viagem. Seguindo caminho, é frequente passarem por edifícios aparentemente abandonados e Vivien e Gonçalo não perdem a oportunidade de explorá-los. “Alguns sítios com sucesso, outros não. Alguns sítios incríveis, outros nem tanto, mas cada local tem a sua magia”. Todos os lugares são diferentes, mas não conseguem escolher um favorito: “temos é lugares pelos quais sentimos um carinho especial”. Num futuro deixam a promessa de continuarem a partilhar imagens impressionantes nas suas redes sociais que, juntas, já somam mais de 20 mil seguidores.

Carregue na galeria para ver alguns dos sítios mais inusitados que Vivien e Gonçalo visitaram.

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