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Esta nanny do Seixal faz sucesso entre os miúdos — e também no Instagram

Giovana Rosa criou uma página para ajudar as famílias a encontrar nannies e orientar quem pretende ingressar nesta profissão.
Não passa despercebida online.

A geração Y conhecida por millenials cresceu a ver e a ouvir falar da saga de filmes, lançados em 2005 e 2010, da famosa Nanny McPhee. A ama encantada, como se sabe, tinha vários trunfos na manga para conseguir colocar todos os miúdos nos eixos, quase como por magia. Contudo, na vida real, pouco (ou nada) se sabe sobre esta profissão.

Em Portugal começa agora a dar os primeiros passos e, por isso, a NiS esteve à conversa com Giovana Rosa, de 42 anos, uma nanny brasileira, que escolheu o Seixal para morar. Está há cerca de uma década longe do seu país, tudo porque veio em busca de conquistar o seu sonho: trabalhar diariamente com miúdos, naquela que diz ser uma profissão “nova” em Portugal.

Antes de chegar ao nosso País esteve em Londres durante alguns anos. Porém, apesar de profissionalmente estar a desempenhar as funções pelas quais toda a vida procurou, encontrava-se descontente. Além de estar a viver com sete pessoas na mesma casa (que, desde já, detestava), não estava a morar com a família dos miúdos de quem cuidava — coisa que por cá acontece.

Depois de ter sido convidada por uma amiga para ir para o Algarve trabalhar numa área nada relacionada com o babbysitting — a restauração — decidiu tomar as rédeas da própria vida. “Queria era trabalhar com os mais novos, só não sabia como. O meu foco era ter sempre miúdos à minha volta. Sempre”, começa por explicar à NiS.

A aventura começou no digital. Abdicou de grande parte do seu tempo na procura intensiva de conteúdo relacionado com a profissão de nanny. Tirando as influencers mais famosas, todas a morar e a trabalhar nos Estados Unidos da América, era praticamente nula (se não, existente) informação sobre esta área em Portugal.

Foi aí que ao mesmo tempo que encontrou a agência para a qual trabalha — a Nanny Poppins Agency — começou também a criar conteúdo próprio no Instagram, todo em português. “Quis começar assim, até para ver se consigo atrair pessoas e fazer essa ponte das famílias com as nannies. As famílias chegam mais facilmente às nannies e as nannies passam a saber por onde precisam de começar para encontrar um emprego cá. Portugal está aberto, há muitas oportunidades”, revela Giovana.

A conta de Instagram “Gio Rosa | Governess Nanny”

Em 2013 esta nanny residente no Seixal já se tinha aventurado a contar as peripécias que iam acontecendo no seu dia a dia e, claro, na sua profissão. “Mostrava toda a minha rotina em Londres, tanto do trabalho, a levar as crianças à escola, enfim, tudo o que as envolvia”, partilha com a NiS. Porém, a conta, que já continha conteúdo de vários anos, foi eliminada pela plataforma.

No meio da pandemia, também com a motivação de chegar a um novo País — Portugal — Giovana criou uma nova página. A primeira publicação aconteceu em abril de 2020. Iniciava-se assim um projeto pessoal que tinha (e tem) um objetivo muito claro: ajudar quem quer seguir a profissão e aqueles que procuram trabalhadoras da área.

“Estou a ter muita aceitação. As pessoas realmente procuram-me, mandam-me mensagens privadas a relatar que estão em algum local da Europa, como a Irlanda ou Londres e não sabem que existem nannies. Perguntam como podem fazer para ser ou ter uma. Têm verdadeiramente curiosidade”, conta Giovana.

Depois, há uma outra questão. A página “Gio Rosa | Governess Nanny” ambiciona tornar-se num espaço onde seja possível criar-se uma comunidade de nannies no território europeu. Como partilha Giovana, isso é uma conexão que já existe no continente americano, mas não na Europa.

“Quero ajudar as pessoas a realizarem alguns dos seus sonhos. Há professoras, educadoras, que às vezes estão infelizes nos seus trabalhos, e se falarem inglês fluentemente, têm oportunidade de trabalhar com uma família ou ter um trabalho extra como babbysitter. Isso é possível. Quero mesmo espalhar que existe uma nova profissão em Portugal e que é a de nanny.”

Um dos pontos positivos deste tipo de trabalho é o de que os ordenados são, na sua maioria, acima da média. Isto porque grande parte das famílias que contratam os serviços também são estrangeiras. “Muitas pessoas vindas de fora estão a escolher Portugal como a sua morada. Veem-se famílias a sair de Inglaterra, principalmente, da Alemanha, e a fixar residência aqui. E elas vêm com as famílias, então, por estarem habituadas a isso, procuram por uma nanny para cuidar dos miúdos”, esclarece em conversa com a NiS.

Depois, claro, as nannies têm a oportunidade de ter acomodação, refeição e tudo o que precisam pago na sua totalidade, uma vez que trabalham exclusivamente para essas mesmas famílias. Pelo meio, ainda têm direito a viagens e a acompanhar as pessoas para as quais trabalham para todo o lado.

“É uma oportunidade de ouro”, garante Giovana. Por exemplo, esta nanny residente no Seixal foi este ano viajar para a Suíça, com tudo pago e recentemente esteve quatro dias em Londres na casa da anterior família para a qual trabalhou.

O dia a dia de Gio Rosa como nanny

A principal diferença da rotina de Giovana é o facto de que mora na casa da família. Tem o seu quarto próprio, a sua casa de banho e as refeições pagas. Uma das desvantagens (se assim o podermos considerar) deste tipo de serviço diz respeito ao salário que, uma vez que tudo o resto já está pago, é menor. No entanto, Giovana faz questão de garantir à New in Seixal que a profissão é valorizada no País.

Há cerca de dez meses — o tempo que está com esta família — que Gio está encarregue de tudo o que se relaciona com os miúdos, desde a sua rotina até à própria educação. Geralmente, é responsável pelas refeições, idas e regressos da escola, passeios, atividades, banhos, entre outras funções.

Pelas mãos de Giovana já passaram cerca de 30 miúdos de várias idades ao longo dos últimos 11 anos. Dessa experiência guarda uma série de momentos positivos. Contudo, o facto de estar com os mais novos só por estar já a deixa concretizada.

Se tiver de apontar o pior de ser nanny, Giovana refere uma questão que é transversal a todos os miúdos e que diz respeito àquela fase complicada de transição entre a adolescência e a idade adulta. “É um momento meio complicado, ainda para mais quando nos sentimos cansadas. Os miúdos ficam rebeldes e aí é importante ter tato.”

Apesar disso, para Giovana, a profissão que escolheu para ser parte integrante da sua vida não poderia fazê-la mais feliz. Sente-se completa e além disso está a ajudar a colmatar uma falha que existe atualmente não apenas na Europa como em Portugal: a falta de nannies.

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