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Especialistas defendem que governo deve adiar a próxima fase de desconfinamento

Em causa está o crescimento do índice de transmissibilidade no nosso País.
Baía do Seixal.

O plano de desconfinamento está, atualmente, na segunda fase, mas prevê mais reaberturas já na segunda-feira, 19 de abril, como é o caso do regresso do ensino secundário, ensino superior, lojas do cidadão, cinemas, teatros, auditórios e salas de espetáculos. No entanto, nem todos os especialistas concordam com a decisão.

Manuel Carmo Gomes, epidemiologista que deixou de participar nas reuniões do Infarmed em fevereiro, é um deles. Segundo o “Observador” e em declarações ao “Jornal i”, o especialista recomendou ao governo, através das ministras da Saúde e da Presidência, não avançar para a terceira fase de desconfinamento.

“Das duas, uma: ou seguimos o caminho da prudência e o caminho que mostra que aprendemos as lições do passado ou prosseguimos dogmaticamente o calendário do desconfinamento como se estivesse tudo normal”, afirmou.

Em causa está o crescimento do Rt (índice de transmissibilidade) que, neste momento, é superior a 1 tanto em Portugal como no continente, segundo o último boletim da Direção-Geral da Saúde. Além disso, na reunião do Infarmed que decorreu na terça-feira, 13 de abril, tal como a NiT noticiou, Baltazar Nunes, do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA), alertou que o País pode atingir a linha vermelha em duas semanas a um mês.

Se Portugal continuar neste nível de crescimento e com 71 casos por cem mil habitantes, a estimativa “é que leve entre duas semanas e um mês a chegar ao limite dos 120 casos por cem mil habitantes”, disse.

Em entrevista ao “Diário de Notícias”, esta quarta-feira, a pneumologista Raquel Duarte, que integrou a equipa de elaboração do projeto de desconfinamento pedido pelo governo defendeu que “seria prudente esperar mais uma semana para ter a fotografia total da realidade no País,  já com o impacto do desconfinamento na Páscoa e com a reabertura de alguns setores no dia 5 de abril, para se tomar depois uma decisão sobre o que fazer”.

Para a especialista, ainda não há dados disponíveis que permitam ter noção da fotografia real do impacto das medidas em vigor desde o dia 5. “Não passaram 15 dias, e o que temos é um R(t) que mostra um aumento da grande transmissibilidade e uma incidência que tem vindo a crescer, devagar, mas a crescer”, acrescenta.

A pneumologista refere que o Rt está sustentadamente acima de 1 “e a situação é de alerta”.

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