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É tempo de férias. Afinal, o que devemos fazer com os miúdos?

Siga as dicas dadas pela psicóloga seixalense Sofia Andrade neste novo artigo de opinião.
Tome nota.

Depois de um ano inteiro de trabalho, de escola, testes e outras avaliações, já era esperada a chegada das férias escolares. Porém, neste período de descanso e lazer, colocamos muitas das vezes a questão: como ocupar os tempos livres dos miúdos? O que fazer para sair da rotina?

Podemos destacar alguns programas pedagógicos que se podem fazer com os mais novos como escape à rotina, de forma a participarem em atividades diferentes do que estão habituadas a fazer. É crucial planear os dias de férias e ocupar o tempo livre dos miúdos com sugestões interessantes, transformando esse período em algo útil e igualmente divertido.

É tempo de praia, viagens e lazer, explorar novos destinos que, outrora, eram mais difíceis de conhecer. Quem sabe fazer uma viagem, conhecer aquele destino de férias que tencionava visitar há algum tempo e não teve a oportunidade de fazer ou visitar aquela exposição que deseja há muito conhecer. Essencialmente fazer o que gostaria. O mais importante é aproveitar ao máximo o convívio em família, fortalecer o estreitamento de laços e tirar o melhor partido da companhia dos mais novos.

A realidade é que quando se está de férias, os miúdos nem querem ouvir falar de livros e cadernos. A ideia é encontrar outras formas de estimulá-los a aprender, sem se aperceberem, fazendo programas diferentes e lúdicos. Nesta época, é normal aumentarem-se os programas e iniciativas dirigidas aos mais novos, tendo o objetivo de ocupar os seus tempos livres, proporcionando novas aprendizagens e experiências enriquecedoras.

Pensamos que é importante promover o relacionamento interpessoal e estimular o conhecimento de novos relacionamentos de amizade, através da aquisição de novas competências, atividades pedagógicas, lúdicas e culturais. Existem muitos programas que podemos fazer com os mais novos, tais como, inscrevê-los em atividades extra curriculares, tendo em conta a sua faixa etária e escolaridade, sendo estas iniciativas com carácter pedagógico, mas não só, igualmente lúdico para o desenvolvimento intelectual dos miúdos.

Estas atividades são consideradas essenciais para o desenvolvimento salutar dos mais novos, permitindo-lhes desenvolver capacidades intrínsecas e experiências enriquecedoras para a sua autonomia e crescimento. Observa-se que nos dias que correm as atividades lúdicas ao ar livre estão praticamente extintas.

Os miúdos já não brincam na rua como acontecia há alguns anos, dando lugar a outros hábitos, como por exemplo os jogos de Internet e as horas a fio no ecrã do telemóvel, que pouco servem para o estreitamento de relações de socialização, tornando-nos cada vez mais individualistas, com pouco constructo na socialização.

Por estas razões, muitos têm dificuldades nos relacionamentos interpessoais. Estão mais virados para a introspeção do que para a ação, o que poderá dificultar os seus relacionamentos interpessoais, de socialização e comprometer o aproveitamento escolar e relações familiares.

Seria, visto isto, interessante estabelecer um plano de ação direcionado para áreas em que o miúdo tenha vontade de desenvolver, favorecendo a criatividade e aquisição de novas competências, sendo primordiais ao seu crescimento salutar.

Vivemos cada vez mais numa sociedade em que a competitividade é parte integrante nas sociedades atuais, sendo necessário incentivar os mais novos à formação de competências como instrumento contínuo de melhoria na aprendizagem. Desta forma, a responsabilidade dos pais ou educadores no processo educativo dos filhos é essencial para estimular competências e prepará-los para serem cidadãos.

Pode ser vantajoso inscrevê-los num curso de línguas ou computadores, mas que não preencha muitas horas do dia, de forma a não ser exaustivo. Deve incentivá-los à prática de uma atividade desportiva com que se identifiquem, permitindo-lhes adotar um estilo de vida saudável e como reforço positivo à autoestima.

Menciono uma pequena lista que pode ser útil e divertida para fazer com os mais novos em tempo de férias. Eles vão gostar de desenvolver novas habilidades e aproveitar este período de forma positiva e feliz, nomeadamente um passeio de bicicleta; uma ida à praia ou piscina promovendo o convívio social e os passeios ao ar livre; workshops de culinária, pintura, desenho; uma sessão de cinema, incentivar a prática de jogos pedagógicos; fazer álbuns fotográficos de férias, visitar museus desenvolvendo, desta forma, o gosto pela cultura.

Importa esclarecer o seguinte: mais do que ocupar o tempo livre dos miúdos, é essencial que esse tempo seja aproveitado com qualidade, fazendo o que se gosta, para o desenvolvimento e liberdade do ser humano. Desta forma, o regresso à escola torna-se interessante, uma vez que vão ter muitas histórias para contar aos amigos e professores. Enquanto psicólogos pensamos que a partilha e a troca de experiências são determinantes para o processo de desenvolvimento integral de crianças e adolescentes.

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