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Descubra os segredos escondidos do Sapal de Corroios nesta visita guiada

À primeira vista é um curso de água com uns montes verdes. Mas não é. Há mais vida escondida do que parece.
Vista aérea do sapal.

Sabia que o Sapal de Corroios é a zona húmida mais bem conservada de todo o estuário do Tejo, a sul de Alcochete? E que funciona também como uma  espécie de “maternidade” e “creche” para diversas espécies de moluscos, crustáceos e peixes? Pois é, certamente já passou por ali centenas de vezes e nunca se deu conta.

É, então, chegado o momento de descobrir todos os segredos que estão aqui mesmo à porta. E pode fazê-lo já no próximo dia 5 de fevereiro (domingo). Neste dia, entre as 15 e as 17 horas, está prevista a realização de uma ação que vai possibilitar a observação das comunidades de macroinvertebrados bentónicos marinhos (organismos que vivem junto ao fundo do ecossistema marinho).

O programa está aberto a maiores de dez anos com ponto de encontro marcado para o Moinho de Maré de Corroios. A participação é gratuita, estando, contudo, sujeita a uma marcação prévia que pode ser feita através do email ecomuseu.se@nullcm-seixal.pt.

Antes da visita, saiba que o Sapal de Corroios integra a Reserva Ecológica Nacional desde 1991 e é um lugar onde a existência de vida é muito diversa, graças à abundância de detritos vegetais e de fitoplâncton, que constituem o alimento base da cadeia alimentar deste ecossistema. O sapal tem também uma importante função depuradora, que é desempenhada pelas plantas halófitas que o habitam. Esta vegetação, tolerante à salinidade das águas do rio, filtra poluentes, como metais pesados, azoto e fósforo.

Vários estudos botânicos realizados pela Faculdade de Ciências de Lisboa concluíram como características peculiares desta formação vegetal a grande produtividade biológica e a capacidade de despoluição das águas. É um ecossistema que tem capacidade de armazenar e sequestrar metais pesados, junto às raízes da vegetação, tornando-os inativos.

O sapal é, ainda, um amortecedor de temporais, absorvendo a grande energia das ondas de tempestade e atuando como reservatório das suas águas reduzindo assim os danos para o interior. Constitui abrigo e proteção dos peixes juvenis contra predadores, garantindo a sua sobrevivência e a manutenção dos stocks de pesca das zonas costeiras adjacentes. Esta área têm vindo a abrigar várias espécies de aves protegidas por Directivas da União Europeia.

Ecossistema rico

Apesar de se encontrar no meio de uma zona fortemente edificada, o Sapal de Corroios é um bom local para observar diversas espécies de aves aquáticas, com destaque para as limícolas. O melhor local de observação situa-se junto ao Moinho de Maré de Corroios, especialmente durante a maré-baixa.

Entre as espécies mais habituais destacam-se o pernilongo, o alfaiate, o borrelho-grande-de-coleira, a tarambola-cinzenta, o pilrito-comum, o maçarico-de-bico-direito, o perna-vermelha-comum e o maçarico-das-rochas. Menos abundantes mas também regulares são o fuselo, o maçarico real, o perna-verde-comum e a rola-do-mar. Durante a passagem migratória são frequentes os maçaricos-galegos.

Além das limícolas, são habituais as gaivotas, particularmente o guincho e a gaivota-d’asa-escura, e ainda algumas aves aquáticas de grande porte, como a garça-real, a garça-branca-pequena e o corvo-marinho-de-faces-brancas. Com alguma frequência surgem aqui pequenos bandos de colhereiros e também alguns flamingos.

Nos espaços ajardinadas junto ao moinho de maré são muito frequentes os exóticos mainás-de-crista. Nas zonas circundantes acorrem diversas espécies de aves terrestres como a fuinha-dos-juncos, o chamariz e o andorinhão-pálido. O rouxinol-bravo, embora difícil de ver, pode ser ouvido com frequência a cantar por entre a vegetação. Na primavera observa-se igualmente o abelharuco.

Carregue na galeria e surpreenda-se com o mundo escondido do Sapal de Corroios.

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