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Beatriz Fialho: a jovem seixalense que capta as melhores fotografias da Margem Sul

Criou a página por brincadeira e só as imagens que considera especiais é que são publicadas na conta de Instagram.
Vai ficar fã.

Apesar de ter nascido em Almada, é o concelho do Seixal que Beatriz Fialho considera ser a sua “casa”. Vive na Aldeia de Paio Pires e, com apenas 24 anos, já faz a diferença na região. Ainda que seja apaixonada pelo universo da publicidade e do marketing e, embora tenha objetivos profissionais nessa mesma área, a jovem tem outro talento: a fotografia.

Aos poucos começou a aperceber-se que agarrar numa câmara e captar momentos a fazia feliz. Quando era mais nova, os pais tinham uma máquina analógica e nas férias Beatriz adorava tirar fotografias. Na altura, de uma forma muito natural. Algo que faz questão de manter até aos dias de hoje. Com o aparecimento dos telemóveis e a melhoria da qualidade de imagem dos dispositivos, a vontade de estar mais perto da fotografia foi crescendo até que se tornou parte integrante da sua vida.

“Ainda me lembro desse dia como se fosse hoje. Em junho de 2015 pensei criar uma conta de Instagram por brincadeira”, começou por contar à NiS. Na altura, a jovem seixalense já captava várias imagens, mas não tinha coragem de mostrá-las a ninguém. Por isso, este dom esteve, até à criação das redes sociais, guardado nos segredos dos deuses. “A verdade é que gostava tanto das minhas fotografias que tive de tentar”, disse.

O número de seguidores começou a subir e muitos deles não tinham qualquer ligação com Beatriz. A ideia, aliás, foi exatamente essa. “Não dei a conhecer a página aos meus amigos, porque queria que quem viesse o fizesse por gostar daquilo que eu publicava”, explica.

Na conta de Beatriz Fialho vai encontrar muitos spots na Margem Sul. A perspetiva, porém, é toda desta jovem apaixonada por fotografia. Encontra várias imagens do Seixal — a sua terra natal — mas também de outros locais nos arredores, como é o caso da Costa da Caparica, Sesimbra, Palmela, Almada, Cacilhas, e outros mais distantes que a blogger vai visitando sempre que pode.

“Não tenho assim grandes oportunidades, sobretudo de tempo, para ir muito longe. Então, porque não perto de casa? Há locais com os quais me identifico muito e penso: ‘eu gostei de estar aqui, adoro este sítio, vou fotografar para a minha memória’ e depois pondero se faz sentido partilhar com os outros. Se me senti feliz naquele determinado espaço, possivelmente outras pessoas também se vão sentir e vão gostar de certeza”.

Segundo a fotógrafa existem muitas pessoas que conhece que vivem no Seixal e que ainda não descobriram a verdadeira essência do concelho. “Isso é um pouco triste. Se vivem aqui, porque é que não têm gosto pelo local onde vivem? Genuinamente, há tantas coisas giras para descobrir mesmo pertinho de casa”, confessa.

Os gostos da jovem seixalense dentro do universo da fotografia

Sempre que sai de casa, Beatriz Fialho não consegue deixar de tirar uma fotografia. Parece que é já um instinto que tem ou sente necessidade de ter. É, por isso, que as fotografias captadas pela sua lente são tão naturais no sentido estético e, já agora, também no que é fotografado em si.

A jovem gosta de fotografar tudo o que está relacionado com a natureza e os elementos envolventes. Por isso, a partir de agora não estranhe que seja ela a protagonista da maioria das fotografias publicadas na página do Instagram de Beatriz Fialho. Flores, jardins, paisagens e o rio Tejo são alguns dos exemplos de temáticas que pode ver nos posts.

Na zona do Seixal é a Baía o lugar favorito de Beatriz. Por isso, é um dos grandes destaques das suas fotografias. “Adoro a Baía. Acho já há muitos anos que é o ex-líbris do Seixal. Seja de manhã, à noite, ao pôr do sol, que é absolutamente lindo, faz ali umas cores maravilhosas. E cada dia é diferente. Já tive oportunidade de trabalhar perto e ficava lá até ao pôr do sol e via que todos os dias o céu tinha cores diferentes. E acho que isso é apaixonante. A Baía é, sem dúvida, o meu sítio favorito para estar aqui no Seixal”.

O pôr do sol na Baía do Seixal.

Também o Parque Urbano do Seixal não passa despercebido ao olhar fotográfico da jovem. Nem Corroios, que apesar de ser uma zona muito habitacional, Beatriz garante ter a sua beleza. O mesmo se aplica à zona da Baía da Amora que, segundo a seixalense, “também tem uma vista incrível”.

Beatriz ainda ponderou seguir fotografia a nível profissional, mas foi o marketing que conquistou primeiro o seu coração. Aliás, neste momento a jovem está a tirar uma licenciatura nessa mesma área. Sobre a formação na área de fotografia, a jovem tem uma opinião bem definida. “Não tenho nada contra quem faça formação em fotografia mas, no meu caso, penso que se o fizesse perderia o interesse, porque estaria muito focada em certas coisas mais técnicas e depois perderia ali a parte mais emocional do momento”, confidencia.

Quanto à página que funciona quase como uma espécie de álbum de fotografias online, as perspetivas apontam para a continuidade do que Beatriz tem feito até agora.

“Já estive mais focada em querer partilhar mais locais. Tenho muita coisa para mostrar que gostava que os outros pudessem ter a oportunidade de visitar, mas considero que o Instagram está muito artificial. Já estava, mas agora está cada vez mais. Tenho-me desligado das redes sociais exatamente por isso. Já não tem essa parte natural. E a mim faz-me confusão as pessoas seguirem essa artificialidade com facilidade”, remata a jovem.

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