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As duas cadelas do Seixal que vivem na Suécia — e são estrelas no Instagram

Diariamente, Aurora e Alice fazem as delícias de quem segue a página "Big Sis Little Sister".
As duas patudas protagonistas.

O telemóvel anda sempre por perto e poucas são as vezes que não está pronto a captar os melhores momentos de Aurora, a frenchie bulldog e a sua mana canina mais nova, a Alice, uma chihuahua. Quem carrega no botão de captura é, na grande maioria das vezes, a seixalense — e dona destas duas estrelas do Instagram — Vanessa Cosme. Algumas vezes, também se junta o marido, Fernando Nunes, que não perde a oportunidade de se juntar a este projeto que começou do nada, mas que agora não passa despercebido na Internet.

Falamos-lhe de uma página no Instagram que vai totalmente ao encontro daquilo que já se tornou o conceito de instagramável. Só que em vez de serem humanos a brilhar, são duas cadelinhas de origem seixalense que fazem as delícias de todos os seguidores. Naquele espaço online, os donos fazem questão de ir partilhando os melhores momentos do dia a dia das suas patudas. Do acordar ao deitar, há sempre uma ocasião especial, uma expressão ou até mesmo um enquadramento com mais piada de Aurora e Alice para captar e partilhar na página “Big Sis Little Sister”.

Tudo começou, como tantos outros projetos online, muito naturalmente. Vanessa Cosme, de 43 anos, já tinha uma certa paixão por criar conteúdo para a sua página pessoal do Instagram, que até é mais criativa do que aquilo que estamos habituados a ver. Por lá, as fotografias seguem, na sua grande maioria, um registo a black and white e replicam vários momentos de viagens, restaurantes e culturas diferentes por onde este casal seixalense passa. Pelo que contaram à NiS, Vanessa e Fernando adoram viajar e atualmente estão a viver na Suécia, tendo ainda tido nos últimos seis anos como morada Paris e Holanda.

“Sou da Torre da Marinha, mas sempre tivemos a nossa comunidade dos amigos do Seixal. Somos os típicos, fizemos sempre os carnavais na Sociedade Nova, no Seixal, e com o grupo de amigos nos bares e por aí. O Fernando é do Seixal, os avós, os pais são mesmo das ruas de trás, como nós dizemos. Nasceram lá. Apesar de o Fernando não ter sido criado no Seixal propriamente, porque os pais quando se casaram foram viver para as Cavaquinhas, as suas raízes estão no Seixal”, começou por explicar à NiS. 

Porém, a vida levou-os a ter de sair da terra natal. Tornaram-se emigrantes e mesmo que inicialmente se tenham sentido apreensivos, sobretudo Vanessa, reconhecem que foi assim que aprenderam a ser felizes. A primeira experiência no estrangeiro vivida pelos dois aconteceu quando Fernando Nunes foi convidado para ir enquanto jogador profissional de andebol para o País Basco, no norte de Espanha. Na altura, era atleta do Sporting Clube de Portugal, mas a vontade de competir numa liga melhor do que a portuguesa falava mais alto.

“Foi aí que pela primeira vez cortei o cordão umbilical com a minha mãe e foi muito complicado”, confidenciou Vanessa. No entanto, esta não foi uma aventura muito duradoura. Passados dois anos, Fernando Nunes foi convidado a voltar para o Sporting como diretor desportivo da modalidade de andebol. O seixalense disse “sim” e o casal regressa a Portugal. Só que agora com uma diferença: entre os dois pairou sempre um bom agreement de que um dia voltariam a ter uma experiência lá fora. E assim aconteceu.

“Sempre achámos que seria possível vivermos noutro país de novo. Acho que o sentimos porque gostamos da forma como nos desenvolvemos enquanto pessoas e como crescemos. Tornámos a mente muito mais aberta no facto de nos relacionarmos com novas culturas e sermos expostos a novos desafios. Portanto, sabíamos que isso ia acontecer um dia e realmente adoramos.”

Mais recentemente, foi a profissão de Vanessa que os levou a fazer as malas e a abraçar uma nova aventura. Depois de terem vivido em Lisboa, em Paris e em Delft, fixaram-se agora em Malmö, na Suécia. Sempre juntos e com a sua cadela de longa data a acompanhar: a Aurora. Esta frenchie bulldog é, aliás, mais viajada do que muitas pessoas. Viveu em todas estas cidades com os seus donos e não se ressentiu em nenhum momento com estas transições. Ao que parece, a Aurorinha, como tantas vezes é tratada por este casal seixalense, trata a adaptação a novos climas e temperaturas por tu. 

“Ela é fantástica. Adapta-se a tudo, às novas casas, à nova forma de vida. Ela vem do sul, de Lisboa, com temperaturas muito amenas e teve de começar a lidar com o frio. Em Paris foi a primeira vez que teve contacto com a neve e foi super curioso, porque ela dava dentadas na neve e comia a neve. Aqui quando caem nevões, corre para o quintal, brinca até não poder mais e vai marcando as patinhas. Enfim, ela tem sido uma campeã, mesmo.”

Depois, esta cadelinha oito anos, tem um ar super fotogénico e as pessoas acham realmente graça a isso. Assim que Vanessa publicava uma fotografia de Aurora na sua conta pessoal, os seus seguidores deliravam e era realmente uma chuva de likes e comentários. Então, foi nesse momento que surgiu a ideia de criar uma página no Instagram exclusivamente para esta frenchie.

E assim foi até há pouco mais de dois meses. Com a chegada de Alice, a cadelinha chihuahua de seis meses, o projeto digital não poderia ser mais de uma patuda só. Por isso, ao brilharete online juntou-se a mais recente mana da Aurora. Assim, o conceito desta página transformou-se e recebeu um novo nome para que fosse capaz de abranger as duas estrelas caninas.

As rotinas de Aurora e Alice resultam no sucesso da “Big Sis Little Sister”

Não há nenhum segredo por detrás da produção de conteúdos desta conta do Instagram. Acontece tudo muito ao natural e pouco planeado. A única coisa que realmente importa é ter por perto um equipamento que seja capaz de ir captando as rotinas destas duas cadelas, que estão em perfeita sintonia com a dos donos. 

Pelo que revelou Vanessa à NiS, com a chegada de Alice, o novo membro do clã, alguns hábitos tiveram de mudar. No entanto, a mais pequenina faz questão de estar a seguir as rotinas da irmã mais velha, que já é uma cadela sénior e muito mais ponderada. 

O dia começa no quarto de Vanessa e Fernando, onde Aurora e Alice têm a caminha delas. Por não descerem nem subirem as escadas sozinhas, logo de manhã precisam da ajuda dos donos, que as trazem para a parte de baixo da casa ao colo. Depois de idas à rua e de satisfazerem as suas necessidades, as duas cadelas dormem durante toda a manhã.

O primeiro momento de quebra desse sosseego acontece por volta da hora de almoço. Depois de voltarem a ir novamente à rua, chega a hora de refeição. Este é, talvez, um dos momentos em que as duas dão mais trabalho, uma vez que a dona tem de estar com a atenção redobrada. É que as patudas têm dietas diferentes e uma quer muitas vezes comer a comida da outra e vice-versa. Passada essa azáfama, volta tudo ao normal e a tarde passa bem tranquila.

De facto, o dia começa propriamente para a frenchie e para a chihuahua quando o dono Fernando chega a casa, por volta das 16h30. Por essa hora, já Vanessa está despachada do seu trabalho — encontra-se há dois anos a desempenhar funções profissionais a partir de casa — e os quatro saem para dar um passeio pela urbanização. Entre a preparação do jantar e a hora de comer, as patudas passam a maior parte do tempo a brincar entre elas e com os seus melhores amigos humanos.

No final do dia, aconchegam-se os quatro no sofá, agarram no comando e preparam-se para uma maratona de Netflix. E nem mesmo nesse momento, Aurora e Alice saem de cena. Se há algo que gostam é de estar ali, sempre com os seus donos por perto. “O importante para elas, tenho a certeza, é o facto de nós estarmos ali com elas”, apontou Vanessa.

Todos estas atividades e momentos em família fazem parte do dia das duas cadelinhas de origem seixalense e acabam por ser partilhados na página “Big Sis Little Sister”. Basicamente, esta conta funciona como uma espécie de álbum de fotografias digital, só que a diferença é que está aberto a todos e está acessível à distância de um scroll.

E as duas protagonistas desta história estão sempre muito disponíveis para isso sobretudo a Aurora. “Não sei se ela se habituou a mim a tirar-lhe fotos — porque sempre lhe tirei muitas —, mas ela fica muito estática, mesmo como se estive a fazer uma pose”. Porém, isto apenas acontece se a dona não lhe colocar qualquer tipo de adereço. Ao que parece, a frenchie não é lá muito fã de acessórios caninos. Aliás, as vezes que foi captada pela câmara com algo a enfeitá-la, podemos atrever-nos a dizer que foi pura sorte — ou coincidência.

“Uma vez viemos a Portugal passar o Natal e como não queremos que a Aurora vá no porão dos aviões deixámo-la num hotel para cães. No primeiro ano que lá ficou, acordámos com uma sessão fotográfica dela mascarada. Nem queríamos acreditar. No hotel ela deixou que lhe fizessem tudo e até lhe meteram um chapelinho de Pai Natal. Estava com um ar super calmo, como sempre fica. Para ser sincera, gostava de saber como é que o fizeram, porque comigo não resulta. Ponho-lhe as coisas e ela não acha graça nenhuma”, confessa.

Aurora a celebrar o Natal vestida a rigor.

Já Alice, é um caso diferente. Para esta pequenina existe uma certa necessidade de fazer vários shots para que fique ali no ponto. Típico dos chihuahuas, também Alice é muito rápida e tem uma energia interminável. Mesmo assim e com um pouco de mais trabalho, as fotografias desta cadela também ficam dignas de ser apreciadas e a grande maioria tem expressões dela que são verdadeiramente muito engraçadas. 

“Acho imensa piada à expressão com que ela fica nas fotografias. Mete-se assim muito de lado e os olhares. Depois, não nos podemos esquecer que ela é uma bichinha muito caricata e única. A Alice é completamente estrábica e por isso mesmo é única nesse sentido. Esse facto também faz com que os shots fiquem mais engraçados e ao mesmo tempo fofinhos”, afirma.

E esta não é somente uma opinião dos donos — que até têm uma posição suspeita. Os próprios seguidores desta página “acham o máximo”. Há até quem já tenha contactado Vanessa com o intuito de fazer algumas parcerias através das fotografias das suas super estrelas caninas. Contudo, os donos têm uma posição muito clara em relação a isso: “há uma série de contactos de determinadas páginas, mas na verdade depois tem de se pagar qualquer coisa. Pessoalmente não tenho interesse em gerar conteúdos pagos, porque faço mesmo por gozo e distração”, sublinha.

Isto justifica o facto de daqui para a frente os responsáveis por este projeto online quererem que os posts partilhados continuem a ser o mais naturais e instantâneos possível. A ideia passa por continuar a apanhá-las no seu dia a dia, na cama, no sofá, a comer, e fazer disso umas fotografias engraçadas. “Não tenho propriamente uns planos. A página serve como um passatempo e para ficar, ao fim ao cabo, com um registo delas”, diz.

A ligação das duas manas fora do brilho dos holofotes e do encanto do Instagram

Poderia ser uma relação muito forçada e feita somente para o sucesso da página “Big Sis Little Sister”, mas está longe de ser isso. Aurora e Alice dão-se hoje extremamente bem, apesar de a mais pequenina, sempre irrequieta, parecer uma sombra da mais velha.

“No outro dia, abri a porta para elas irem as duas à rua e a Aurora vinha toda contente. A pequenina, como é óbvio, veio atrás da Aurora, quase como se fosse ‘carrapatozinho’. A Aurora apercebeu-se, olhou assim para o lado, já mesmo a sair para a porta, e vi mesmo na expressão dela ‘então, tu também vais. Então não vou’. Deu meia volta e voltou para trás”, partilhou ainda Vanessa entre risos.

Em relação a um dos pontos máximos desta ligação entre as duas patudas, vai achar piada o facto de ter sido Aurora a escolher o nome da irmã. A família estava dividida entre os nomes Alice e Olivia. Para desempatar, o casal escreveu em dois papéis os nomes selecionados e aquele que primeiro a frenchie fosse, seria o nome da chihuahua. O vídeo foi partilhado nas stories da página e, como as restantes publicações, não ficou indiferente a ninguém.

Porém, a verdade é que para chegar a este tipo de relacionamento, a família foi obrigada a passar por todo um processo. Assim que Alice chegou à Suécia, depois de ter estado dois meses em casa da mãe de Vanessa no Seixal, teve uma receção em peso com duas dog trainers. A preocupação não era tanto com a recém-chegada, mas com Aurora, que tinha estado com eles sozinha durante oito anos e, por vezes, apesar de ser uma cadela meiga, é um bocadinho bruta. Além disso, a frenchie é muito maior do que a chihuahua, que tem pouco mais do que um quilo, ou seja, é muito pequenina.

“A verdade é que depois de alguns ensinamentos se chega lá. As dog trainers também nos incentivaram a não as integrarmos de forma abrupta, para que a Aurora entendesse que é uma mana que vem a caminho e que a pequenina percebesse que há limites e que ela não é dona disto tudo. Portanto, houve um trabalho aqui. Hoje em dia, não há qualquer tipo de problemas. Impecável, mesmo. Estamos super confortáveis. Estávamos preocupados, mas já resolvemos. Conseguimos juntar as duas e estamos felizes”, apontou por fim o casal seixalense.

De seguida, carregue na galeria para ver algumas das melhores fotografias deste casal de manas caninas seixalenses.

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