Durante umas férias, Matilde Coelho e Daniel Galhardo tentavam resolver uma questão que ainda estava pendente: que nome dar ao projeto que tinham acabado de criar? Entre várias sugestões, acabaram por pensar num dos sinais mais fáceis de reconhecer num cão feliz, a cauda a abanar. Foi daí que saiu o “Abana” e, pouco depois, o nome Abana Petsitting.
O projeto tinha arrancado no início de julho, em Fernão Ferro, depois de o casal perceber que a experiência que já tinha a cuidar dos próprios animais e dos de familiares e amigos podia ser útil a outros donos, sobretudo durante as férias de verão. Aos 20 anos, Daniel e Matilde, começaram assim a tomar conta de cães, gatos, coelhos e outros animais, sobretudo em casa dos clientes, onde asseguram a alimentação, os cuidados básicos e a limpeza dos espaços.
Os passeios de cães são outra parte do serviço e ajudam quem não tem tempo para garantir todas as saídas ou tem alguma limitação física que o impeça de o fazer. E, apesar de o Abana Petsitting só ter nascido este verão, a relação dos dois com os animais começou muito antes.
O casal conheceu-se ainda no ensino secundário, através de amigos em comum e começou a namorar há quatro anos e meio. Ao longo desse tempo, os animais estiveram sempre por perto e acabariam por se tornar também no primeiro projeto que criaram em conjunto.
“Nós já tínhamos ficado a tomar conta de animais de familiares e amigos e sempre foi algo que nos despertou alguma curiosidade, porque nós gostamos muito de animais”, explica Daniel, de 20 anos. A isso juntou-se a vontade de ajudar. “Há pessoas que depois ficam com os animais em casa e eles não conseguem ir à rua tantas vezes como deveriam. Com a nossa ajuda, as pessoas podem ir de férias descansadas”, acrescenta.
Matilde conhece bem essa preocupação, até porque cresceu rodeada de animais e também já sentiu o desconforto de deixar um deles sozinho durante as férias. “Tenho animais desde que me lembro e notava que às vezes deixava o meu cão sozinho durante as férias e sentia-me mal. E se calhar as outras pessoas também se sentem, por isso, nós estamos aqui para ajudar”, conta a jovem.
A jovem estudante de Enfermagem teve dois cães, ainda na adolescência, e atualmente tem Ollie, de três anos, que acabaria por ter um papel importante no projeto, não só por ser o protagonista do logótipo, mas também por ter ajudado o casal a perceber que cada animal tem a sua personalidade e exige uma abordagem diferente.

“O Ollie acabou por nos dar mais trabalho, porque desde que veio cá para casa é um cão muito energético e gosta muito de sair à rua. Foi um cão que nos deu a perceber que há cães difíceis”, explica Matilde. A experiência com o próprio animal ajudou-os a reconhecer diferentes comportamentos e tornou-se uma aprendizagem útil quando começaram a cuidar dos animais de outras pessoas.
“Acho que o principal é conseguirmos perceber o cão a 100 por cento”, acrescenta. Para isso, ouvir os donos e conhecer os hábitos de cada animal é essencial, desde a forma como anda à trela aos horários ou até à maneira como faz as necessidades, pequenos detalhes que ajudam a adaptar cada passeio ao animal que têm pela frente.
Daniel, por sua vez, cresceu rodeado por ainda mais espécies, graças à ligação da família aos animais. “Os meus avós criam galinhas, porcos, cabras, também já tiveram cavalos e vacas. Para além de ter tido cães, eu também cresci nesse meio”, conta à New in Seixal.
Hoje, o trabalho dos dois vai além do acompanhamento durante as férias e adapta-se às necessidades de cada animal e de cada dono. Matilde e Daniel deslocam-se sobretudo a casa dos clientes, onde podem ficar responsáveis por cães, gatos, coelhos ou outros animais, desde a alimentação e os cuidados básicos à limpeza dos espaços.
Também fazem passeios de cães, um serviço pensado para quem não consegue assegurar todas as saídas por falta de tempo ou até por limitações físicas. “A dona de um dos cães que nós passeamos tem uma tendinite e, por isso, não consegue levar o animal à rua sozinha, mas gosta muito de acompanhar os passeios, então nós passeamo-lo e ela vem connosco na mesma”, conta Daniel.
Os serviços começam nos 5€ por um simples passeio, mas são sempre revistos dependendo dos cuidados particulares necessários para cada animal. Alguns necessitam de mais passeios, outros tomam medicação ou exigem cuidados específicos e essas diferenças são tidas em conta pela dupla.
O projeto é dos dois, mas Matilde e Daniel perceberam rapidamente que não estavam sozinhos. Os primeiros contactos chegaram através de publicações em grupos de Facebook e da distribuição de folhetos e, à medida que a procura cresceu durante agosto, começaram também a conhecer uma comunidade de petsitters da região que troca clientes e se ajuda quando as agendas ficam cheias.
“Quando temos a nossa agenda cheia, damos clientes a outras pessoas. Quando as pessoas têm a agenda cheia também encaminham pedidos para nós. Ajudamo-nos uns aos outros”, explica Daniel. Para a dupla, esta rede torna-se especialmente útil durante os períodos de férias, quando os pedidos aumentam e nem sempre é possível aceitar todos os serviços.
Matilde e Daniel fazem ainda parte de um grupo de Facebook dedicado aos petsitters da Margem Sul, onde partilham pedidos, esclarecem dúvidas e trocam experiências. “Há sempre alguém que tem mais experiência do que nós”, explica Matilde. As questões podem ir dos cuidados necessários com determinados animais à melhor forma de prestar um serviço e, para quem está agora a começar, poder recorrer a outros petsitters tornou-se uma ajuda importante.
Criado para aproveitar o tempo livre das férias de verão, o Abana Petsitting vai agora ter de se adaptar ao regresso às aulas. Matilde prepara-se para começar o terceiro ano de Enfermagem e os estágios, enquanto Daniel estuda Finanças e parte em Erasmus no próximo mês, o que significa que, durante esse período, será ela a assumir uma parte maior do trabalho.
Ainda assim, os dois querem manter o projeto ativo e aproveitar a flexibilidade deste tipo de serviço para o conciliar com a vida académica, aceitando trabalhos sempre que for possível sem transformar o Abana Petsitting numa obrigação incompatível com os estudos.








