Há paixões de infância que podem tornar-se numa profissão. Foi o que aconteceu a Cláudia Martins que, aos 27 anos, viu a sua paixão pelos animais transformar-se num negócio que cresceu rapidamente e que veio mudar-lhe os planos. O que começou como uma forma de voltar a estar perto dos animais, após a perda do seu cão Sushi, acabou por dar origem à Dear PetSitter, um projeto que acompanha cães e gatos nas férias dos tutores, mas não só.
Entre hospedagens familiares, visitas ao domicílio e um serviço ainda pouco conhecido em Portugal, o wedding pet sitting, a seixalense tem conquistado clientes de norte a sul do País. O objetivo é simples: permitir que os tutores fiquem descansados ao saber que os seus animais continuam a receber os mesmos cuidados e que mantêm as rotinas de sempre.
Licenciada em Ciências da Educação e a trabalhar a tempo inteiro como gestora de formação numa empresa de design, Cláudia decidiu aceitar a sugestão de uma amiga e criar uma página de pet sitting, quase como uma brincadeira, para lhe ocupar os fins de semana. “A atividade surgiu como parte do processo de luto do Sushi, que não estava a conseguir fazer. Mas o que começou como uma brincadeira, acabou por se tornar algo sério. Pensava que ia apenas cuidar dos animais das minhas amigas e dos meus vizinhos, mas tudo escalou de forma muito rápida. Dois dias após ter lançado o projeto, já estava a ter reservas”, conta à New in Seixal.
Foi em 2011 que surgiu a oportunidade de adotar um cão. Durante 13 anos, a seixalense viveu os melhores e os piores momentos da sua vida ao lado de Sushi, o seu melhor amigo de quatro patas falecido em 2023, na sequência de uma doença oncológica. A sua partida deixou em Cláudia um amor incondicional pelos animais, visível aos olhos de todos os que a rodeiam. Foi isso que a fez aceitar o desafio de criar o projeto, com o objetivo de conseguir ajudar famílias com os seus animais de estimação.
“Durante o tempo em que tivemos o Sushi, nunca fomos de férias sem ele. Era um cão um pouco reativo, que não se dava muito bem com outros cães”, conta Cláudia, que salienta a importância dos serviços de pet sitting especialmente durante as férias de verão.
Um ano após a criação da Dear PetSitter, o projeto é muito mais do que um hobby. Hoje, não só se tornou num trabalho a part-time, como se transformou numa profissão de sonho. É ao cuidar dos animais que a jovem de 27 anos se sente realizada.
“Os tutores recorrem aos meus serviços sobretudo quando trabalham em regime presencial ou híbrido e precisam de alguém que cuide dos animais durante o dia. Por exemplo, quando o gato precisa de ser alimentado a uma determinada hora, quando o cão não pode ficar muitas horas sozinho ou quando é necessário garantir os passeios da manhã e do final do dia. Além disso, também procuram os meus serviços em períodos de férias, fins de semana ou ausências por motivos familiares”.
Mas os serviços não se resumem aos cuidados no dia-a-dia. Recentemente, Cláudia começou a apostar em serviços de wedding pet sitting, para que os animais de estimação também possam fazer parte dos momentos mais especiais da família. “O wedding pet sitting é uma forma de os noivos conseguirem levar o melhor amigo de quatro patas para este momento importante, sem terem qualquer preocupação”, explica. O acompanhamento começa com a preparação do animal, incluindo colocar acessórios, como vestidos ou laços.
“Ao longo da cerimónia, tomo conta do animal, especialmente porque alguns ficam mais stressados com o ambiente do casamento. Também sou responsável pela alimentação, hidratação e passeios. No final do cocktail, por norma, os cães regressam comigo, funcionando depois o serviço como uma hospedagem familiar”, explica a seixalense.
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Apesar de ser um trabalho bastante desafiante, Cláudia tem-se interessado cada vez mais por esta vertente do seu trabalho como pet sitter e já tem datas marcadas para 2028. O verdadeiro desafio tem sido conciliar a sua nova profissão com o trabalho corporativo.
O facto de trabalhar de forma remota dá-lhe a liberdade de organizar melhor o seu tempo. As visitas ao domicílio são marcadas antes ou depois de começar a trabalhar na empresa de design. Quando não é possível, compensa a trabalhar até mais tarde. Já os casamentos, até agora, acontecem aos fins de semana, o que facilita a gestão de tempo.
A importância do pet sitting
Apesar de a profissão estar a ganhar cada vez mais visibilidade em Portugal, Cláudia acredita que ainda existe um grande desconhecimento sobre o que faz um pet sitter. Para muitos, o trabalho resume-se a alimentar os animais ou passeá-los, mas a realidade é diferente. Por detrás de cada visita existe uma responsabilidade muito maior. Para a fundadora da Dear PetSitter, cuidar de um animal significa estar preparada para responder a qualquer imprevisto.
“Há quem pense que o meu trabalho é só limpar cocós e xixis, mas é muito mais do que isso. Sou responsável por garantir que o animal está bem, perceber se há alguma alteração no comportamento, se está mais apático ou se precisa de ir ao veterinário. Já tive, por exemplo, uma cadela que recebi em casa e acordei às seis da manhã com ela a ter um ataque de epilepsia. São situações para as quais temos de estar preparados. Muitas pessoas não têm noção de tudo o que este trabalho envolve. Durante aquele tempo, somos totalmente responsáveis pelo animal”, explica.
Com a rápida evolução do projeto, a jovem seixalense descobriu uma profissão que não imaginava ser possível. Apesar de o objetivo passar, um dia, por se dedicar exclusivamente à Dear PetSitter, Cláudia reconhece que viver apenas desta atividade continua a ser um desafio por ser um trabalho sazonal. No verão, com as férias, casamentos e convívios típicos da época, há muito trabalho. No inverno, o cenário é o oposto, o que faz com que a jovem continue a conciliar os dois trabalhos.
Até agora, a maior aprendizagem é a paciência e saber que cada animal tem a sua própria personalidade. “Era aquela pessoa que via um animal e queria logo dar-lhe festas. Hoje percebo que há animais que precisam do seu espaço. Respeitar o tempo deles foi uma das maiores aprendizagens deste ano”, conta à NiS.
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