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Se está grávida e quer fazer uma tatuagem, pense duas vezes — não é seguro

Não são recomendadas durante o período da gestação, nem durante a amamentação. Porém, "não há risco direto para o bebé".
Há vários riscos.

A gravidez é um período de grandes mudanças no corpo das mulheres. O peso aumenta, as variações hormonais provocam alterações profundas, tanto físicas como emocionais, podem surgir desejos difíceis de ignorar e o conforto e bem-estar podem ser afetados.

A gestação é marcada também por várias recomendações, tais como deixar de fumar, não beber álcool, evitar fazer esforços físicos intensos e desportos de alta intensidade ou restringir o consumo de determinados alimentos. Além destas, há uma outra coisa que as grávidas não devem fazer que muitos desconhecem.

Não se recomendado, de todo, que as mulheres façam tatuagens durante a gravidez, devido a tudo o que pode advir disso”, explica à NiT Fernando Cirurgião, ginecologista e obstetra no hospital Lusíadas. Se está grávida e já fez uma, não entre em pânico, porque “não há risco direto para o bebé.”

A recomendação está relacionada com a segurança da própria mulher. “Durante o processo podem ocorrer pequenas hemorragias, e também há o risco de infeções cutâneas”, aponta o especialista. Trata-se de um processo invasivo que também está associado à probabilidade de surgirem infeções locais.

O sítio do corpo onde é feita faz também tem importância. Atualmente, muitos médicos recorrem à epidural durante os partos das pacientes, e quando veem uma tatuagem nessa zona acabam por ficar preocupados. “Quando estão nas costas, isso pode ser um problema. Se estiverem na zona onde é administrada a anestesia há um risco do transporte do pigmento para dentro da medula espinhal, e podem surgir infeções“, confessa Fernando.

A localização também pode ser um problema no momento do parto. “Já houve situações em que tivemos de fazer cesarianas e como as pacientes tinham uma tatuagem nesse sítio, acabou por haver uma distorção da mesma.” Fernando recorda-se de que já fez cirurgias na zona da barriga onde estava desenhado um sol “que depois acabou por parecer um pôr do sol”. “Também já tive de cortar as asas a uns passarinhos”, brinca.

A lista de advertências não se fica por aqui. “A pele da mulher sofre muitas alterações durante a gravidez e pode ficar afetada devido às colorações. As hormonas aumentam e tudo isto tem um impacto”, aponta o especialista. O conselho é que não interfira “externamente para não mexer com coisas que não devem ser alteradas.”

Esta mutação constante do corpo acarreta outras dificuldades. Com o aumento do volume surgem estrias e manchas cutâneas associadas à gravidez, influenciadas pela produção de melasma. “Afetam cerca de 75 por cento das grávidas”, informa Fernando. A hiperpigmentação também é comum durante o período de gestação. E se forem adicionados pigmentos como os das tatuagens, a pele poderá piorar.

Os médicos recomendam que espere um pouco mais para fazer a sua próxima tatuagem, mesmo que o bebé já tenha nascido. “Há um tempo necessário para o corpo da mulher se voltar a regularizar. Normalmente, consideramos uns seis meses.” Porém, se estiver a amamentar o melhor é aguardar até deixar de o fazer, “devido aos níveis hormonais que continuam alterados”.

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