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Sabe o que é e como lidar com o transtorno de personalidade Borderline?

É mais frequente do que se pensa. A psicóloga Sofia Andrade explica-lhe tudo neste novo artigo de opinião.
Já tinha ouvido falar?

A todo o instante somos afetados por vivências que despertam vários tipos de emoções. Porém, quem é diagnosticado com o transtorno de personalidade Borderline pode ir de uma emoção a outra com muita facilidade e uma intensidade que, muitas das vezes, se torna desproporcional ao facto real. Mas, afinal, do que estamos a falar ao certo?

No transtorno de personalidade Borderline, o indivíduo tem mudanças de humor frequentes, relações sociais e pessoais instáveis e estado de espírito emocional inconstante. A razão do desenvolvimento deste transtorno pode estar ligada a vivências da infância. Normalmente, os indivíduos que sofrem com esse transtorno tiveram uma infância traumática.

As relações pai-filho pobres, negligência, abuso sexual, trauma emocional, bullying, chantagem emocional, entre outros, são algumas das razões pelas quais certos indivíduos desenvolvem o transtorno. Uma infância violenta constrói no indivíduo a necessidade de apresentar comportamentos excessivamente defensivos, o que leva ao contínuo medo do abandono.

Aliás, para estes indivíduos, um dos aspetos mais marcantes é o medo do isolamento ou abandono. Vivem com o medo de serem abandonados, de não serem aceites ou ficarem sozinhos. Esses medos podem ocorrer em níveis tão extremos que, em algumas situações, podem levar ao isolamento. E para evitar que outros o façam, preferem afastar-se das relações e terminá-las antes.

Devido ao passado traumático, as ações simples e as reações dos outros ao seu redor podem ser interpretadas por eles como sinais de rejeição, negligência e isolamento, deixando-os com raiva, sem motivo aparente. Essa raiva, muitas vezes, é expressa com intensidade desproporcional à situação real. No entanto, pacientes com transtorno de personalidade Borderline podem ainda manifestar ansiedade, medo, irritação e insegurança. Tais mudanças bruscas de humor vão tornar difícil a vida social, conjugal, e profissional.

A sensação de vazio é outra característica recorrente deste transtorno. O vazio torna-se tão intenso ao ponto de não ser possível conseguir preenchê-lo com a própria companhia, necessitando e promovendo uma dependência afetiva cada vez maior, causando sofrimento. A maioria dos indivíduos com este transtorno tende a entrar em vícios comuns, relações extra conjugais, uso de drogas ou álcool. Fazem-no para superar o profundo sentimento de tristeza e vazio que possuem.

Sem motivo ou razão, estes indivíduos podem tomar ações impulsivas, ou seja, não é incomum ver a pessoa entrar num  relacionamento e de repente terminá-lo, sair de um emprego aparentemente estável ou abandonar os estudos.

A auto-depreciação é outro dos problemas comuns nesta patologia. Desta forma, sentem-se muito inúteis, devido à constante negligência e abuso no início da vida. A maioria dos pacientes com transtorno Borderline tende a olhar para os desafios e situações atuais através da lente do seu passado traumático. Para eles, tudo deve terminar em abuso, negligência ou algum stress emocional. Além disso tendem sempre a proteger-se contra isso, em vez de beneficiarem da situação.

A auto-depreciação, o medo do isolamento e o estado emocional geral cria depois instabilidade podendo levá-los ao suicídio. Algumas tentativas podem ser falsas para atrair a atenção enquanto que outras podem, de facto, ser reais.

Qual o tratamento mais indicado?

Por causa do transtorno causado por esta doença, o acompanhamento psicológico e psiquiátrico é extremamente importante. O processo de psicoterapia é realizado a fim de se reorganizar as vivências do passado e poder dar voz  e acolher essa criança interior magoada. Tal pode ajudar a controlar os impulsos e a entender melhor o significado dos comportamentos tomados, a fim de reduzir o sofrimento e prejuízos nas relações interpessoais e produtividade.

O acompanhamento psiquiátrico também é necessário para o cuidado integral dos sintomas e para melhorar o quadro clínico. Relembre-se dos tempos de escola e traga ao de cima os ensinamentos de Freud: a infância que tivemos reflete-se no adulto que hoje somos.

Quem é a psicóloga Sofia Andrade?

Sofia Andrade é psicóloga e membro da Ordem dos Psicólogos Portugueses. Licenciou-se e tornou-se mestre em Psicologia Clínica e de Aconselhamento. É ainda formadora certificada pelo IEFP e autora de diversas publicações ligadas à sua área de especialização. Recentemente decidiu levar a escrita mais longe e lançou em 2019 o livro “Crianças e Jovens em Perigo. Estudo de Casos Clínicos”. Tem ainda um canal no YouTube onde vai partilhando algumas das suas visões e conselhos nas várias áreas temáticas da Psicologia.

Para saber mais sobre estas e outras questões, pode marcar uma consulta presencial ou online com a psicóloga seixalense Sofia Andrade. Para isso, basta enviar uma mensagem privada para a página de Instagram ou um email para andradesofia958@nullgmail.com.

 

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