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O novo método revolucionário para perder peso: “É bastante eficaz e muito menos invasivo”

Foi criado por um médico nos Estados Unidos e é realizado através de endoscopia: os resultados têm sido significativos.
Ainda não está disponível no mercado.

O Ozempic e o Mounjaro tornaram-se conhecidos em todo o mundo como “os medicamentos milagrosos para perder peso”, sobretudo graças à eficácia sem precedente. Recentemente, a comunidade científica — e, claro, as redes sociais — começou a falar de forma cada vez mais insistente sobre um novo injetável, chamado Godzilla, que se encontra na fase dois de testes. Até agora, os resultados obtidos têm sido “impressionantes”. O método continua longe da comercialização, é certo, mas o futuro é promissor.

Na mesma situação está outro novo procedimento gástrico, que foi desenvolvido nos Estados Unidos. Christopher McGowan, o líder da equipa de médicos que o desenvolveu, apresentou o método durante a conferência Digestive Disease Week, que se realizou de 18 a 21 de maio, em Washington. O documento é o resultado de um trabalho que arrancou em 2022.

No fundo, esta nova intervenção destaca-se “por ser eficaz e muito menos invasiva do que as outras, uma vez que é feita através de endoscopia”.

“Não é uma cirurgia nem um injetável, é uma coisa muito mais tranquila, e os resultados têm sido muito positivos”, começa por contar à NiT Miguel Afonso, gastroenterologista e diretor da Gastroclinic, uma clínica que trabalha nesta área da medicina em Lisboa.

O procedimento consiste em utilizar uma sonda que é colocada pela boca a dois centímetros da mucosa do estômago, enquanto liberta um gás, o argon plasma. “É inodoro, inerte e não tóxico. Esta já é uma técnica endoscópica aplicada para várias situações, graças à rapidez no tratamento de múltiplas lesões e segurança.”

O gás utilizado vai criar uma pequena chama que acaba por queimar a camada superficial da zona onde a hormona da fome, a grelina, é produzida (80 a 90 por cento é no fundo gástrico, a parte mais superior do estômago). O objetivo geral é fazer com que, ao queimar essa superfície, a hormona da fome se reproduza menos, o que faz com que a pessoa fique mais saciada (sem comer tanto) e emagreça.

“É pensarmos que quando fazemos esta mini-intervenção, se tínhamos 100 hormonas, passamos a ter só 50, é algo instantâneo. Isso reflete-se numa grande diferença que se transforma em perda de quilos”.

A verdade é que os resultados revelaram que ao longo de seis meses, as participantes perderam em média 10 a 15 por cento do peso corporal. Ou seja, numa pessoa que tinha 100 quilos, perdeu cerca de dez. As conclusões também mostraram que 43 por cento dos pacientes tiveram uma redução drástica de fome e que houve uma redução da produção da tal hormona em 45 por cento (quase metade).

“Os pacientes relataram uma diminuição na fome, no apetite e nos desejos, e um aumento no controle sobre a alimentação”, disse o investigador, Christopher McGowan, durante a apresentação do ensaio.

Ainda assim, o médico alerta: “O que acontece nos pacientes obesos é que eles querem muito perder peso, mas têm uma desregulação entre a hormona da fome e a da saciedade que não os permite. Esta intervenção permite regular isso. Portanto, todo o processo torna-se mais rápido. O efeito da queima da hormona, pelas noções que já temos, dura cerca de seis meses e pode voltar a ser repetido, mas é muito importante frisar que não é esse o objetivo. O ideal é que seja de toma única.”

Isto porque, com este procedimento, é essencial que exista uma reeducação alimentar e uma mudança no estilo de vida. Se não for assim, quando termina o período em que o tratamento faz efeito, o paciente vai voltar a engordar.

“As pessoas não se podem esquecer disso. Depositam demasiada confiança num medicamento e não é assim que as coisas funcionam. Eles só nos ajudam, não fazem o trabalho todo por nós, por isso é que, falando no caso do Ozempic, quando os pacientes param de tomar as injeções voltam a ganhar peso. Não mudaram os seus hábitos, que era a aprendizagem mais importante de todo o processo.”

Para realizar este procedimento, todos os pacientes tiveram de fazer uma preparação igual à de qualquer outra endoscopia. “É necessário estar em jejum e levar uma anestesia, para estar sedado durante a intervenção, que dura cerca de 30 minutos. No final desse tempo, a pessoa já pode ir embora e depois faz a recuperação em casa.”

É necessário que fique a dieta líquida cerca de duas semanas e depois pode começar a comer coisas sólidas. Além disso, vai tomar medicação para o estômago, que vai funcionar como um protetor gástrico para ajudar na regulamentação.

Até agora, este procedimento ainda não é realizado na prática clínica corrente, mas graças aos resultados bastante positivos que tem demonstrado, o médico Miguel Afonso acredita que “se nada se alterar, em cerca de dois anos estará disponível para uso no mercado”.

E acrescenta: “É de facto muito bom, os riscos de complicação são muito baixos, portanto acredito que tem muito potencial.”

Em relação ao preço, uma vez que está em fase de testes, ainda não há uma noção de quanto a intervenção poderá custar, mas a maior parte das pessoas poderá fazê-la. “Desde que tenha condições para ser acompanhado por uma equipa multidisciplinar no pós. Ainda assim, não é muito aconselhado para pessoas com problemas psiquiátricos graves e que saibam à partida que não vão mudar os hábitos antigos.”

Resumidamente, na opinião do médico, quando esta novidade for comercializada é necessário sensibilizar as pessoas para o compromisso que estarão a assumir. “A introdução tem sempre de ser feita de uma forma cuidada. Se assim não for, não vai surtir efeitos duradouros”, conclui Miguel Afonso.

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