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Levar picadas de abelhas com veneno: o método bizarro contra as rugas que a realeza adora

O tratamento favorito de Camilla Parker-Bowles e Kate Middleton chama-se apiterapia. Também se faz em Portugal por apenas 25 euros.
Kate e Camilla são fãs.

Não há como evitar: o envelhecimento é um processo natural. Ninguém lhe consegue fugir, embora seja possível prevenir o seu impacto no organismo e minimizar os sinais da passagem do tempo. As figuras femininas da realeza não são exceção e tentam ao máximo combater o envelhecimento. Camilla Parker-Bowles e Kate Middleton, por exemplo, partilham o mesmo segredo para uma pele com um aspeto saudável e mais jovial. Trata-se de método um pouco bizarro que implica levar picadas de abelhas vivas. O objetivo é que o ferrão perfure a pele e o veneno que tem seja expelido.

Apesar de parecer estranho, o recurso ao uso de veneno de abelha no rosto é comum entre as celebridades internacionais para se livrarem das rugas e marcas de expressão. Gwyneth Paltrow é uma das fãs assumidas apiterapia, uma técnica de medicina natural baseada essencialmente no uso e aplicação de veneno de abelha. A finalidade é obter os seus benefícios terapêuticos. No entanto, apesar da atriz considerar o método “realmente incrível” também reconhece que “é doloroso”.

Em 2010, a esposa de Carlos III revelou que a primeira vez que procurou a dermatologista das estrelas Deborah Mitchell foi para fazer um tratamento facial com veneno de abelha. Na época, a especialista em dermatologia revelou que a atual rainha consorte gosta de complementar o cuidado do rosto com um hidratante orgânico enriquecido com o mesmo ingrediente. A princesa de Gales também é fã desta terapia e, tal como a sogra, recorre à mesma dermatologista para o realizar.

O botox natural aplica-se em Portugal

Por cá, o método pode ser realizado no centro de tratamentos Lord o Burro Apicultor, no Fundão. Jorge Gaspar, o diretor geral, explica à NiT que a apiterapia se realiza recorrendo a picadas de abelhas vivas, “um ferrão por ponto, em pontos específicos do corpo humano, em quantidades de microdose”.

Dependendo do tipo de tratamento podem utilizar, no mínimo, três abelhas por sessão, mas facilmente chegam às 15. A aplicação, como explica o apiterapeuta, “é realizada com luvas, mas com o auxílio de uma pinça, com o intuito de pegar na abelha de forma correta para facilitar a aplicação do ferrão no local exato”.

Esta terapia é utilizada no tratamento de diversas patologias nomeadamente, doenças músculo-esqueléticas e auto-imunes. Nestes casos, os benefícios devem-se essencialmente aos efeito analgésico e anti-inflamatório do veneno de abelha. Porém, também pode ser utilizado com fins estéticos. “A melitina,um aminoácido presente no veneno de abelha, é responsável pelo aumento da produção de colagéneo e elastina que previnem o envelhecimento da pele. Ao realizar a picada e ao injetar o veneno na pele, a circulação sanguínea melhora e as peles mortas são eliminadas, reduzindo as rugas. “Este aminoácido com efeito anti-inflamatório apresenta um efeito de botox natural”, assegura o especialista em apicultura.

No tratamento.

Para potenciar o efeito das picadas, Jorge explica que o tratamento deve ser feito uma vez por semana, ou no máximo, de 15 em 15 dias. E pode ser complementado com cosméticos enriquecidos com veneno de abelha. O apiterapeuta também recomenda, como complemento, o consumo de mel, pólen, própolis e geleia real para aumentar a eficácia da apiterapia.

O tratamento pode ser realizado na espaço do Lord o Burro Apicultor no Fundão e custa 25,00€ cada sessão. A empresa admite deslocações, porém, o preço altera-se consoante a distância percorrida.

Os riscos da Apiterapia

Antes de iniciar a terapia, o paciente deve sempre ser submetido a um teste de tolerância para descartar uma reação alérgica à apitoxina. Porém, Luís Uva, dermatologista e diretor da clínica Personal Derma admite à NiT que “apesar de parecer promissor, a falta de estudos científicos acerca deste tratamento deixam-me reticente e impedem-me de fazer a sua recomendação”.

Jorge Gaspar reconhece que a apiterapia pode ser altamente perigosa para o paciente, “caso não seja feita por um apiterapeuta com conhecimento concreto a aprofundado em medicina alternativa”.

Outros dos riscos tem a ver com o facto de pessoas inicialmente não alérgicas ao veneno de abelha acabarem por desenvolver uma alergia graças à exposição prolongada ao mesmo.

Em 2018, uma espanhola de 55 anos morreu após repetidas exposições às picadas de abelhas vivas, um caso que foi relatado no “Journal of Investigational Allergology and Clinical Immunology”.  A mulher realizou uma sessão de apiterapia a cada quatro semanas durante dois anos para tratar a rigidez muscular generalizada que sentia causada pelo stress. Naquela que seria a sua última sessão do tratamento entrou em choque anafilático.

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