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Há cada vez mais casos de cancro diagnosticados em jovens adultos

Vários estudos têm revelado um aumento significativo da doença nas gerações mais novas. Não há uma explicação única.
Há cada vez mais casos entre os jovens.

Primeiro, Olivia Munn, de 43 anos, que revelou ter vencido um cancro da mama, depois de o ter contraído precocemente. Pouco tempo depois, Kate Middleton, de 42 anos, anunciou que estava a receber tratamento para uma forma não especificada da doença.

Tanto a atriz como a Princesa de Gales são parte de uma pequena amostra daquela que se está a revelar uma preocupante tendência em todo o mundo: os diagnósticos oncológicos estão-se a tornar mais comuns entre adultos com menos de 50 anos. Até 2030, os indícios de cancro de início precoce pode aumentar em cerca de 30 por centro e o número de mortes que poderá causar é possível que aumente em 20 por cento, segundo estudos da “BMJ Journals”.

“A descoberta mais surpreendente na última década foi o aumento das taxas de incidência entre adultos jovens”, afirma Ahmedin Jemal, vice-presidente do departamento de ciência da igualdade na saúde da American Cancer Society (ACS).

Em 2019, cerca de 103 casos oncológicos foram diagnosticados entre cada 100 mil adultos norte-americanos com menos de 50 anos, contra cerca de 100 em 2010, de acordo com um estudo de 2023, publicado na JAMA Network Open. Embora possa parecer um aumento pouco significativo, não deixa de ser um sinal alarmante — especialmente porque, durante o mesmo período de tempo, as taxas de incidência entre os adultos mais velhos dos EUA diminuíram. “É quase como se as curvas se tivessem invertido”, sublinha o Doutor Richard Barakat, diretor de tratamento de oncologia na Northwell Health, em Nova Iorque.

Certos tipos da doença encontram dados especialmente impressionantes, como é o caso do colorretal — quase duas vezes mais frequentemente do que nos anos 90 — e outros do tipo gastrointestinal. O cancro da mama de início precoce também se está a tornar mais comum, tendo aumentado quase quatro por cento entre 2016 e 2019. Por fim, até o do pulmão, uma doença tipicamente associada a fumadores mais velhos, está a afetar mulheres mais jovens, mesmo as que nunca fumaram, afirma o especialista Matthew Triplette, pneumologista do Fred Hutch Cancer Center, em Seattle.

É bastante improvável que exista um fator de risco novo e muito perigoso que possa justificar o aumento excessivo de casos em pessoas mais novas. Trata-se de uma doença complexa, influenciada por uma mistura genética, escolhas de estilo de vida e exposições ambientais — sendo por isso pouco provável que se reduza a uma única explicação. Comer alimentos processados, não praticar exercício físico regularmente e beber muito álcool são fatores de risco para a doença e todos estes são problemas comuns no quotidiano. Um estudo de 2019 comprova que muitas das incidências em jovens adultos norte-americanos se deve à obesidade, por exemplo. 

Há uma série de outros fatores que podem contribuir para o agravamento do número de diagnósticos, como é o exemplo da dependência excessiva de antibióticos ou até mesmo a tendência de ter filhos mais tarde. Apesar dos esforços em manter um estilo de vida equilibrado e saudável sejam essenciais, em última análise, a probabilidade de cada indivíduo contrair cancro é diferente — marcadores genéticos ou antecedentes familiares podem ser relevantes influentes. Nesses casos, obter uma vantagem inicial pode ser crucial, visto pessoas com predisposição genética para a doença são frequentemente diagnosticadas bastante cedo na vida, aumentando as probabilidades de cura e o recurso a tratamentos menos invasivos. 

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