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Foi bombeiro durante 15 anos. Agora, treina jovens futebolistas no Seixal

Máximo trocou os turnos no quartel pelos treinos de futebol e voltou aos estudos aos 28 anos, para seguir uma paixão antiga.

Durante 15 anos, Máximo Oliveira esteve ao serviço dos Bombeiros do Seixal. Apesar de ter construído uma vida profissional nessa área, nunca deixou um sonho que o acompanhava desde miúdo: trabalhar no universo do futebol. Aos 28 anos, decidiu voltar aos estudos para tirar a licenciatura em Ciências do Desporto e, alguns anos depois, acabou por transformar a paixão num projeto próprio.

Aos 34 anos, divide-se entre o trabalho como treinador de futebol, as aulas de Atividades de Enriquecimento Curricular e o Maximum Performance Football, o projeto que criou para acompanhar jovens atletas de forma mais individualizada. A ideia surgiu depois de perceber, através da experiência nos clubes onde trabalhou, que muitos jogadores treinam em grupos numerosos e nem sempre têm espaço para trabalhar necessidades mais específicas.

Mais do que acrescentar um treino à semana, Máximo quer complementar o trabalho desenvolvido nos clubes com um acompanhamento pensado à medida de cada atleta, tendo em conta as suas características, posição, objetivos e contexto desportivo. O foco passa pelo desenvolvimento técnico, físico e cognitivo, mas também por manter os jovens ligados ao desporto a longo prazo.

A relação do seixalense com o desporto começou muito antes da licenciatura. Em miúdo, praticava futsal e passava grande parte do tempo a acompanhar futebol, mas cedo percebeu que o seu lugar estaria mais no treino do que no campo, enquanto jogador.

De bombeiro a treinador

Filho de bombeiros, cresceu ligado à corporação e começou como voluntário, quando ainda era adolescente. Aos 18 anos, passou a trabalhar como bombeiro e manteve-se na profissão durante 15 anos. O sonho de estudar ficou adiado durante algum tempo, mas nunca desapareceu. Foi aos 28 anos que entrou na licenciatura em Ciências do Desporto, no Instituto Politécnico de Setúbal. Voltar aos estudos enquanto trabalhava não foi um processo simples. Máximo começou a licenciatura no primeiro ano da pandemia, em 2020, quando as aulas passaram a ser dadas online, e conseguiu conciliar a formação com o trabalho por turnos através do estatuto de trabalhador-estudante.

No segundo ano, juntou ainda a licença de parentalidade, até que, no terceiro ano, decidiu deixar os bombeiros para conseguir dedicar mais tempo ao estágio e à conclusão do curso. “Queria ter mais liberdade para gerir o meu tempo e fazer o de que realmente gosto”, conta à New in Seixal.

A formação acabou por abrir a porta para a área onde sempre quis estar. Durante o percurso académico, começou a aproximar-se cada vez mais do futebol. No último ano do curso, acabou por fazer o estágio no Amora Futebol Clube, acompanhando a equipa de sub-18.

Após a licenciatura, começou a trabalhar como treinador e passou por diferentes projetos, até chegar à Nani Academy, onde trabalha atualmente. Ao mesmo tempo, começou a pensar em criar um projeto próprio. A oportunidade surgiu quando identificou uma necessidade nos jovens atletas com quem trabalhava.

Nos clubes, há escalões que podem chegar aos 25 atletas, o que faz com que nem sempre seja possível dar atenção às necessidades individuais de cada jogador. “O treino é muito generalizado e não há atenção ao detalhe”, explica Máximo. Foi a partir daí que começou a trabalhar no Maximum Performance Football.

Atualmente, o projeto funciona através de sessões individuais, embora também seja possível treinar em duplas ou pequenos grupos. “Gosto mais do treino individual, mas quando são amigos da mesma equipa e são mais novos, preferem treinar em dupla ou pequenos grupos”, conta. A escolha depende da idade, já que enquanto os mais novos podem beneficiar da motivação de treinar com amigos, nos atletas mais velhos, o treinador privilegia um trabalho mais individualizado, com maior espaço para explicação e feedback.

 
 
 
 
 
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Os treinos não acontecem num espaço próprio, mas em espaços públicos, como o Parque das Lagoas, em Fernão Ferro, e o Parque do Serrado, na Amora. Esta opção permite manter os custos mais acessíveis e trabalhar as componentes técnica e física. Máximo também recorre ao campo da Nani Academy, onde atualmente trabalha, embora nesse caso tenha de considerar os custos associados à utilização do espaço.

O acompanhamento começa com uma avaliação e pode prolongar-se ao longo de várias semanas. Entre as opções disponíveis estão o pack experience (25€), com uma sessão de avaliação, e diferentes packs de treino, como o evolution (55€), que inclui dois treinos, o prime, com quatro treinos por 85€ e o pack maximum, que inclui oito treinos w que se podem estender até dois meses, acompanhamento personalizado através do WhatsApp e uma visualização de jogo.

“O objetivo é sempre a performance, mas também criar atletas e um verdadeiro gosto pelo desporto”, explica. O trabalho procura cruzar componentes técnicas, físicas, táticas e cognitivas, sem esquecer a importância do descanso e da adaptação à restante rotina do jovem.

É essa preocupação com o desenvolvimento a longo prazo que está na forma como Máximo olha para a idade de iniciação no futebol. Apesar de o projeto abranger atletas a partir dos oito anos, o treinador defende que, nos miúdos mais novos, a experimentação de diferentes modalidades pode ser importante.

Para o treinador, modalidades como karaté, jiu-jitsu ou ténis podem ajudar a desenvolver competências antes de uma especialização no futebol. “Os jovens começam cada vez mais cedo no futebol. Quando chegam aos 15 anos, estão saturados do futebol e desistem. Desportos individuais fazem mais sentido para os miúdos ganharem literacia de movimento e coordenação motora”, explica.

A experiência como treinador e a formação em Ciências do Desporto acabaram por moldar uma visão própria sobre o treino. “Quero ser reconhecido por oferecer um trabalho ligado à ciência do desporto”, frisa. O objetivo passa por fazer crescer o Maximum Performance Football e, a médio prazo, criar programas mais prolongados durante as férias escolares, juntando futebol e outras atividades desportivas.

A ideia é criar uma espécie de bootcamp, com várias semanas de atividades e um espaço onde os jovens possam passar o dia ligados ao desporto, não apenas através do futebol. Para Máximo, trata-se de proporcionar momentos de convívio e afastar os mais novos, ainda que por algumas horas, dos ecrãs. “Quero que os miúdos saiam do telemóvel e que façam desporto”, resume.

Depois de 15 anos como bombeiro e de um regresso aos estudos já em adulto, encontrou no Maximum Performance Football uma forma de juntar a paixão pelo futebol à vontade de trabalhar por conta própria.

Carregue na galeria para conhecer o Maximum Performance Football.

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