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Fiz os treinos da Pamela Reif durante 15 dias — e fiquei completamente chocada

Uma repórter da NiT conta a sua experiência que, garante, foi intensa. Ou talvez um pouco mais do que isso.
Está zen até durante os burpees.

O que leva uma pessoa a deitar-se num tapete de ginástica em frente à televisão, sem quaisquer vergonhas ou receios de fazer má figura durante um burpee ou uma flexão? A Pamela Reif. Para quem ainda não conhece, deixo uma breve descrição: uma alemã de 24 anos que criou um império nas redes sociais com a publicação de vídeos de treinos.

Também posso apresentá-la como “a estrela do fitness que deixa as minhas pernas a chorar” ou “o fenómeno da Internet que faz com que me levante do sofá à mesma velocidade do que a minha avó de 84 anos”. Passo a explicar: imaginem as mudanças de um carro, a minha avó coloca a primeira para se levantar, mas não consegue logo. Na segunda avança um centímetro e é à terceira que se dá o grandioso momento da elevação.

Mas isto pouco importa. Ou não. Sobre mim, precisam de saber que tenho 27 anos (quase 28) e pouco mais de 50 quilos, mas sou aquilo a que se chama “falsa magra”. Aparentemente, estou bem. Porém, a gordurinha chata anda lá. 

Como não é com o rabo no sofá que as minhas pernas vão ficar mais firmes e os meus glúteos mais levantados, o que é que a pessoa faz? Decide começar a treinar. Atenção: treinar a sério — não é aquela brincadeira (na qual eu já participei) de ter motivação nos primeiros dois dias e parar definitivamente no terceiro.

Em minha defesa, fiz hip hop durante mais de 13 anos, inclusive participei em competições e a minha equipa chegou a representar Portugal em San Diego, nos Estados Unidos. No entanto, no último ano da faculdade, tive de abandonar a prática, já que os horários não coincidiam. A partir daí, estive alguns meses em ginásios, mas nunca consegui ser tão consistente porque não me estimulava.

Nunca tive de me preocupar muito com aquilo que comia, pois os treinos de dança ajudavam-me a manter a forma. Sem eles e com as escassas idas ao ginásio, a massa gorda acumulou-se ao longo dos últimos quatro anos, sendo que a pandemia também não ajudou. 

No início de abril, certo dia acordei — foi literalmente assim — e decidi que isso ia mudar. Só dependia de mim. Confesso que preferia treinar em casa, sem ninguém a olhar para mim. É aqui que entra a Pamela Reif. Enviei-lhe um email e ela passou-me um treino especial — #sóquenão.

Como é óbvio, fui corrida — atentem nesta última palavra, sou mesmo desportista agora — a treinos disponíveis para todo o mundo no YouTube. Sabia que a influencer partilhava planos semanais para iniciantes e avançados no Instagram, mas preferi começar com treinos aleatórios.

O canal de YouTube, que é seguido por mais de 6,8 milhões de pessoas, tem dezenas de vídeos, entre eles algumas colaborações, como é o caso de Jason Derulo. Para começar, escolhi o Happy Cardio Workout, que é uma mistura de treino com coreografia. “Isto parece-me simples”, pensei eu no primeiro minuto. Esqueçam, no segundo seguinte estava vermelha como um tomate e a precisar de água como se estivesse a caminhar durante horas no deserto. Ok, posso estar a colocar alguma dose de exagero nesta última parte.

“A maior surpresa foi mesmo nas pernas que, confesso, foi a zona que mais trabalhei”

O que quero dizer é que percebi que a minha condição física não estava bem e que não era normal ficar com a respiração tão acelerada com um treino de 12 minutos. Fi-lo até ao fim, mas ainda hoje tenho pesadelos com aqueles burpees.

Mas não pensem que desanimei. Pelo contrário, deu-me mais força para continuar. Nos dias seguintes, optei por treinos de glúteos e abdominais. A semana continuou com circuitos focados nos braços e também pernas. Quando dei por mim, já fazia treinos de 10, 15 e 20 minutos seguidos (aqueles dos planos criados pela influencer)— #orgulho.

Não vou mentir, em alguns circuitos tive de parar durante alguns segundos e adaptar os exercícios à minha capacidade, mas não desisti. Confesso que olhar para o ecrã da televisão e ver a Pamela sorrir como se estivesse no bar da praia enquanto fazia uma prancha ou um crunch também contribuiu para isso. Como assim? Será um extraterrestre?

Ao longo das sessões, apercebi-me de mais um estranho fenómeno: comecei a fazer daqueles barulhos estranhos que ouvia no ginásio. Sim, aqueles de quando chegas ao teu limite, queres fazer mais e aquilo que sai é mesmo um “arrrhhhhh” (imaginem o som com sofrimento). A certo ponto, aconteceu mais uma coisa: estava a falar com a Pamela. Não que ela me ouvisse, mas estava tão desesperada que a minha boca soltava um “credo, mulher” ou “tu matas-me”. É estranho, eu sei, mas não me julguem.

Já se passaram cerca de 15 dias (um pouco mais, vá) desde o meu primeiro treino e tenho de ser sincera: estou chocada. Os treinos são curtos, mas realmente eficazes — e olhem que a Reif não patrocinou este texto. Sinto-me mais resistente porque tenho sido regular, mas a maior surpresa foi mesmo as pernas que, confesso, foram a zona que mais trabalhei: ainda estão longe de estar como quero, mas consegui notar menos vestígios de gordura.

Resta-me agradecer ao “fenómeno da Internet que faz com que me levante do sofá à mesma velocidade do que a minha avó de 84 anos”. Pois é assim que fico depois de um treino de pernas. A verdade é que a alemã ajudou-me a ganhar motivação — o facto de os treinos serem curtos, variados e com músicas atuais e energéticas também contribuíam para isso.

O caminho ainda é longo, mas já passei a fase mais difícil: saber como começar. Para quem não se sente confortável em ir já para um ginásio mas também não conhece os exercícios, os treinos disponíveis no YouTube podem ser enormes aliados. Além disso, há imensos circuitos sem recurso a equipamentos. Portanto, não há desculpas.

Depois de experimentar vários treinos, os da Pamela Reif foram os que funcionaram comigo — é por isso que vou continuar a fazê-los. Porém, há outras estrelas fitness com circuitos que fazem imenso sucesso na Internet e que se podem adaptar mais ao seu estilo. Carregue na galeria para descobrir algumas delas.

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