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Famosos, cuecas fio dental e uma causa comum: assim foi o jogo solidário em Amora

Participaram várias figuras nacionais, como Calema, Diogo Piçarra, Francis Obikwelu, Nelson Rosado e muito mais.
O objetivo foi ajudar o Centro de Assistência Paroquial de Amora.

Na passada quarta-feira, 15 de junho, na freguesia de Amora, decorreu um evento solidário que trouxe ao Seixal dezenas de famosos. Mas desengane-se se pensa que a formalidade imperou na iniciativa. O futebol ganhou aqui uma outra dimensão e a modalidade tornou-se na força motriz para ajudar dezenas de famílias. A New in Seixal esteve presente e conta-lhe tudo.

No estádio do Amora Futebol Clube entraram em campo pelas 19 horas duas equipas compostas por várias estrelas, de diferentes áreas do panorama nacional. Enfrentaram-se, num jogo bastante equilibrado, os amigos dos Calema e do DJ Rúben da Cruz contra os amigos de Carlos Martins e Luís Loureiro. Fora do campo, as bancadas encontravam-se praticamente lotadas e o ambiente estava ao rubro.

Enquanto os jogadores se debatiam frente a frente, a assistência vibrava com as jogadas, umas vezes bem conseguidas, outras nem tanto e com aquilo que o ex-futebolista Jorge Andrade e o DJ Rúben da Cruz diziam (e cantavam) ao microfone. Graças a isso, o ambiente típico de balneário fez-se sentir durante toda a partida. Frases como “Onde anda? Onde anda esse golo, Fradique?”, “”Diogo levou com a Piçarra” e “Vem cá minha tortinha de laranja” — direcionada para o pasteleiro Marco Costa — fizeram-se ouvir.

Depois, temas como “Onde Anda”, um feat entre os Calema e o artista brasileiro Zé Felipe e até “Ninguém é de ninguém”, de João Pedro Pais ecoaram nas vozes de todos aqueles que assistiam à partida solidária. Pelo meio, ainda houve tempo para o ex-atleta olímpico Francis Obikwelu ser aplaudido por todos, quase como um gesto de agradecimento pela forma como representou a seleção das quinas na sua modalidade.

Este foi um final de tarde completamente inesperado e vivido sempre em bom ambiente na freguesia de Amora. Mas um dos momentos mais caricatos ainda estava para acontecer. Além de o cantor Diogo Piçarra ter marcado um golo e orgulhosamente o ter dedicado à filha Penélope — que, desde já, emocionou todos — uma outra figura deixou toda a plateia ao rubro e a soltar várias gargalhadas depois de num exercício de aquecimento junto às bancadas se ter baixado propositadamente para mostrar uma cueca fio dental que o acompanhou durante todo o jogo.

Destaque ainda para a atleta Carla Tavares, que marcou a sua presença em campo, uma vez mais para mostrar que o desporto, seja ele qual for e na dimensão que tiver, é também um local onde a igualdade de géneros deve (e tem de) imperar. Nesta força feminina, também na equipa de árbitros, precisamente como árbitro assistente esteve durante o tempo regulamentar uma outra jovem mulher.

Para terminar o jogo em grande, onde golos para ambos os lados não faltaram, perto do apito final do árbitro surgiram mais de 40 jogadores, já exaustos, a correr atrás da bola — sim, leu bem, entraram mesmo todos em campo. Todos os espaços do terreno de jogo do Amora Futebol Clube estavam agora ocupados por uma série de pessoas que se juntaram por uma boa causa que, em poucas horas, contribuiu para que fossem suprimidas algumas das necessidades básicas de dezenas de famílias que tanto precisam.

A organização sem fins lucrativos Futebol Solidário

A iniciativa surgiu pelas mãos de homens e mulheres que fizeram nascer (e crescer) a instituição Futebol Solidário. Ao seu comando encontra-se neste momento Sandro Giovetti, com quem a NiS falou. Durante a conversa percebemos que este foi o terceiro jogo concretizado, mas anteriormente já tinham acontecido outras partidas com um grande objetivo, que se mantém até hoje: ajudar quem mais precisa.

“Já tinha criado um grupinho para ajudar pessoas há dois anos, exatamente quando começou a pandemia. E entretanto, como nós somos amigos uns dos outros, achámos por bem fazer um grupo de jogadores e formar as equipas. Há cerca de três meses fizemos o primeiro jogo que colocou frente a frente os Amigos dos Anjos e os Amigos do Jardel. As coisas correram bem e conseguimos angariar uma tonelada. Depois, fizemos o segundo em Sarilhos, conseguimos angariar seis toneladas. E dissemos ‘então, não vamos parar por aqui.'” 

O terceiro jogo aconteceu precisamente no concelho do Seixal. Ao que parece, a organização está sempre à procura de pessoas e clubes que cedam os espaços e o Amora Futebol Clube chegou-se à frente desta vez. Porém, o objetivo passa por concretizar este tipo de jogos solidários por todo o País sendo que já existem convites para a iniciativa chegar a Aveiro, Porto, Algarve e, lá fora, a Paris, em França.

“Nós não pedimos dinheiro, só pedimos alimentos. E temos a expectativa que cada vez seja maior o nível de ajuda”, explicou Sandro à NiS. “Hoje está uma moldura muito boa e nós queremos mais e mais. Isto é bom. É um grupo de amigos, não há pessoas com aquela mania, nada, eles são famosos mas todos muito simples. É engraçado, porque não é o futebol, é o coração que eles têm. Estão disponíveis para ajudar e para nós é mais importante o coração do que se calhar serem grandes craques e não terem bom carácter”, acrescenta ainda Sandro.

Centro de Assistência Paroquial de Amora (CAPA): a organização seixalense ajudada neste evento solidário

O Centro de Assistência Paroquial de Amora (CAPA) celebra 70 anos em outubro e não poderia ter recebido melhor presente antecipado. O CAPA, que apoia centenas de famílias carenciadas das freguesias de Amora e de Corroios, foi uma das instituições ajudadas neste jogo de futebol solidário. Embora ainda não tenham sido revelados valores exatos do que foi possível angariar na passada quarta-feira, 15 de junho, Ana Rita Rego, diretora técnica e Alexandra Praça, coordenadora pedagógica, garantiram que foi “uma ajuda muito grande.”

“Estamos aqui tão perto e muitas vezes as pessoas não nos conhecem a nós nem ao nosso trabalho”, contam. “A parte alimentar neste momento é muito importante, depois em termos de brinquedos também, porque acompanhamos 300 crianças e também muitas famílias carenciadas. Roupa também precisamos sempre”, confidenciam ambas à NiS, partilhando ainda que esta iniciativa “está a ser muito boa para a freguesia, mas sobretudo para a CAPA.”

As reações dos jogadores

A New in Seixal falou com algumas figuras que se destacaram na partida — quase como uma flash interview. O primeiro jogador e conhecido entre todos por fazer parte da dupla dos Anjos, Nelson Rosado, fez questão de esclarecer que “o mundo pela fase conturbada que passa precisa cada vez mais de ações deste género.”

O artista partilhou que em nenhum momento era esperado o alcance brutal que esta iniciativa tem tido já desde o primeiro jogo, a favor de instituições de apoio a refugiados ucranianos em Portugal. “Independentemente do sucesso que a iniciativa possa ter, ela já ganhou do ponto de vista moral, ético, solidário e humano. E portanto eu e o Sérgio só poderíamos estar associados a projetos deste género. E fico muito feliz porque vejo que temos nesta equipa gente espetacular. É fabuloso”, acrescentou.

Também o cantor Diogo Piçarra sublinhou à NiS o facto de ser possível conciliar algo que todos gostam, o futebol, e ao mesmo tempo estar a ajudar. “Foi o meu primeiro jogo desta organização, por isso, espero que não seja o último.”

Outras duas figuras apaixonadas pela modalidade são os Calema. António e Fradique Mendes Ferreira contaram à New in Seixal que o futebol sempre os acompanhou ao longo da vida e que por isso participar num evento desta dimensão, sabendo que estão a ajudar, é algo que não só é bom como entrega um propósito maior. “Foi top estarmos aqui. Participámos com várias figuras, amigos que vieram ajudar a causa. E é isso, juntarmos as forças para ajudarmos aqueles que mais precisam”, disse António.

“Foi um momento mágico. Esperamos poder participar mais vezes para ajudar mais pessoas. Isso é um dos nossos projetos a nível profissional e pessoal também. E esperamos que essas mesmas famílias se sintam felizes e possam inspirar também outras a apoiar”, completou ainda Fradique.

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