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Existem 18 surtos ativos de gripe A no País que preocupam as entidades de saúde pública

Gustavo Tato Borges, presidente da associação nacional destes clínicos, defende a adoção das medidas de proteção da Covid-19.
Médicos falam que há “anormal disseminação” desta gripe.

Apesar de ter sido esquecida neste últimos anos devido à pandemia de Covid-19, a gripe A parece estar de volta. Os números mais recentes do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA) revelam que estamos numa “tendência crescente” de casos — têm sido registados vários surtos no país. Gustavo Tato Borges, presidente da Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública, adianta à NiT que “os casos estão a ser estudados, mas que os valores não são tão diferentes dos registados no período pré-covid”.

A gripe A é muitas vezes confundida com outra gripe sazonal, até porque a generalidade dos sintomas são comuns aos vários vírus da gripe. A principal diferença é que este vírus provoca, geralmente, febres mais elevadas e dores musculares mais intensas. Esta estripe tem também uma elevada capacidade de transmissão, mas na maioria dos casos os efeitos passam ao fim de poucos dias. Ainda assim “é recomendado que os infetados se mantenham em casa e que adotem a etiqueta respiratória”, refere o médico.

No período referente à semana de 28 de fevereiro a 6 de março, de acordo com o INSA, foram registados 165 casos positivos para o vírus da gripe — todos do tipo A. A taxa de incidência de síndrome gripal subiu para 15,1 por 100 mil habitantes e foram registados vários focos de infeção em diversos pontos do país.

Sobre os surtos ativos desta gripe Gustavo Tato Borges reconhece que “a propagação da doença acaba por ser relativamente normal, mas este ano estamos a detetar mais casos do que o habitual em Portugal”. Tudo indica que “apesar de não estarem identificadas as características específicas de saúde dos pacientes, os casos surgiram da exposição a animais infetados”. Assunto que está a ser estudado “pelas entidades competentes”, diz. O especialista em saúde pública recorda que “as medidas de contenção [adotadas para evitar a propagação da Covid-19] são cada vez menores. Existe uma grande vontade de voltar à normalidade, ou seja, há mais encontros e eventos, que normalmente se materializam em maiores ajuntamentos”.

Em relação à possibilidade de estes surtos estarem relacionados com a época de Carnaval, o médico assume que “as várias festas que aconteceram podem estar relacionadas com o maior aparecimento de surtos”.

O presidente da ANMSP alerta que “os sintomas confundem-se com os da gripe sazonal e com os de outras doenças respiratórias, como a Covid-19. E  o nível de contágio é igualmente elevado”. Por essa razão é fundamental prevenir a transmissão da gripe A, utilizando as mesmas medidas que utilizamos para o combate à doença que assombrou o mundo nos últimos dois anos. “Utilização de máscara, evitar espaços aglomerados, praticar o distanciamento social, a etiqueta respiratória, não ir trabalhar com sintomas gripais, a lavagem frequente das mãos e a vacinação”, reforça.

Gustavo Tato Borges frisa ainda que os médicos acreditam que “estas medidas deviam realmente tornar-se hábitos para prevenir a disseminação destas doenças respiratórias transmissíveis, como é o caso da gripe sazonal.” Até porque, “como se viu no ano passado” — recorda — “o efeito destas medidas tornou a gripe sazonal praticamente inexistente”, conclui.

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