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Estes são os efeitos da pandemia na saúde mental dos miúdos

A psicóloga Sofia Andrade explica como a Covid-19 está a prejudicar os mais novos neste novo artigo de opinião.
Têm sido dos mais prejudicados neste contexto.

A pandemia de Covid-19 trouxe importantes desafios à sociedade e às famílias com consequências no comportamento e desenvolvimento infantil cuja dimensão, na verdade, ainda não conhecemos na totalidade. Os efeitos na saúde mental dos miúdos derivam de vários fatores, tais como preocupações face à própria doença e incertezas sobre o contágio e letalidade, bem como em relação às medidas instituídas para minimizar os seus impactos como o isolamento e o distanciamento social.

Logo no início da pandemia, as creches e as escolas fecharam de um dia para o outro, forçando a interrupção do convívio dos miúdos entre si e com os educadores, obrigando-os a ajustarem-se de forma violenta às novas regras e realidades. Sabemos que o contacto físico e a socialização são fundamentais para o bem-estar de todo o ser humano, mas os miúdos são particularmente vulneráveis, porque mudanças drásticas no ambiente podem condicionar negativamente o seu desenvolvimento social, cognitivo e emocional.

Por que é que o impacto da Covid-19 na saúde dos miúdos gerou a preocupação dos especialistas e da sociedade?

Um estudo realizado em Hong Kong no ano passado, avaliou os efeitos imediatos da pandemia no desenvolvimento psicológico dos miúdos e adolescentes. Os problemas emocionais e comportamentais mais frequentes foram a distração, irritabilidade, medo de que os elementos da família fossem contaminados e dependência excessiva dos familiares. Além disso, foram diagnosticados casos de perturbação do sono e pesadelos, falta de apetite, sintomas físicos e agitação.

Os impactos da pandemia podem ser ainda mais preocupantes em miúdos que sofrem de doenças do foro mental e do desenvolvimento. As mudanças súbitas da rotina diária têm consequências e podem potenciar sintomas já existentes, aumentando o risco de complicações emocionais, comportamentais e de relacionamento.

A permanência em casa e a limitação das atividades ao ar livre, por exemplo, podem agravar as características de agitação e impulsividade dos miúdos com Perturbação de Défice de Atenção e Hiperatividade. No caso da Perturbação do Espetro do Autismo, o isolamento social pode levar a um aumento do risco de condutas disruptivas e dificuldade no relacionamento com os pares.

Os alunos com necessidades educativas especiais podem necessitar de suporte adicional para se adaptarem às novas rotinas e para compreenderem as mudanças. Os jovens podem desenvolver sintomas de ansiedade, depressão e, em alguns casos, comportamentos obsessivo-compulsivos relacionados com a higiene e desinfeção.

A importância de um ambiente familiar estável

Um ambiente familiar estável é imprescindível para que os mais novos criem modelos positivos e cresçam de forma harmoniosa, num meio favorável aos afetos e compreensão. Importa salientar que, além dos impactos individuais, a pandemia pode causar ou acentuar perturbações no convívio familiar e na saúde mental dos pais e cuidadores, condicionando indiretamente o desenvolvimento saudável dos miúdos.

Em muitos casos, durante o período de confinamento, os elementos das famílias foram obrigados a partilhar de forma exaustiva o mesmo espaço, agregando tarefas domésticas, profissionais e de apoio aos filhos: uma realidade que potenciou os conflitos familiares e a negligência.

Nesse sentido, o possível aumento dos casos de violência doméstica pode prejudicar o desenvolvimento do cérebro na infância desde muito cedo e a longo prazo, originando um chamado stress tóxico que evolui para problemas de comportamento, ansiedade e depressão.

Da mesma forma, também muitos miúdos estiveram privados do contacto mais próximo com a família alargada, nomeadamente com os avós que, nos tempos que correm, são fundamentais no dia a dia das famílias e estão presentes nos cuidados e educação dos netos. O medo da transmissão da doença aos grupos de risco originou o afastamento e condicionou negativamente estes relacionamentos habitualmente tão saudáveis, com impacto psicológico para ambas as partes.

No âmbito dos problemas familiares existe ainda o impacto que a pandemia está a ter na economia das famílias, as dificuldades financeiras decorrentes do desemprego e da perda de rendimentos. Isto uma vez mais pode vir a desencadear perturbações nas relações familiares, sendo os miúdos novamente os mais vulneráveis (e até mais prejudicados). Por isso torna-se fundamental que os pais evitem que os mais novos vivam num clima de medo, insegurança, fobia social e distanciamento emocional.

Para saber mais sobre estas e outras questões, pode marcar uma consulta presencial ou online com a psicóloga seixalense Sofia Andrade. Para isso, basta que envie uma mensagem privada para a página de Instagram ou um email para andradesofia958@nullgmail.com. 

Sofia Andrade é psicóloga e membro da Ordem dos Psicólogos Portugueses. Licenciou-se e tornou-se mestre em Psicologia Clínica e de Aconselhamento. É ainda formadora certificada pelo IEFP e autora de diversas publicações ligadas à sua área de especialização.

Recentemente decidiu levar a escrita mais longe e lançou em 2019 o livro “Crianças e Jovens em Perigo. Estudo de Casos Clínicos”. Tem ainda um canal no YouTube onde vai partilhando algumas das suas visões e conselhos nas várias áreas temáticas da psicologia.

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