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Burnout: afinal, o que devemos fazer quando surgem os sintomas?

O número de pacientes com este estado emocional tem vindo a crescer nos últimos anos. A psicóloga Sofia Andrade esclarece tudo.

A síndrome de Burnout é um fenómeno que pode surgir como resposta à exposição a um stress laboral crónico, perante o qual a pessoa sente que não tem estratégias adaptativas para lidar. “Não aguento mais!” ou “Atingi o meu limite!” podem ser os desabafos de quem sofre da chamada síndrome de Burnout. Confira os sinais de alarme.

A definição deste conceito tem vindo a sofrer transformações, sendo consensual que se trata de “uma resposta prolongada a stressores físicos e emocionais crónicos que culminam em exaustão e sentimentos de ineficácia”, segundo Maslach ou “uma resposta à pressão emocional crónica resultante do envolvimento intenso com outras pessoas no meio laboral”, de acordo com Teixeira.

Apesar de poder ser desencadeada em qualquer tipo de atividade profissional, verifica-se uma maior predisposição para esta síndrome em profissionais de ajuda ou que impliquem o contacto diário com pessoas a quem prestem determinado serviço (profissionais de saúde, professores, serviço social, entre outros), dada a elevada responsabilidade e exigência profissional e o maior envolvimento emocional.

Quais os níveis de gravidade?

De acordo com alguns autores, a síndrome de Burnout pode ter três etapas de evolução. A exaustão emocional, que é uma sensação de sobrecarga e desgaste, de exaustão física e emocional. Neste momento, as pessoas têm a perceção de falta de energia para levar a cabo as atividades profissionais (e pessoais). O trabalho passa a ser visto como algo penoso e doloroso.

Depois, existe a despersonalização ou a desumanização. Assume-se uma atitude mais distanciada na prestação de cuidados. Os contactos tornam-se mais impessoais e sem afetividade e pouco empáticos e humanizados com o outro. Surgem ainda barreiras cognitivas e emocionais em relação ao trabalho, àqueles a quem se presta serviços, aos colegas, aos superiores e à instituição.

Além disso, outra das etapas de evolução de Burnout diz respeito à baixa realização profissional. Cresce uma sensação de descontentamento e desmotivação com o trabalho, que conduzem à perceção de perda de sentido e interesse e consequente sensação de que o trabalho se tornou “um fardo”. Como resultado, o investimento é cada vez menor, a sensação de realização profissional também e a eficácia fica, muitas vezes, comprometida.

Quais são os sinais de stress crónico?

— Problemas físicos: problemas gastrointestinais, taquicardia, sensação de fal;

— Enxaquecas, fadiga profunda e crónica, dores e tensão muscular, alterações do sono (sobretudo insónia) e do apetite, fragilização da resposta imunitária;

— Problemas emocionais: tristeza, apatia, anedonia, alienação, frustração, raiva/ revolta, tédio, desesperança, perda do orgulho e do sentimento de pertença, sensação de injustiça e falta de recompensa, irritabilidade, ansiedade, depressão, baixa autoestima, despersonalização.

— Problemas cognitivos: problemas de concentração e atenção, queixas mnésicas, confusão, maior lentificação na realização de tarefas, menor criatividade, pensamentos persistentes acerca do trabalho (ruminações), hipervigilância e necessidade de controlo.

—  Problemas comportamentais: comunicação impessoal, atitude crítica, evitamento, impulsividade, reatividade, agressividade, abuso ou aumento do consumo de substâncias (tabaco, álcool, drogas, medicação), automedicação.

—  Problemas sociais: isolamento, relações distanciadas ou com menor envolvimento e empatia, maior sarcasmo ou cinismo nas relações, problemas de relacionamento familiar ou menor convívio com amigos.

—  Problemas existenciais: conflitos de valores e crenças, necessidade de redefinir a vida e as prioridades pessoais, raiva e revolta dirigidas à vida, alteração da visão que se tinha do ser humano.

—  Problemas laborais: atrasos, absentismo, baixas médicas, turnover, maior número de erros no trabalho, menor tempo na prestação de serviços, baixa realização profissional, vontade de desistir do trabalho, menor produtividade e eficácia profissional.

Burnout em Portugal

O número de pacientes afetados pela síndrome de Burnout tem vindo constantemente a aumentar. Segundo os dados da Associação de Psicologia da Saúde Ocupacional, em 2017, 17,3 por cento dos trabalhadores portugueses estavam em burnout.

Além destes dados, sabe-se que 87 por cento dos trabalhadores portugueses não se sentem recompensados na sua atividade profissional. Em 2013, o número estava nos 73 por cento. Outros cerca de 86 por cento relatam situações de stress no trabalho, muito mais do que no ano de 2013, 62 por cento. 

Já entre 2011 e 2013, 21,6 por cento dos profissionais de saúde portugueses apresentaram burnout moderado e 47,8 por cento burnout elevado. Segundo ainda um estudo realizado por investigadoras do Instituto Superior de Psicologia Aplicada, metade dos profissionais de educação sofre de burnout.

Constata-se que a crise de bournout tem graves implicações na vida das pessoas e muitas das vezes pode levar mesmo a estados depressivos e suicídios. Tendo isso em consideração, é preciso estar atento a este fenómeno e identificá-lo. Isto de forma a que o indivíduo consiga estabelecer os seus limites e encontrar o seu ponto de equilíbrio.

É importante que se encontrem respostas adaptativas ao nível do equilíbrio, que passe pela regulação da saúde mental. Para isso, pode contar com a ajuda da psicóloga seixalense Sofia Andrade.

Quem é a psicóloga Sofia Andrade?

Sofia Andrade é psicóloga e membro da Ordem dos Psicólogos Portugueses. Licenciou-se e tornou-se mestre em Psicologia Clínica e de Aconselhamento. É ainda formadora certificada pelo IEFP e autora de diversas publicações ligadas à sua área de especialização. Recentemente decidiu levar a escrita mais longe e lançou em 2019 o livro “Crianças e Jovens em Perigo. Estudo de Casos Clínicos”. Tem ainda um canal no YouTube onde vai partilhando algumas das suas visões e conselhos nas várias áreas temáticas da Psicologia.

Para saber mais sobre estas e outras questões, pode marcar uma consulta presencial ou online com a psicóloga seixalense Sofia Andrade. Para isso, basta enviar uma mensagem privada para a página de Instagram ou um email para andradesofia958@nullgmail.com.

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