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Afinal, o que é um distúrbio alimentar e como se pode ultrapassá-lo?

Existem vários tipos, causas, sintomas e tratamentos. Saiba tudo neste artigo de opinião da psicóloga Sofia Andrade.
A especialista seixalense dá-lhe todas as respostas.

O distúrbio alimentar tem afetado vários indivíduos a nível mundial e prejudicado a vida de muitas pessoas. Neste artigo destaco alguns tipos de distúrbios alimentares, sendo considerado um dos transtornos mais comuns e com causas psicológicas complexas. Os psicólogos afirmam que o cuidado excessivo com a aparência ou até a falta de cuidado é considerado um fenómeno generalizado e preocupante. A própria anorexia e a obesidade trazem repercussões graves que, muitas vezes, ocorrem devido a estados psicológicos frágeis.

São inúmeras as situações que podem provocar um distúrbio alimentar, nomeadamente, fatores genéticos ou ligados até ao próprio metabolismo. Fatores socioculturais também podem estar associados a esse transtorno mental.

O distúrbio alimentar pode acontecer em diversas fases da vida do indivíduo, podendo ser ocasional ou crónico, sendo a sua intervenção psicológica necessária e o mais precoce possível, pois o distúrbio pode levar, em casos mais extremos, à morte.

O que é um distúrbio alimentar?

Os distúrbios alimentares são conhecidos desde há muitos séculos. Ainda no século XIX, a anorexia nervosa era conhecida como anorexia histérica, apepsia histérica e compunção nervosa, havendo descrições clínicas vastas sobre esta doença. Durante muito tempo acreditava-se que a doença atingia mais as mulheres, mas foi a partir do ano de 1939 que houve um diagnóstico diferenciando, denominado por caquexia hipofisária da anorexia nervosa.

O distúrbio alimentar caracteriza-se por alterações em hábitos alimentares que visam alcançar um padrão estético, como o padrão de magreza que figura a sociedade atual. Também podem haver distúrbios de imagem, que são aqueles em que os indivíduos não são capazes de se ver ao espelho como são. Nesses casos querem modificar a aparência, com o objetivo de perder ou até mesmo ganhar massa corporal em demasia.

Como identificar os vários tipos de distúrbios alimentares?

A bulimia e a anorexia são dois dos distúrbios alimentares mais conhecidos. Porém, existem outros que podemos destacar. Importa saber quais e reconhecer se tem ou conhece alguém próximo que apresente esses sintomas. Contudo, lembre-se: apenas um psicólogo pode diagnosticar o transtorno e fornecer o tratamento mais adequado para cada paciente.

Entre os vários tipos de distúrbios podemos mencionar a anorexia nervosa, que consiste num distúrbio alimentar em querer manter-se magro, restringindo a alimentação da sua dieta. Inclusive, muitas pessoas com anorexia podem chegar a ficar caquéticas, e até mesmo levar à morte. É frequente começar com o controlo de ingerir alimentos pouco calóricos até chegar a uma restrição severa.

Um dos sinais mais observáveis consiste na perda de massa corporal, o indivíduo não percebe que está muito abaixo do peso que é suposto para a sua idade e índice corporal e não se apercebe da sua magreza extrema. São indivíduos que apresentam pensamentos obsessivos, pesam-se frequentemente e medem partes do corpo compulsivamente. As complicações fisiológicas que acarretam podem levar a um estado de debilidade extrema e até mesmo conduzir à morte.

Já a bulimia é um transtorno alimentar caracterizado por eventuais níveis de compulsão alimentar, seguidos de métodos inadequados para compensar a perda de peso. Podemos destacar a prática excessiva de exercício físico, o uso indevido de laxantes e vómitos induzidos são os mais frequentes e comuns estados da doença.

Os indivíduos que apresentam um quadro de bulimia nervosa costumam sentir vergonha e culpa pela falta de controlo no consumo de alimentos calóricos, como por exemplo, comer doces e chocolates. Esses indivíduos costumam esconder dos seus familiares os seus hábitos compulsivos, por vergonha e medo, fazendo com que o diagnóstico seja mais difícil de identificar.

Quanto ao transtorno do comer compulsivo, refere-se a indivíduos que passam por crises de compulsão alimentar, mas diferente da bulimia. Porém, não se submetem a métodos compensatórios e não apresentam nenhuma preocupação com o corpo ou a estética.

O comportamento alimentar costuma ser muito rápido, comendo mesmo sem fome, o que significa por vezes consumir uma grande quantidade de alimentos até chegar ao desconforto físico. Muitos desses indivíduos apresentam um grau de obesidade, submetendo-se a dietas e a um rigoroso padrão alimentar.

A obesidade, um distúrbio muito frequente em diversas sociedades, está relacionada na maioria das pessoas com uma desordem alimentar, mas não só. Pode também estar associada a outras doenças, como é o caso do hipotiroidismo.

Geralmente, esses indivíduos apresentam uma tendência a desenvolver comorbidades, como o transtorno de humor, o transtorno de ansiedade e a bulimia nervosa. Porém, muitos desses indivíduos com obesidade precisam de ser submetidos a cirurgias bariátricas e apresentam quadros depressivos que requerem acompanhamento psicológico.

Outros distúrbios alimentares

Existem outros distúrbios alimentares não tão conhecidos na sociedade, como é o caso da vigorexia, que é um transtorno no qual o paciente apresenta uma obsessão por desenvolver musculatura, submetendo-se à prática excessiva de exercício físico. Também poderá ingerir em excesso substâncias que contribuem para aumentar a massa muscular.

A síndrome do gourmet é outra característica em indivíduos que apresentam um cuidado excessivo com a escolha de ingredientes, uma especial atenção pela preparação de pratos exóticos e especiais, bem como na forma de ingerir esses alimentos, prejudicando o convívio social.

Por último, mencionamos o transtorno alimentar noturno. Nesse caso, as pessoas apresentam um quadro clínico disfuncional emocionalmente, sentindo a necessidade de se alimentarem durante a noite. É comum não se lembrarem ou até mesmo negarem o comportamento, que geralmente está associado à prática de dietas rigorosas durante o dia.

Como identificar que tem um distúrbio alimentar?

Os quadros de distúrbios alimentares costumam ser bastante complexos e, por vezes, passam despercebidos ao olhar dos outros. São notórios apenas quando se chega a um estado avançado, no qual as alterações no peso e a forma corporal são observadas com mais facilidade.

Ao ter a perceção de um comportamento característico da compulsão ou privação alimentar, torna-se necessário procurar um profissional para efetuar um diagnóstico mais preciso e um eventual tratamento.

Como um psicólogo pode auxiliar no tratamento do distúrbio alimentar?

A  prática psicológica tem sido bem-sucedida no tratamento dos distúrbios alimentares. Podemos destacar a terapia cognitivo-comportamental, que se tem mostrado eficaz no apoio a pacientes com este distúrbio, a reeducarem novos hábitos saudáveis de forma mais adequada.

É, contudo, necessária uma intervenção multidisciplinar, que requer o apoio de outros profissionais de saúde, como o acompanhamento de um nutricionista, psiquiatra e de um clínico geral. O papel do psicólogo é ajudar o paciente a recuperar o seu convívio social com a família e com os amigos, fazer com que perceba qual o caminho a seguir de forma espontânea.

A terapia comportamental tem como objetivo restaurar os padrões de pensamento e comportamento atenuando os distúrbios que o outro tem com a sua imagem. Ao transformar a forma como o outro se percebe é possível eliminar definitivamente o transtorno.

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