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Afinal, não há saúde sem saúde mental?

A resposta é dada a todos os leitores através deste artigo de opinião, escrito pela psicóloga seixalense Sofia Andrade.
É uma resposta que vai dar pano para mangas.

O Dia Mundial da Saúde Mental é celebrado anualmente a 10 de outubro desde 1992. A Federação Mundial de Saúde Mental escolhe um lema. Neste ano foi “Tornar a Saúde Mental e o Bem-Estar uma prioridade global”. O objetivo é colocar temas da saúde mental nas agendas governamentais, além de centrar a atenção pública na saúde mental global, como uma causa comum a todos os povos, ultrapassando limites nacionais, culturais, políticos ou socioeconómicos.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que 264 milhões de pessoas em todo o mundo sofram de depressão e, muitas delas, apresentam igualmente sintomas de ansiedade. A OMS calcula que as perturbações depressivas e de ansiedade custem à economia global biliões, devido a perdas de produtividade e absentismo.

A maioria dos indivíduos é afetada por um problema de saúde mental ao longo da vida, que pode ir desde um episódio ligeiro de depressão ou ansiedade, a um estado de depressão mais grave com consequências em termos de incapacidade laboral, como perdas de produtividade e absentismo.

A verdade é que a situação de desemprego e até a própria pandemia de Covid-19 foram consequências e fatores de risco para o desenvolvimento de problemas de saúde mental, bem como um ambiente laboral negativo pode contribuir para o desenvolvimento de problemas de saúde físicos e mentais, abuso de substâncias, absentismo e até a perda de produtividade.

Importa realçar a necessidade de se desenvolver o bem-estar nos locais de trabalho, como forma de melhorar a produtividade e sustentabilidade das organizações, concretizando a realização obrigatória de planos de prevenção de riscos psicossociais e de equipas de saúde ocupacional que integrem psicólogos. Os riscos psicossociais representam uma das maiores ameaças à saúde física e psicológica dos trabalhadores e à produtividade das organizações.

De acordo com a evidência científica, a prevenção das causas do stress ocupacional e a intervenção nos problemas de saúde psicológica não apenas reduzem custos, mas traduzem-se num conjunto de benefícios para os trabalhadores e empregadores, podendo reduzir as perdas de produtividade pelo menos em 30 por cento e, portanto, resultar numa poupança de cerca de mil milhões de euros por ano.

Torna-se necessário, não só tornar obrigatória a implementação de planos de prevenção de riscos psicossociais, mas também dotar as organizações de um maior número de profissionais da área da Psicologia, incluindo-os nas equipas de Saúde Ocupacional, já que estes possuem as ferramentas necessárias à avaliação de riscos psicossociais, à realização de ações de prevenção e intervenção nesses riscos e à promoção e desenvolvimento de locais de trabalho saudáveis.

O aumento do número de psicólogos nas organizações permite ainda a identificação, diagnóstico e encaminhamento de trabalhadores com problemas de saúde psicológica para os serviços de saúde adequados. A Ordem dos Psicólogos Portugueses sublinha, uma vez mais, o papel e o contributo preponderante que os psicólogos podem ter na promoção da saúde psicológica, do bem-estar e da resiliência da população, na recuperação económica e social, bem como na construção de políticas públicas que melhorem a qualidade de vida dos cidadãos.

De seguida, carregue na galeria para ficar a par de cinco medidas essenciais e urgentes para a saúde psicológica.

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