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Afinal, há mesmo uma explicação para aquele formigueiro que costumamos sentir nos pés

Pode ser apenas um desconforto temporário, mas também pode ser sintoma de uma doença crónica. Saiba o que pode fazer.
As pernas cruzadas são um dos motivos.

Batemos com os pés. Esticámo-nos. Fazemos tudo o que está ao nosso alcance para que a sensação de formigueiro não alastre às pernas. No final, acabámos a praguejar à espera que passe, porque até caminhar pode ser uma tortura. Longos minutos depois, desaparece (até uma próxima vez). Reconhece o cenário?

Não é o único. Em algumas pessoas, trata-se apenas de um desconforto temporário e pode estar relacionado com a desidratação ou por passar demasiado tempo na mesma posição, a pressionar os nervos periféricos.

Muitas vezes não conseguimos perceber, — dada a frequência com que o fazemos —, mas estamos sentados ao computador com as costas arqueadas ou com as pernas cruzadas. Porém, estes hábitos têm consequências — e não só na nossa coluna.

“É realmente muito comum. Mas há pessoas que são mais suscetíveis que outras”, começa por explicar à NiT Nuno Cana, especialista da Sociedade Portuguesa Neurologia. “Normalmente acontece quando estamos a fazer pressão sobre as pernas, ou mãos. Nesses momentos, os nervos periféricos estão comprimidos e passado algum tempo, a ligação com o cérebro é quebrada. Como consequência, deixámos de ter sensibilidade naquela zona.”

A pressão pode também comprimir artérias, fazendo-as parar de transportar nutrientes para as células. Sem estes, os nervos podem comportar-se de forma anormal, interferindo nas sensações e criando então a tal dormência. Quando a pressão é aliviada sentimos o tal formigueiro, enquanto as células recuperam a sensibilidade.

Não há muito que possa fazer para o evitar, a não ser “deixar de ter estes comportamentos que fazem pressão sobre as pernas, pés ou mãos”. Adotar uma postura mais correta e não estar sempre com as pernas cruzadas, ou debaixo do rabo, também ajuda.

Quando a sensação é permanente

O normal é que esta sensação desapareça, na pior das hipóteses, em minutos. “Caso se trate de uma situação permanente, pode ser sintoma de outra condição, como polineuropatias relacionadas com a diabetes tipo 2, défices vitamínicos, sobretudo de B12 ou doenças neurológicas”, adianta Nuno Cana

“Uma das funções da vitamina B12 está associada à produção de mielina — uma substância que atua como camada protetora dos nervos. A carência desta pode resultar em danos nos mesmos. Este problema é mais comum nos que encontrámos nas mãos e nos pés”, explica. A carência deste nutriente também podem causar anemia e até demência.

A principal fonte desta vitamina é animal – carne, peixe, ovos e leite, por exemplo. Os miúdos, idosos (pela diminuição da acidez do estômago que diminui a capacidade de a retirar da carne), veganos, vegetarianos e diabéticos (pelo uso do medicamento metformina) correm um risco maior de desenvolver défice da mesma, que pode também ocorrer na sequência de perturbações na sua absorção. A solução, muitas vezes, é recorrer a suplementos, receitados por especialistas em nutrição.

O formigueiro pode ser também um sintoma de uma doença neuromuscular, como as polineuropatias — doenças caracterizadas pela disfunção simultânea de vários nervos periféricos — como a diabetes. Por isso, o clínico aconselha a marcar uma consulta com um médico para perceber a causa da mesma. Após esclarecida a origem do formigueiro “trata-se a causa e os sintomas”, diz.

“Seja qual for a causa que desencadeia a sensação, tratamos primeiro dela. Por exemplo, se for diabetes, o controlo da doença vai acabar com a sensação. Caso seja défice de vitaminas, a reposição das mesmas também deve melhorar.”

No entanto, há também tratamento para os sintomas. “O formigueiro é normalmente tratado com antiepiléticos, porque se trata de uma alteração neuropática”, conclui.

Se o formigueiro se deve à postura, o melhor é mesmo tomar medidas para a melhorar. Além de (tentar) sentar-se corretamente, há treinos que podem ajudar a fortalecer a estrutura muscular, para prevenir eventuais problemas.

O personal trainer Tiago Malta preparou um treino específico que pode fazer depois do trabalho. Carregue na galeria para conhecer os 5 exercícios recomendados pelo profissional.

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