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Afinal, a alimentação influencia o estado da nossa pele ou não?

Descubra a resposta neste novo artigo de opinião da nutricionista Mariana Machado para a New in Seixal.
Saiba como aliar a alimentação a uma pele saudável e jovem.

O segredo para uma pele saudável também está no prato — sim, leu bem. À primeira vista pode não associar a alimentação à saúde da nossa pele mas, segundo a nutricionista seixalense Mariana Machado, cada vez mais vitaminas e antioxidantes são utilizados na área da cosmética devido aos benefícios que apresentam.

Já sabe que existem algumas recomendações básicas que deve seguir para ter uma pele saudável e jovem: evitar uma exposição solar prolongada; aplicar protetor solar durante todo o ano; hidratar a pele, quer com com creme hidratante quer bebendo bastante água. Dormir bem, já que é durante a noite que as células da pele se regeneram e renovam e ter uma dieta rica em determinados alimentos são algumas das regras básicas para assegurar a saúde da pele.

Neste artigo vamos debruçar-nos exatamente sobre este último tópico: a alimentação. Afinal de contas, aquilo que comemos é capaz de influenciar (ou não) o estado da nossa pele?

Os cinco segredos para alimentar bem a sua pele

— Citrinos: o consumo diário de citrinos auxilia na manutenção da hidratação celular, o que a longo prazo ajuda a prevenir o aparecimento de rugas. A vitamina C é um importante antioxidante que colabora na manutenção do colagénio na estrutura da pele.

—  Frutas e legumes: devem ser consumidos diariamente e a firmeza da sua pele só fica a ganhar com a ingestão de batata-doce, cenoura, tomate, melão e pêssego, entre outros.

—  Vegetais de folha verde: espinafres, brócolos e agrião são excelentes fontes de vitamina A, tal como os legumes com pigmentação laranja. Esta vitamina é um dos nutrientes mais importantes para a saúde da pele, sendo fundamental na manutenção de uma boa integridade e funcionalidade desta.

—  Peixe gordo: o salmão, o atum e a sardinha contêm ácidos gordos, ricos em ómega 3 com propriedades anti-inflamatórias, que combatem os danos causados pela oxidação. Recomenda-se, por isso, o consumo de 100 a 120 gramas destes peixes duas a três vezes por semana.

—  Chá: a ingestão moderada de chá verde, chá preto ou chá branco são importantes fontes de catequinas. Estas são substâncias antioxidantes da família dos polifenóis, que protegem o organismo dos danos oxidativos dos radicais livres, atuando na proteção celular. Contudo, deve ser evitada uma ingestão superior a meio litro por dia.

A alimentação: como pode ajudar (ou prejudicar) as doenças da pele

Se, por um lado, a ingestão elevada de alimentos açucarados está relacionada com o maior risco de aparecimento de acne. Por outro, a ingestão muito reduzida de hidratos de carbono e proteínas pode originar uma desnutrição, o que afeta a integridade das estruturas da pele bem como a sua resposta imunitária aos microrganismos do exterior. Nesses casos, há possibilidade de se ficar mais exposto a possíveis feridas ou infeções da pele.

Isto na prática quer dizer que devemos escolher bons hidratos de carbono, reduzindo os açúcares simples: cereais integrais, frutas, hortícolas e lacticínios. Devemos ainda completar duas ou três refeições do dia com proteínas, como por exemplo laticínios, leguminosas, ovos, carnes magras e o pescado (variando entre magro ou gordo).

Mas há mais a reter. O défice de gorduras essenciais ou um desequilíbrio na proporção entre ómega 6 e ómega 3 pode originar uma maior perda de água por dificuldade da pele em retê-la através dos poros entre as várias camadas de pele. Estas gorduras são influenciadoras de inflamação, pelo que uma ingestão muito maior de ómega 6 do que de ómega 3 resulta num estado aumentado de inflamação.

Situações destas estão bem patentes hoje em dia através da ingestão muito reduzida de pescado e mais elevada de óleos vegetais, produtos de soja e muitos outros processados. A psoríase, uma doença crónica que gera lesões na pele, por exemplo, é agravada por esta desproporção de ingestão. Quando se sofre dessa condição, é importante que se coma mais peixe.

Já a dermatite herpetiforme é melhorada pela exclusão do glúten da dieta, enquanto a dermatite atópica e a urticária beneficiam da redução de ingestão de ovos, leite, amendoins, pescado, trigo, soja e marisco.

Influência do excesso de nutrientes na pele

Como já foi referido, o excesso nutricional também pode causar alterações de pele. O exemplo mais clássico é a tentativa exagerada de ingerir alimentos ricos em vitamina A (e betacarotenos: cenouras, tomates e derivados, melão) na esperança de que a pele fique muito pigmentada (melanina) durante mais tempo. O resultado, pelo contrário, é uma pele amarelada pelo excesso de carotenoides, porque a partir de certa quantidade já não é possível estimular mais a produção de melanina a não ser pela exposição solar.

Para otimizar a cicatrização de feridas e melhorar a saúde de cabelos e unhas, a alimentação deve ser reforçada em zinco, selénio e ferro, e vitaminas A, C, E e K; todos pelo seu papel antioxidante e fundamental na construção e manutenção dos tecidos. Mas atenção: ingerir estes nutrientes em demasia não confere uma maior proteção e, por isso, não significa que seja menos prejudicial estarmos mais minutos expostos ao sol.

Alimentos que prejudicam a pele

— Doces: a reação provocada entre os componentes químicos dos doces e os carboidratos existentes no organismo pode prejudicar a produção de colágeno da pele, o que a torna menos elástica e, consequentemente, menos jovem.

— Bebidas alcoólicas: o excesso de consumo do álcool dificulta o trabalho do fígado, que é exatamente o de eliminar as toxinas presentes no corpo. Isso faz com que a pele fique desidratada e sem brilho. Para combater esse problema, beba bastante água.

— Refrigerantes: açúcar, sódio e cafeína são componentes dos refrigerantes que podem levar ao aparecimento de borbulhas e oleosidade na pele.

— Fritos: a gordura dos alimentos fritos não fica restrita ao interior do corpo e pode tornar a pele de quem os consome mais oleosa. Isto também proporciona o aparecimento de borbulhas e pontos negros.

— Chocolate: quanto mais gordura um chocolate tiver, mais prejudicial para a pele ele será. Assim, já sabe: evite chocolates brancos e de leite, que são ricos nesse elemento.

— Lacticínios: todos os derivados de leite e o leite em si são alimentos que aumentam a oleosidade da pele. Podem provocar alterações na pele e um brilho nada agradável. Opte pelas versões sem lactose.

— Alimentos feitos com farinha branca: os alimentos que levam esse ingrediente na composição podem inflamar as glândulas sebáceas provocando o aparecimento de lesões na pele.

— Sal refinado: a alta concentração de sódio no sal refinado pode provocar processos inflamatórios no corpo que dificultam a recuperação de uma pele acneica.

Se os olhos são a janela da alma, a pele é a janela do nosso bem-estar. A sensibilidade da pele não é apenas causada pelo que lhe aplicamos, mas também pelo que ingerimos no nosso organismo. Os elementos que podem irritar a pele podem surgir de todos os lados, por isso, quando notamos uma maior sensibilidade na pele vale a pena refletirmos sobre o que andamos a comer.

Uma alimentação equilibrada, bastante água e algum know-how podem ajudar muito quando se trata de manter a pele calma e bonita, de dentro para fora. Nunca fez tanto sentido o ditado “nós somos o que nós comemos.”

Para saber mais sobre estas e outras questões, pode marcar uma consulta, presencial ou online, com a nutricionista Mariana Machado através da página de Instagram, do site, do email mmnutricoach@nullgmail.com ou do número 937 952 587.

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