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Sabe que existe uma olaria romana em Corroios? Vá descobri-la

Estão escondidos à vista desarmada, mas o concelho está repleto de vestígios arqueológicos. Comece a conhecê-los já no domingo.
É o único Monumento Nacional do concelho.

Em 1986, na Quinta do Rouxinol, em Corroios, quando os serviços da Câmara Municipal do Seixal procediam à abertura de uma vala, tendo em vista a construção de um emissário de esgoto, foi detetada e identificada pelos serviços do Ecomuseu Municipal, a estrutura de um milenar forno romano.

Foi assim, por mero acaso, que se descobriu aquele que é, neste momento, o único Monumento Nacional do concelho, tal a sua importância para percebermos quem esteve aqui antes de nós e o que fazia. Para que todos possam conhecer e surpreender-se com a importância deste vestígio histórico, o Ecomuseu Municipal organiza no próximo domingo, dia 22 de janeiro, uma visita aberta. Durante duas horas, das 10h30 às 12h30, fique a conhecer a arquitetura e o modo de funcionamento dos fornos cerâmicos que produziram ânforas e loiça doméstica entre os séculos III e V.

Feitas as escavações, em colaboração com o Centro de Arqueologia de Almada, durante os verões de 1986 a 1990 pôr-se-iam a descoberto dois fornos de planta circular com aproximadamente 2,5 metros de diâmetro e respetiva fossa de desperdícios, pertencentes a uma olaria romana datada entre a segunda metade do século II e a primeira do século IV.

O espólio recolhido nas escavações, após restaurado e classificado, encontra-se exposto no Núcleo Sede do Ecomuseu Municipal do Seixal tendo sido o conjunto arqueológico classificado de monumento nacional.

No seu conjunto, este espólio constitui uma das mais importantes coleções de cerâmica romana do nosso País, ilustrando profusamente o papel que a olaria do Rouxinol terá desempenhado, no abastecimento local, a Olisipo (Lisboa) e aos vários centros conserveiros da região, entre os finais do século II e, pelo menos, as primeiras décadas do século V.

Os dois fornos (e vestígios de um eventual terceiro) de produção de loiça doméstica, materiais de construção, lucernas e, principalmente, de ânforas destinadas ao envase e transporte de preparados de peixe e, provavelmente, de vinho. Muito próximo, duas fossas abertas na areia de base atestavam a rejeição de diverso material durante o processo de fabrico, encontrando-se repletas de espólio cerâmico (muitas vezes com formas completas ou quase), junto a madeira que não chegou a ser utilizada como fonte de alimentação da cozedura. Os moldes em argila encontrados confirmam também o fabrico de lucernas.

Informações orais remetem para os anos 1960 os primeiros achados de espólio romano na Quinta do Rouxinol, antiga propriedade agrícola completamente urbanizada em inícios da década de 1980. Pouco depois da constituição do Ecomuseu Municipal do Seixal, prospeções de superfície realizadas pelos seus serviços, entre 1982 e 1983, permitiram recolher materiais que indiciavam o eventual funcionamento de uma olaria no local. 

O sítio está classificado como Monumento Nacional e preserva parte de dois fornos, vestígios de um eventual terceiro e outra estrutura de combustão de menores dimensões. Os fornos estão limitados à zona inferior das fornalhas, aos corredores que lhes dão acesso e ao arranque das arcadas de suporte das grelhas (entretanto abatidas). Nas proximidades, detetaram-se duas fossas de despejo de materiais rejeitados durante o processo de fabrico.

Com base no registo e modelação 3D da estrutura e na investigação arqueológica e etnográfica, construiu-se no sítio um forno à escala real, que restitui a arquitetura integral e o modo de funcionamento de um dos fornos romanos originais. Esta réplica é utilizada em ações de arqueologia experimental e como recurso formativo e pedagógico ligado à olaria artesanal.

Para lhe aguçar a curiosidade, carregue na galeria e espreite alguns dos detalhes que vai descobrir nesta visita.

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