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O descontraído filho de duas estrelas de Hollywood que é o novo Capitão América

A NiT falou com Wyatt Russell, que deixou em definitivo os ringues de hóquei no gelo e anda agora com um escudo icónico.
Uma estreia no mundo Marvel.

O pai é Kurt Russell, a mãe Goldie Hawn, a meia irmã é Kate Hudson. Talvez fosse já esperado que Wyatt Russell enveredasse por uma carreira como ator. Mas antes de aqui chegar foi como jogador de hóquei no gelo que fez carreira. Andava entre o ringue e os sets mantendo uma carreira paralela. Aos 34 anos, já sabemos em que ecrãs o iremos ver no futuro. E nesta altura tem em mãos o papel que mais atenção lhe trouxe.

O ator que já foi protagonista de um episódio de “Black Mirror” e se destacou em “Lodge 49” é John Walker, o escolhido para assumir, após Steve Rogers, o escudo e máscara de Capitão América na nova série do universo Marvel, “O Falcão e o Soldado do Inverno”, já em exibição na Disney+.

Wyatt não quis antecipar o que poderemos ver até ao final da temporada sobre a sua personagem, que conta com um historial já relativamente grande no mundo dos comics (o que dá sempre aso a debate entre os fãs). “Ele é um marine que foi escolhido pelo governo dos EUA para preencher o lugar de Capitão América, com Steve Rogers fora e após o Falcon ter recusado o lugar. Ele é a cara escolhida para o governo para um papel considerado necessário”, explicou à NiT numa conversa via Zoom com jornalistas de diferentes meios europeus.

Descontraído, o ator não se atrapalha com o legado de uma personagem com história. “Espero só ter feito o trabalho que é suposto fazer nesta série.” Curiosamente, há uns bons anos, chegou a ir a uma audição para o papel de Steve Rogers, que ficou para Chris Evans. “A primeira audição acho que foi só mesmo para ver se sabia ser ator”, recorda. “Ainda era novo, eu próprio não sabia se era alguma coisa de jeito. Acho que eles sabiam que não ia ser eu. Desta vez foi diferente, nem sabia para o que era a audição e quando percebi foi quase o fechar de um ciclo.”

“Achei que eram capazes de ter feito asneira e escolhido o tipo errado [risos]”, contou. “Depois mostraram-me qual seria a trajetória da personagem e percebi que ia ser muito porreiro.” É no final do primeiro episódio que o conhecemos. “O Falcão e o Soldado do Inverno” abre logo o debate sobre o futuro do Capitão América. A série permite-nos reencontrar Falcon (Anthony Mackie), envolvido nas dificuldades da vida de um super-herói quando não está a lutar contra vilões. Reencontramos também Bucky (Sebastian Stan), o histórico parceiro de Steve Rogers, ainda a libertar-se da lavagem cerebral da Hydra.

Os dois seriam a escolha de muitos fãs para assumir o tal escudo indestrutível. Mas no final do primeiro episódio, é outro tipo a subir ao palanque, John Walker, que conhecemos apenas com um sorriso meio ambíguo. A NiT perguntou a Wyatt o que é que era suposto aquele sorriso significar. E há aqui um daqueles toques de acaso que funcionou na versão final.

“O sorriso é para estar lá a dizer ‘olá, sou o novo tipo’. Passa um pouco a postura de desafio do John [Walker]. Ele é um militar muito capaz e acho que esse é o momento auge para ele a sentir-se bem. Não há ainda nenhum obstáculo, sente-se só bem. E depois vemos que a trajetória é outra. Mas acho que o sorriso foi só algo que fiz. Eles estavam a filmar com imensas câmaras, eu cheguei e acho que pisquei o olho, quase como piada. E acabaram por usar esse plano [risos]. Foi uma surpresa.”

O pai do ator até já tinha passado pelo universo Marvel, como Ego, o peculiar planeta de “Guardiões da Galáxia Vol. 2”, mas Wyatt fez aqui a sua estreia com a dupla pressão de ter de assumir o papel de Capitão América e de se apresentar num universo que, no ecrã, se faz acompanhar de uma exigente legião de fãs. Não foi coisa que o atrapalhasse.

“Treinei muito, comi muito, procurei não me esquecer das falas e lutei com quem me disseram para lutar”, brinca quando um jornalista italiano lhe pergunta como se preparou para o papel. Depois explica que o trabalho físico foi acompanhado de uma equipa de topo, dos duplos às coreografias de luta. “As cenas de luta são incríveis”, enfatiza.

Perguntamos se a pressão desta vez era diferente. “Talvez”, reconhece. “Mas acho que só sinto a pressão depois de ter terminado o meu trabalho. Nessa altura está feito e já não tenho controlo nenhum sobre o que acontece depois. É nessa altura que as pessoas falam, ‘ah vai ser porreiro, não vai prestar’ e só esperas que não achem que não presta. Mas quando estás a fazer o teu papel tentas não pensar muito nisso. Não ajuda pensar nos resultados de coisas que ainda não conheces. E isso dá para mais coisas da vida. Numa corrida não estás a pensar no que é depois da meta.”

O ator é filho de um dos casais mais estáveis de Hollywood, juntos há quase quatro décadas e com carreiras bem distintas. As comparações, no entanto, não são coisa que o preocupe. “Os meus pais deram-me tudo”, explica. E foi de facto com eles que até começou. Os seus primeiros papéis remontam ainda aos anos 90. Interpretou até uma versão mais nova do seu pai quando tinha 11 anos, em “Soldado Implacável” (1998). Até pode ter andado pelos ringues de hóquei no gelo entretanto mas está visto que esta nova fase da carreira tem qualquer coisa de regresso a casa.

Depois de “WandaVision”, “O Falcão e o Soldado do Inverno” é a segunda série da Marvel e da Disney a dar sequência a este universo de super-heróis, que durante mais de uma década foi sinónimo de sucessos estrondosos de bilheteira no grande ecrã. A série chegou à Disney+ a 19 de março e todas as semanas ficamos a conhecer mais um dos seis episódios que compõem a história.

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