cultura

Músico do Seixal que virou quatro cadeiras no “The Voice” prepara primeiro EP a solo

Vasco Duarte lança a 15 de outubro o primeiro disco após um percurso marcado por diferentes projetos ligados à música.

Há quase três décadas que Vasco Duarte faz da música uma parte da sua vida. Aos 42 anos, o músico, produtor, fotógrafo e videógrafo do Seixal prepara-se para dar um novo passo na carreira: lançar o primeiro EP a solo, sob o nome KNOBZ.

“(R)Evolution” chega às plataformas digitais a 15 de outubro, precisamente no dia de aniversário do artista, e reúne cinco temas que atravessam o pop, dark pop, modern rock e uma sonoridade de inspiração mais industrial.

Gravado e produzido no seu próprio estúdio, no Seixal, o EP representa uma nova fase de um percurso que começou ainda na adolescência e passou por bandas, projetos a solo, concursos televisivos e diferentes áreas ligadas à música.

O nome não surgiu por acaso. O disco acompanha a própria transformação musical de Vasco, que começou no rock e no metal e foi explorando diferentes sonoridades ao longo dos anos. Desta vez, assumiu praticamente todo o processo criativo, desde a composição e produção à gravação.

“Neste EP existe uma evolução no som, mas também uma revolução. Começa com uma onda pop, que foi inicialmente o que idealizei. O segundo tema foi o primeiro que lancei a solo com este projeto, mas decidi fazer uma reedição da música. O terceiro é o que considero o single, um tema mais dentro do pop, dark pop e modern rock, mais emocional. Tem influência de bandas como Sleep Token e Thirty Seconds to Mars”, explica à New in Seixal.

A escrita de Vasco também tem uma característica que atravessa os diferentes projetos: o recurso às metáforas. No novo EP, as relações de amor e ódio são abordadas de diferentes formas, desde os sonhos à vontade de estar ausente de uma relação ou à própria ideia de encarar uma relação como um combate. 

“Há muitos anos que escrevo com base em metáforas porque obriga a pessoa a relacionar-se com o que está a ouvir. Acho que consigo transmitir uma mensagem mais abrangente para todos”, diz.

 
 
 
 
 
Ver esta publicação no Instagram
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Uma publicação partilhada por 𝞙𝙉𝙊🅱𝞕 (@knobz.music)

No entanto, antes de chegar a esta fase a solo, o artista seixalense já tinha levado a sua música para os ecrãs. Em 2010, participou no programa “The Voice”, na altura “A Voz de Portugal”, onde virou quatro cadeiras durante as provas cegas. Acabou por escolher os Anjos como mentores e chegou às galas, uma experiência que trouxe não só maior exposição, como uma relação de amizade com os músicos que se mantém até hoje.

Quatro anos mais tarde, voltou a enfrentar um palco televisivo no “Rising Star”. O convite surgiu através da produção do programa e a participação ficou marcada por uma atuação em que alcançou 97 por cento de votação. A visibilidade conquistada ajudou a dar um novo impulso aos projetos musicais, numa altura em que continuava a conciliar diferentes trabalhos e a construir um percurso fora da televisão.

Aos 12 anos já tinha uma banda

Muito antes dos palcos televisivos, dos estúdios e do projeto KNOBZ, a música já fazia parte da vida de Vasco. Começou a tocar aos 12 anos, quando formou a primeira banda com amigos. Os primeiros ensaios aconteceram numa cave, onde agora Vasco tem o seu próprio estúdio, e acabou mesmo por dar origem ao nome da banda: Os Ratos da Cave.

Ao longo dos anos, Vasco passou por diferentes projetos e bandas, até fundar, em 2008, os Ossos do Ofício. O grupo tornou-se uma das etapas mais importantes do seu percurso, tendo permanecido uma década no projeto e lançado, em 2015, o álbum “Fora de Rota”. Pelo caminho, continuou ligado a outros projetos musicais, entre bandas e concertos de covers, em diferentes espaços no concelho.

A relação com a televisão surgiu já depois de vários anos de estrada, mas não significou uma mudança de rumo. A exposição dos programas acabou por abrir portas, mas o músico continuou a construir o percurso à sua maneira e sempre com uma ligação muito próxima ao Seixal.

Foi no concelho que deu os primeiros passos enquanto músico e em 2002 chegou a vencer o concurso de talentos do Março Jovem, com a banda que integrava na altura, os Not Without Fighting.

Durante quase seis anos, Vasco também  deu aulas de canto na Escola de Rock do Seixal e foi desenvolvendo paralelamente o trabalho na área da fotografia e de vídeo. Hoje, todas essas vertentes continuam a cruzar-se na sua vida profissional, numa carreira em que a criatividade aparece tanto através do som, como da imagem.

Uma ligação familiar à música

Por detrás desta relação com a música, existe uma ligação familiar. O pai de Vasco, também ele músico, foi quem lhe ensinou os primeiros acordes de guitarra.

“O meu pai teve bandas de covers que tocavam ao vivo para ganhar uns trocos. Trabalhou desde os 14 anos e dizia-me muitas vezes: ‘A música não põe pão na mesa’. Mas, apesar disso, tinha uma guitarra em casa, e sempre tive instrumentos por perto. Lembro-me de olhar para aquela guitarra, passar os dedos pelas cordas e ficar fascinado com o som. O meu pai, sem querer, acabou por ser a minha maior influência”, recorda.

Hoje, com dois filhos, a forma como encara a música também mudou. Mais do que números, seguidores ou reconhecimento, Vasco vê o que cria como uma forma de deixar algo para o futuro. “Hoje faço música como legado. Tenho dois filhos e sei que um dia não vou estar cá, mas a minha obra vai ficar. Vão poder ouvir o pai e, um dia, os meus netos vão poder ouvir o avô. Faço música mais por isso do que pelos plays no Spotify”, frisa.

É também por isso que o lançamento de “(R)Evolution” assume um significado especial. O EP representa não só a estreia de KNOBZ num projeto a solo, mas a possibilidade de reunir diferentes influências e aprendizagens acumuladas ao longo de quase 30 anos ligados à música.

Os cinco temas foram construídos de forma independente, com Vasco a assumir a composição, produção e gravação. “Sempre consegui ter uma certa liberdade. Nos Ossos do Ofício, a maior parte da composição passava por mim e as letras eram todas minhas”, explica.

“(R)Evolution” é, por isso, mais do que o nome de um EP. É a palavra que melhor resume um percurso feito de mudanças, experiências e diferentes formas de criar. Do rock e do metal das primeiras bandas às sonoridades mais próximas do pop, dark pop, modern rock e industrial que agora apresenta enquanto KNOBZ, Vasco continua a procurar novos caminhos sem deixar para trás o que o trouxe até aqui.

Depois de quase três décadas entre bandas, palcos, televisão, aulas de música, fotografia, vídeo e produção musical, o artista seixalense prepara-se agora para descobrir até onde pode levar este novo projeto.

Carregue na galeria para ver algumas fotos do percurso de Vasco Duarte.

ARTIGOS RECOMENDADOS