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“Mundos Paralelos” está de volta para uma nova jornada épica a não perder

A NiT falou com Lin-Manuel Miranda em antecipação do que aí vem.
A nova jornada de Lyra.

A pandemia é tramada. Intromete-se mesmo na ficção, não só em histórias reais mas também em universos mágicos, alternativos. Foi uma das razões pelas quais tivemos de esperar um pouco mais pela segunda temporada de “Mundos Paralelos”, mesmo tendo as gravações terminado antes de o caos se instalar. A espera, no entanto, terminou. A nova temporada estreou esta terça-feira, 17 de novembro, na HBO Portugal.

Foi também a pandemia que deixou Lin-Manuel Miranda “triste por não poder brincar com os gravadores” dos jornalistas à sua frente. Há algumas semanas, a NiT teve a oportunidade de falar via Zoom numa conversa à distância, com jornalistas dos mais diversos países. Do lado de lá, estava o premiado ator da Broadway que é cada vez mais uma presença forte no ecrã.

“Tentem imaginar a vossa vida nesta pandemia sem arte”, desafia o ator aos jornalistas a dada altura da conversa. “A arte é uma bala mágica”, defende. Miranda é uma figura contagiante, mesmo a milhares de quilómetros de distância. Sentado em sua casa, parece incapaz de estar quieto. Fala de forma animada, com vontade, do que os fãs vão poder descobrir agora. E deixa aberto o convite a que o sigam nesta viagem mágica.

“Mundos Paralelos” é uma produção especial da HBO. Pega no universo de fantasia e ficção do escritor Phillip Pullman e deixa-nos perante uma conspiração à escala global, num outro mundo, que cedo descobrimos não ser o único que existe. Naquele mundo onde tudo começa, há animais falantes, os daemons, umbilicalmente relacionados a cada ser humano.

A primeira temporada levou-nos a acompanhar Lyra (a jovem Dafne Keen) numa viagem invulgar. Por entre uma sociedade controlada por forças repressivas, conheceu outras comunidades, como uma de ursos polares guerreiros e outra de bruxas. Lyra, uma miúda ainda a crescer, lá fez a sua jornada por entre perdas e batalhas, tudo na perseguição do seu pai, um inventor obcecado interpretado por James McAvoy.

Por entre os incríveis lugares e figuras que conheceu, Lyra andou num balão de ar comprimido conduzido por Lee Scoresby, um aeronauta interpretado por Lin-Manuel Miranda, com qualquer coisa de Han Solo, na forma como se torna um herói, mesmo com a sua atitude aparentemente desleixada e contra as intenções iniciais do próprio. Aquele não era suposto ser o percurso dele mas a jornada de Lyra tornou-se a sua missão. E ele fez tudo para a cumprir.

“O Lee é um tipo solitário cuja principal relação é com o seu daemon. Ele é distante mas vê como Lyra teve uma má mão para jogar, no que aos pais diz respeito, e é capaz de ir aos confins do mundo por ela. E se esses confins não forem suficientes, ele é capaz de ir a outros mundos por ela. Ele não é o pai dela mas percebe que o pai dela não é o ideal, e de certa forma assume esse papel”, explica à NiT.

Para Lin-Manuel Miranda, um dos lados mais interessantes da série é a forma como a bondade e a grandeza se opõem. A dicotomia em inglês funciona ainda melhor, pela sonoridade próxima: “goodness vs greatness”.

À volta de Lyra, muitas vezes contra ela, encontramos essa procura pela grandeza. É algo de obsessão, em que os meios justificam os fins — com a violência que isso possa implicar, mesmo de um pai perante a filha. Lyra não. É ela a tal bondade em crescendo. É uma heroína também por essa capacidade de fazer algo incrível com uma motivação mais genuína, até mais inocente.

“É interessante a série dar-nos esta perspetiva do lado dos miúdos”. Há “crueldade” neste mundo fictício mas a ideia de descoberta dessa mesma realidade é também uma das etapas de crescer. “O que é extraordinário na Lyra, e que torna a sua viagem tão singular, é ela ser criada por dois pais capazes de sacrificar tudo pelas suas ideias, enquanto os sacrifícios de Lyra são sempre em prol dos outros”, realça.

Para o ator, há aqui temas que lhe tocam particularmente. “Eu cheguei a este mundo como fã dos livros ainda antes de ser ator na série. Temos esta ideia de liberdade contra opressão, de uma força repressiva a controlar a informação. Isso é uma história mais antiga que o próprio e, tristemente, é sempre atual, seja com Copérnico a dizer que é a Terra que anda à volta do Sol e não o contrário, seja com a negação de informações sobre as alterações climáticas.”

Depois de uma jornada épica, “Mundos Paralelos” deixou os espectadores na expectativa, a ver Lyra partir para toda uma nova viagem, agora em território totalmente desconhecido, e aparentemente sozinha.

O trailer deixa-nos perceber rapidamente que Lyra vai ter uma companhia essencial, Will (Amir Wilson), rapaz que conhecemos na primeira temporada e que terá agora um papel ainda mais relevante.

Do seu lado, Lyra tem uma profecia por cumprir, mas o universo de magia, violência e mundos alternativos que temos pela frente é garantia de uma viagem sinuosa. As probabilidades estão contra ela — ingrediente essencial para qualquer jornada épica no ecrã. Mas “está na hora de lutar”, ouvimo-la dizer.

À imagem da primeira temporada, podemos esperar oito novos episódios nesta segunda temporada, que vão estrear à razão de um por semana, durante as próximas semanas. Há regressos bem esperados de personagens mas também novas figuras por descobrir. “Este é um mundo literário tão vasto, oito horas [por temporada] nunca parece tempo suficiente”, confessa Lin-Manuel Miranda. Mas do elenco à equipa técnica, passando pela produção, que conta com o selo de qualidade conjunta da HBO e da BBC, há aqui muito ainda por descobrir.

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