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Miguel Nogueira presta homenagem ao Seixal com single “Maria, Maria”

Do coração da baía do Seixal para as playlists, o músico criou uma canção que celebra as mulheres.

É no Seixal que a história de Miguel Nogueira começou e é também aqui que continua. Aos 33 anos, o músico acaba de lançar o single “Maria, Maria”, que celebra a vida.

Para Miguel, a música é, antes de mais, uma forma de partilhar afetos, lugares e pessoas. Cresceu no Seixal, onde ainda vive, e decidiu que o seu novo trabalho teria de ter raízes bem fincadas da terra que o moldou. “Queria mostrar a beleza do Seixal, da baía e partilhá-la com o público. Desde o momento em que escrevi a música, soube que tinha de a gravar aqui”, revela.

A ideia de “Maria, Maria” surgiu de forma orgânica. O primeiro impulso criativo aconteceu no estúdio com Ma-d Sutak. Miguel encontrou uma sintonia imediata com a equipa que o acompanhou no processo. “Conheci a equipa no estúdio, identificámo‑nos uns com os outros e a canção ganhou forma sem grandes pressões”, conta.

O processo foi surpreendentemente rápido para padrões de produção musical: entre a primeira sessão e a versão final, passaram entre três semanas a um mês. A letra, diz Miguel, “saiu logo naquela noite no estúdio”.

Depois de tudo pronto, ainda aguardou dois meses até ao lançamento oficial — tempo dedicado à finalização, mixagem, produção gráfica e preparação de comunicação digital.

Uma canção pensada para mulheres

O título Maria, Maria” não surgiu ao acaso. Miguel procurou, desde o início, que a música tivesse um significado. “Queria que simbolizasse algo especial, principalmente para as mulheres. O nome ‘Maria’ é comum, mas é universal — e queríamos fazer uma música que as mulheres se sentissem especiais ao ouvi‑la”, explica.

Essa abordagem confere à canção uma dimensão afetiva que vai além das estéticas sonoras: não é apenas música para dançar — é, também, para sentir. Miguel cresceu num ambiente onde a música não era apenas um passatempo, mas uma presença constante: o pai e o avô eram saxofonistas, e em casa era normal ouvir saxofone e piano.

“Brincava com instrumentos desde miúdo. Estava rodeado de sons e sempre tive curiosidade por canto e escrever músicas”, recorda.

Foi em 2019 que decidiu lançar um projeto a solo, assinando como Miguel Nogueira ou simplesmente MN. Desde então, tem vindo a evoluir, explorando géneros que vão do pop ao house e aos ritmos latinos, sem perder uma conexão emocional com as raízes.

Ao longo do seu percurso, Miguel mostrou facilidade em misturar géneros aparentemente distantes. O seu último trabalho, antes de “Maria, Maria”, já mostrava essa abertura: dois singles que juntam pop house e ritmos latinos, refletindo uma sonoridade global e contemporânea.

A relação afetiva com o Seixal

Muitos artistas procuram inspiração em cidades grandes ou paisagens distantes. Miguel, pelo contrário, encontrou no Seixal o seu palco natural — não apenas geográfico, mas emocional. É ali, na zona ribeirinha, nas ruas que conhece desde sempre, que encontra o significado de “casa”.

“Sempre vivi no Seixal, é a minha terra natal”, afirma. A relação com o espaço reflete‑se no seu trabalho: há uma vontade de mostrar ao público o que muitas vezes passa despercebido no dia a dia, a beleza nos detalhes, as paisagens que guardamos na memória e que merecem ser celebradas em forma de canção.

O desafio de ser artista independente

A trajetória de Miguel também espelha os desafios enfrentados por muitos artistas. “Procurar as pessoas certas para trabalhar é um desafio — mas quando encontramos essa sintonia, tudo flui de maneira natural. Foi isso que aconteceu com ‘Maria, Maria’”, explica Miguel, referindo‑se à equipa que o acompanhou no estúdio.

E embora o mercado musical esteja cada vez mais competitivo, não se deixa intimidar. A sua abordagem é simples: continuar a fazer música que o represente, que fale de lugares verdadeiros e que crie ligações com quem o ouve.

No fundo, “Maria, Maria” é um convite: a olhar para o que nos rodeia e a celebrar o que faz de cada lugar — e de cada pessoa — únicos. É uma música nascida de uma conversa entre amigos num estúdio, de um lugar que conhecemos bem e de um sentimento que todos partilhamos: a vontade de ser visto, ouvido e sentido.

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