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Já visitámos a exposição “Black Lies Matter” no Seixal (e vale a pena passar por lá)

As obras, da autoria de Rómulo Santa Rita, estão patentes na Oficina de Artes Manuel Cargaleiro. A entrada é gratuita.

A arte de Rómulo Santa Rita é vista, frequentemente, pelas paredes do Seixal. Agora, poderá conhecer melhor o trabalho deste artista nascido em Lisboa (com origens angolanas e moçambicanas), que se dedica á técnica de “Paper Street Art”, numa exposição na Oficina de Artes Manuel Cargaleiro, localizada na Quinta da Fidalga, na Arrentela.

A mostra “Black Lies Matter” é uma manifestação de 32 obras, que retratam assuntos como a exploração infantil, emigração, a vivência das crianças-soldados e a exploração de recursos de África.

João Boavida, curador da exposição, explica o significado das peças e o conceito da mostra. “O nome surgiu baseado no movimento ‘Black Lives Matter’ que aconteceu nos Estados Unidos. O artista tirou o ‘V’ de ‘lives’ transformando em ‘lies’ (mentiras em inglês) , para mostrar as mentiras que são contadas ou distorcidas do que se passa em África”.

“A camada mais afetadas pelos problemas no continente africano são as crianças que, em tenra idade, são obrigadas a trabalhar e a ser crianças-soldados para sobreviverem. A infância é-lhes roubada para combater por outros interesses que não uma liberdade”, acrescenta.

Rómulo Santa Rita, nascido em 1980, utiliza técnicas de pintura e grafitti, colagens e tecido de serapilheira. Elabora composições a partir de materiais alternativos, como cartão, livros com manchas de tinta acrílica e guache, revistas e papel, que o ajudam a retratar os temas políticos, sociais e culturais que pretende abordar.

O artista revela exemplos de matérias-primas como cacau e minerais (cobalto, lítio e coltano), que são extraídos do continente africano de forma desumana e precária. Critica marcas que exploram a mão de obra escrava e infantil e como os consumidores são agentes passivos na continuação do abuso. 

“Os trabalhos aqui reunidos criam assim um lugar de denúncia e de reflexão com claras preocupações sociais, políticas e religiosas e ênfase nas migrações e na necessidade de mão de obra barata, que remete para uma nova ‘escravatura’ a nível global e que parece ser uma condição humana que ainda não encontrou o seu justo término”, refere Paulo Silva, presidente da Câmara Municipal do Seixal

Sobre a arte de Rómulo Santa Rita, o autarca acrescenta: “Um trabalho — uma realidade crua e dolorosa que é necessário ver — que pede a ternura do nosso olhar. E a mais urgente reflexão”. 

Para além dos quadros espalhados pelas paredes do espaço existe uma videografia que mostra diferentes realidades dentro da sociedade, e um sofá, feito de serapilheira, intitulado “O preço do conforto”. “A peça retrata a forma como a sociedade se senta e consome estes materiais que são carregados nestes sacos, sem olhar para quem está por trás a sofrer para lhes dar conforto”, conta o curador, João Boavida. 

O projeto é organizado com a colaboração da Afrikanizm Art e com o apoio da Câmara Municipal do Seixal. A exposição tem entrada livre e pode ser visitada de terça-feira a sábado, das 10 às 17 horas. Termina a 6 de abril de 2025. 

Carregue na galeria para ver algumas das peça expostas.  

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