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Já conhece o novo artista urbano mais cool do concelho?

Bruno Santos é natural da Amora e é um apaixonado por este tipo de expressão plástica desde criança.
Um artista local.

A sua arte é uma forma de falar com o mundo. Bruno Santos, de 38 anos, é artista urbano desde que se lembra e é uma das figuras ligadas à arte mais conhecidas do concelho do Seixal. A pandemia atrasou muitos dos planos que tinha para este ano, mas mesmo assim lançou em janeiro uma loja no site, que conta com alguns dos seus melhores trabalhos. 

Ao contrário de algumas personalidades do meio, não tem qualquer problema em considerar-se um artista. “Esse termo é uma forma de expressão e de entendimento do arte”, explica à New in Seixal.

Tudo começou na década de 90 quando descobriu algumas pinturas que “despertaram o bicho para criar”. 

Depois, tirou algumas formações em arte, como a de arteterapia. Ainda assim, Bruno ou BAMS, como é conhecido, revela que foi mesmo na rua que aprendeu a pintar. “A rua ensinou-me muito, especialmente a partilha de ideias entre amigos”. 

A arte urbana e vandalismo são, por vezes, formas de arte confundidas. “Se eu estiver com um pincel na rua, as pessoas não me abordam. Se eu tiver com um spray a fazer exatamente o mesmo trabalho, sou logo abordado”, explica. Para Bruno Santos, o graffiti, sempre que não seja em nenhum monumento histórico e que tenha uma mensagem importante, é também arte.

Sobre a forma como entrou neste mundo, o pintor diz que tinha tudo a ver com sensações. “Nós procurávamos coisas que nos dessem adrenalina e isso puxou por mim”. Ainda assim, foi quando descobriu a parte artística que percebeu o potencial da arte urbana e a importância que as obras podem ter na vida das pessoas. 

É natural da Amora.

O caminho até aqui não foi fácil, mas Bruno tem poucos arrependimentos. A família teve alguma dificuldade em aceitar esta opção, especialmente pelo lado ilegal da atividade. No início da carreira, Bruno foi apanhado pelas autoridades a pintar de forma ilegal, e foi levado até casa. “Senti que desiludi o meu pai e isso para um filho é das situações mais tristes”, confessa.

Agora, com quase 40 anos, e desde que deixou de fazer pinturas ilegais, a família já aceita melhor o seu trabalho. Com o avançar dos anos, as obras começaram a ser reconhecidas e os pais “até passaram a gostar de algumas peças que eu faço”. O ponto de viragem para aceitação foi mesmo quando começou a ser pago.

A dificuldade de viver da arte em Portugal

Ainda assim, a arte urbana não é a principal ocupação de Bruno. Por causa da pandemia perdeu o emprego no centro de estudos na Amora, onde fazia atividades lúdicas com os miúdos, sempre relacionadas com a importância da arte. “Infelizmente, viver da arte, em Portugal, é para poucos”.

A crise sanitária mundial afetou bastante o seu trabalho, nomeadamente aquele que tinha como ocupação principal, mas também trouxe novos projetos artísticos. No inicio do ano passado, surgiu a possibilidade de ter, pela primeira vez, uma exposição individual, na Amora, para mostrar o seu trabalho. Para isso, pegou no conceito do BamSpot Studio, que começou em 2017 como um espaço ligado às artes, com aulas de dança, de hip hop, dança contemporânea ou até dança criativa para os mais novos, e montou a exposição em janeiro.

“Como foi só um projeto e não uma associação, não houve estrutura financeira para continuar com o espaço da exposição e o confinamento não ajudou”, conta. Agora, a aposta passa pelo digital. Com a cultura parada em Portugal, Bruno Santos criou um site com o mesmo nome do espaço físico. Por aqui pode encontrar algumas das suas obras mais famosas e até comprá-las por preços acessíveis. Por exemplo, pode comprar o quadro “Não Tenho Tempo a Perder, a Areia Escoa Rápido”, que custa 15€, e é um original da exposição de janeiro.

A ideia foi de um amigo, que sugeriu a Bruno criar a própria marca para vender as peças e os produtos que constrói. “Fiz uns prints das minhas peças, e com um preço mais acessível, consegui vender às pessoas as peças com que se identificaram”, explica.

Os projetos atuais e os que estão a caminho

Além do site, que vai ser melhorado nos próximos meses, Bruno Santos continua a fazer trabalhos artísticos, mas de uma forma diferente. Por exemplo, no Dia dos Namorados, fez vários retratos artísticos a pedido dos casais. “Temos que nos adaptar às circunstâncias e já que não posso andar na rua, continuo a criar para viver”, afirma. 

O artista urbano não abre muito o jogo, revelando apenas que em março vai ter um projeto novo e diferente daquilo que já fez.

“Vão sair uns vales sociais em que a imagem é uma peça minha, pintado em aguarelas”.

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