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“Iwájú”: a nova série “futurista e autêntica” da Disney+ que os miúdos vão adorar

A história segue uma miúda de origens humildes que tenta perseguir o seu sonho com a ajuda de um amigo que conhece pelo caminho.
Ideal para toda a família.

Podemos pensar que é uma nova versão de Wakanda (terra onde decorre a história de “Pantera Negra”), mas estaríamos enganados. “Iwájú“, a nova série da Disney+ que estreou nesta quinta-feira, 29 de fevereiro, é, sim, uma reinterpretação da Nigéria — quase como se tivéssemos viajado até ao futuro.

A narrativa desenrola-se maioritariamente em Lagos, a cidade mais populosa com cerca de 13 milhões de habitantes (e que já foi a capital do país). A cultura tradicional junta-se a um mundo extremamente desenvolvido. Há, porém, algo que permanece inalterado: a divisão na sociedade e, especialmente, a diferença entre ricos e pobres.

Tola e Kole, as personagens principais, viveram realidades completamente diferentes. Ela, tem raízes humildes e um pai que a adora, mas que se foca mais no trabalho do que na sua existência. Ele, é um expert em tecnologia com grandes posses que a vai ajudar a perseguir um dos seus sonhos. Juntos, descobrem os segredos e perigos escondidos naquele mundo.

“Vem tudo de um lugar de autenticidade”, explica o realizador Olufikayo Ziki Adeola ao site “The Gamer”. “Todas as histórias que contamos têm de ser autênticas no que diz respeito à experiência africana ou ao mundo que estamos a tentar apresentar. É importante criar histórias assim”, acrescenta.

Além da divisão societal, existem outros aspetos que refletem a Nigéria que conhecemos atualmente: é constituída por uma ilha e por uma região continental. “Nós pegámos no que é real e acrescentámos alguns elementos fictícios e exagerados, como os carros voadores”, comenta Tolu Olowofoyeku, o consultor cultural da série com seis episódios.

A ideia é reforçada por Hamid Ibrahim, o designer de produção. Acredita que se queremos criar uma realidade baseada num mundo existente e imaginar como será no futuro, “temos de capturar todas as nuances”, realça.

“O ser humano sempre foi humano, e sê-lo-à sempre. O mundo está sempre a desenvolver-se e ‘Iwájú’ é uma extensão dessa evolução”, acrescenta.

Para idealizar o que poderá acontecer daqui a umas décadas, examinou o passado. A ser ver, é assim que se prevê o futuro. “Se olharmos sempre para o que aconteceu há 100 anos, é muito provável que algo semelhante aconteça novamente daqui a um século”, explica.

A tecnologia atual podia ser um dos tópicos mais relevantes da série, mas os criadores decidiram ir por outro caminho. Ao longo dos capítulos, não abordam o tema da arte feita pela Inteligência Artificial. “Focámo-nos mais nos aspetos do dia a dia”, aponta Ibrahim.

Recorda-se de apenas ter recebido o primeiro telemóvel quando tinha 16 anos, algo que, no seu país natal (Uganda) é normal. Já a sua irmã, que cresceu no Reino Unido, recebeu quando tinha apenas 11 anos. “Ela não sabe como era a vida antes dos smartphones e da Internet. Para nós, isso era normal. Os humanos adaptam-se muito rapidamente, e isso é algo que vai continuar a acontecer”, garante.

Modernidade à parte, “Iwájú” é uma aventura muito animada e divertida que os espectadores podem analisar da forma que quiserem. Mas também carrega uma mensagem forte. “Para nós, o mais importante era respeitar a história da Nigéria e criar uma narrativa que fosse facilmente reconhecida por quem conhece Lagos e o país”, comenta.

Ainda não foram divulgadas críticas à série, e tampouco foi avaliada no Rotten Tomatoes. Mesmo assim, Tolu Olowofoyeku, o consultor cultural, está confiante, visto que antes da estreia foram feitas apresentações para grupos pequenos. “Fiquei muito contente porque o público ficou genuinamente agradado”, aponta.

A reação mais surpreendente foi das pessoas naturais da Nigéria. “Pensaram que ia ser uma obra muito americanizada, mas rapidamente perceberam que é 100 por cento fidedigna à realidade deles. Isso fez-me perceber que fizemos um ótimo trabalho”, afirma orgulhoso.

Carregue na galeria para conhecer as séries (e regressos) que chegaram em fevereiro às plataformas de streaming e à televisão.  

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