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Frágil e emocionado: Phil Collins deu o último concerto da sua vida

Debilitado por graves problemas de saúde, o músico britânico encerrou esta sexta, 26 de março, a carreira com um concerto em Londres.
Os últimos concertos foram dados sentado

“Agora vou ter que arranjar um emprego a sério”, brincou Phil Collins do palco onde atuou pela última vez. Sentado numa cadeira e visivelmente debilitado, o músico de 71 anos despediu-se dos concertos esta sexta-feira, 26 de março, na O2 Arena, em Londres.

A penosa série de concertos da última digressão levaram o público até um Collins demasiado frágil para pegar sequer nas baquetas da bateria. Sempre sentado, o músico dos Genesis lutou para conseguir terminar os concertos agendados — muitos deles adiados por causa da pandemia.

Foram tempos difíceis, mas necessários. Mesmo sem ensaios, Collins conseguiu cumprir o prometido. “Não faço nada. Não ensaio em casa, nada. O ensaio no dia do concerto é toda a preparação”, explicou ao “The Guardian”. “Os rapazes estão sempre a mandar vir comigo por isso, mas é assim que tem que ser. Claro que a minha saúde muda as coisas, ter que fazer os espetáculos sentado é muito diferente.”

Apesar das mudanças, Collins acredita que isso não afeta de forma alguma os concertos. “Percebi, nas minhas digressões a solo, que isso não atrapalha. O público continua a ouvir e a reagir. Não é o cenário ideal, mas é o que tem que ser.”

Os problemas de saúde acompanham o músico há pelo menos 15 anos, desde que uma vértebra lesionada no pescoço lhe afetou os nervos. Hoje, Collins debate-se também com uma pancreatite aguda.

“A vértebra afetou as minhas mãos. Mesmo depois de uma operação bem-sucedida, as minhas mãos continuam a não funcionar normalmente”, disse, já incapaz de tocar bateria ou tocar piano.

Collins tem também um passado ligado ao alcoolismo, que poderá ter estado na origem dos problemas no pâncreas. “Passei de beber vodka pela manhã, diretamente do frigorífico, para estar a cair à frente aos meus filhos”, recordou em 2016.

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