As ruas, os jardins e as paisagens que fazem parte do dia a dia dos seixalenses ganham agora um novo protagonismo. A partir de 4 de junho, o Seixal chega aos pequenos ecrãs através de “Ecos do Mar”, a nova minissérie portuguesa da produtora Films Find com co-produção da RTP, que transforma as paisagens do concelho no cenário perfeito para retratar uma história sobre amor e novas oportunidades.
A história acompanha Aurora e Armindo, um casal de idosos que, depois de sentir que já não reconhece o mundo à sua volta, decide cumprir uma promessa antiga, mas sem imaginar o que os espera. Na véspera da estreia, a New in Seixal falou com Rodrigo Ferreira, realizador, argumentista, produtor e fundador da Films Find, e Andreia Silva, produtora e diretora de arte, para descobrir o que está por detrás deste projeto.
“A história foi baseada numa imagem que podemos ver se visitarmos a Praia da Velha no Seixal: casais de idosos a ver o pôr-do-sol. Tudo começou com essa visão. Pensei: ‘Temos este plano e depois o que poderá acontecer? O que eles estão a pensar?’ E surgiu um bocadinho daí. A série dá-lhes uma segunda oportunidade, uma nova vida. Eles acabam por decidir, devido a uma promessa antiga, partir em direção ao mar porque não querem ficar um sem o outro”, revela o produtor, de 30 anos.
O casal acaba por voltar mas, desta vez, com a oportunidade de viver a vida nos tempos que correm e num corpo jovem. Interpretados por Beatriz Frazão e António Van Zeller, ganham liberdade para ser e fazer o que não conseguiram na juventude.
“A série aborda como estas pessoas se introduzem no mundo atual, ou seja, nestas questões da tecnologia e dos telemóveis”, explica a diretora de arte, de 27 anos.
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As gravações decorreram ao longo de 18 dias durante julho de 2025, em muitos espaços familiares para a comunidade. “A Câmara Municipal do Seixal cedeu-nos os espaços todos. Filmámos na Quinta da Fidalga e no jardim, mas também na Praia do Seixal, no passadiço vermelho, na Praia da Velha e ainda na Copofonia, que também nos cedeu o espaço. Ainda rodámos na Amora, no restaurante The Butchers Legacy”, revela Rodrigo Ferreira.
O Seixal foi, desde o primeiro dia, o palco perfeito para contar esta história. Rodrigo Ferreira e Andreia Silva sempre viveram no concelho e, por isso, transformaram memórias de infância e recordações nos cenários ideais para trazer “Ecos do Mar” à vida.
“Moldámos a história à volta do Seixal para se encaixar perfeitamente nestes espaços. Portanto, desde o inicio que pensámos em filmar aqui, porque crescemos aqui. Além disso, as pessoas ajudaram-nos imenso, são prestáveis e há pouca burocracia. Por exemplo, filmar em Lisboa é um pânico total. Aqui, o Seixal é grande, mas as pessoas são próximas, quase como uma comunidade. Foi fácil chegar aos responsáveis pela Cultura, na Câmara, à Célia da Quinta da Fidalga e do Museu de Manuel Cargaleiro”, explica o produtor.
“A própria arquitetura do Seixal ajuda a contar esta história, faz parte deste universo. Ou seja, foi muito fácil criar, posicionar este universo e estas personagens nestes locais”, acrescenta Andreia Silva.
Apesar de, em termos logísticos, a equipa ter tido a vida facilitada, a verdade é que filmar no Seixal trouxe alguns desafios. “O maior foi transformar estas praias em cenários do Atlântico. Em vez de filmarmos o horizonte, fizemos planos mais artísticos. Filmámos de cima e parece que o mar não acaba, cortámos precisamente na linha onde aparece o Barreiro e o horizonte, parece que o mar é infinito. Aproveitámos muito o céu, saímos de um top shot para contrapicados, por exemplo, e contornámos tudo dessa forma. Não usámos, felizmente, efeitos especiais”, explica Rodrigo Ferreira.
Avós como fonte de inspiração
E porque esta história é também sobre amor, os avós do próprio produtor foram a inspiração que deu mote à série. “Começou com uma pergunta: ‘Avó, se tivesses 20 anos, o que farias?’ Ela respondeu que ia ao bailarico e curtir a vida como não curtiu”, explica Rodrigo Ferreira, que confessa que muitas das falas são expressões reais que a avó usa.
“Por exemplo, ela olha para as pessoas e diz: ‘Até onde isto chegou’ ou ‘o fresco é a azeitona’. Isto é dela”. No centro da história está o amor e é esse sentimento que o produtor revela ser a mensagem mais importante a passar com “Ecos do Mar”.
“Também abordamos algo importante e que pode ser raro nos tempos que correm: o amor eterno deste casal que, por muitas adversidades, confusões e discussões, nunca se separou. Quando penso nos meus avós, não consigo imaginar um isoladamente, penso sempre nos dois. E isso ficou na memória, quis transmitir isso para a minissérie”.
Seixal como espaço ideal
Como o objetivo não era mostrar um Seixal cliché, recorrer às memórias de infância foi essencial. “Há certas lembranças que temos e que, ao criar a história, também nos vamos lembrando. Por exemplo, o bar que costumava ir com os amigos encaixava-se bem na história. Como crescemos aqui, acabamos por conhecer certos cantos do Seixal que, quem vem de fora, não conhece”, revela a diretora de arte.
“O Seixal, da forma que tentamos pôr na série, é um espaço intemporal para várias gerações, não só os idosos, mas os mais novos. Todos têm o seu espaço. Acho que é a mensagem mais importante que a série deixa, esta ligação intergeracional que, às vezes, sentimos que se perde”, acrescenta Andreia Silva.
Com seis episódios entre 15 a 20 minutos, esta minissérie para todas as idades foi pensada e criada por uma equipa portuguesa. “Ecos do Mar” estará disponível na RTP Play.
Carregue na galeria para ver as primeiras imagens da minissérie.







