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Deejay Show: o jovem seixalense que nasceu para fazer música

Sérgio começou a produzir aos nove anos. Hoje, aos 24, coleciona um disco de platina e prepara-se para lançar um novo tema.
"Chamada" chega às plataformas no dia 27 de maio.

Se for apresentado como Sérgio Paulos, muito possivelmente, ninguém o iria reconhecer. Deejay Show, como é conhecido publicamente, tem vindo a tornar-se num nome cada vez maior dentro do panorama da música nacional. Com apenas 24 anos, o seu trabalho enquanto produtor é reconhecido — ganhou um disco de platina —, mas é como intérprete que quer vingar agora.

Sérgio nasceu em Almada mas esteve lá pouco tempo, já que começou por ter a ex-freguesia de Arrentela como primeiro lar. Mais tarde, depois de ir viver para o Bairro da Jamaica, teve o seu primeiro contacto com a música, mais precisamente com os ritmos africanos. Do kuduro à kizomba e ao semba, o jovem rapidamente foi conquistado por esta cultura, acabando por se tornar numa inspiração para ele.

A verdade é que o atual produtor percebeu que se apostasse apenas nestes estilos iria ficar muito limitado. Assim, por volta do ano de 2013 começou também a explorar outros géneros de música, como o trap e o afro trap. “Procurei algo muito mais amplo e sobretudo estilos mais abrangentes”, começa por contar em conversa com a New in Seixal.

Segundo explica, a sua entrada no mundo da música foi muito natural e pouco propositada. Aos nove anos, Sérgio Paulos foi obrigado a ir para uma casa de acolhimento para jovens. “É o que acontece quando se tem alguns problemas em casa e é necessário algum apoio e intervenção da Comissão de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ)”, explica.

Tal como no Bairro da Jamaica, também aquele que passou a ser o seu novo e mais consistente lar estava repleto de cultura. Por mero acaso, a sua chegada à casa de acolhimento coincidiu com o momento em que estava a ser dado o Portátil Magalhães aos alunos nas escolas. E um dos amigos do jovem tinha um.

“Ele era do Vale da Amoreira e nessa altura já tinha pessoas que produziam há muito tempo, como é o caso do Deejay Telio, agora um ícone nacional. E foi exatamente ele que passou para o Magalhães desse meu amigo o Fruity Loops, que é o programa onde produzo atualmente”, partilha Sérgio.

Porém, o ecrã desse mesmo computador acabou por se rachar numa ponta e, por esssa razão, o dono disse que já não o queria. Foi aí que Sérgio perguntou se podia ficar com ele e assim foi. 

Com esse portátil começou a brincar com os programas de produção musical. Foram vários dias a fio de tentativas até o Portátil Magalhães se acabar por partir definitivamente. Num dos seus aniversários, acabou por se encher de coragem e pedir uma licença do FL Studio a um monitor do colégio e a partir daí ninguém o parou mais.

O rosto que representa uma carreira em ascensão.

Música atrás de música e sem qualquer tipo de formação, com apenas 13 anos, Deejay Show começava a provar o seu talento. “Não sabia nada de línguas e os programas estavam todos em inglês e também não tinha onde ir buscar. Sempre que desconfigurava alguma coisa do programa não conseguia voltar a pôr como estava. Então tinha de desinstalar e voltar a instalar”, confidencia.

Deejay Show produziu “Ka Ta Consigui”, uma música que junta Djodje e o Dynamo, dois artistas de kizomba, e que conta já com dez milhões de visualizações. Ao currículo de produções junta ainda a disco de platina “Dado“, do Rony Fuego, e a “Doce Atração“, da cantora Yasmine.

Quanto aos resultados do seu trabalho, o sentimento do jovem é de satisfação, embora não seja plena. “Quando somos miúdos idealizamos as coisas de uma certa forma e sempre acreditei que um dia pudesse viver disto. Não vou negar que é uma grande fonte de rendimento. Aliás, muito do que tenho é graças a esta minha vertente de produtor. Só que ainda não é suficientemente estável e para me sentir completamente realizado na vida gostava de viver um dia só disto”, partilha Deejay Show.

Apesar do caminho estar a ser traçado nesse sentido, por enquanto a par da música, o seixalense tem uma profissão em paralelo como assistente de loja no Almada Fórum. É um esforço necessário para Deejay Show poder lançar-se numa nova vertente de si próprio e cujo objetivo é tornar reconhecido outro seu lado: o de intérprete das suas próprias músicas.

“Posso continuar apenas como compositor, mas a minha escolha é mesmo ser cantor. É nisso que quero apostar. É claro que há um grande investimento que tem de ser feito e eu como artista independente, que foi a minha escolha, tenho de fazer uma gestão mais rigorosa. Neste momento eu é que tenho de pagar tudo, mas esse investimento tem de ser feito e embora seja difícil, faz-se”, esclarece.

Por exemplo, para se avançar com um videoclip simples, sem grandes produções, e no qual esteja incluído apenas o cameraman e o estabilizador os preços rondam atualmente os 500€. Se a ambição for maior, com produções já ao nível dos grandes artistas nacionais já estamos a falar de valores acima dos 3000€. Mas atenção, segundo Deejay Show, isso não é tudo.

“O que percebi é que às vezes não é preciso ter grandes videoclipes, todos XPTO. Se nós virmos uma das músicas que teve mais sucesso dos Wet Bad Gang foi o “Devia ir” e nem sequer tem vídeo, portanto, tudo é possível. O importante é lançarmos e sermos consistentes”, recorda o jovem.

“Chamada”: o mais recente tema de Deejay Show que promete explodir

Numa reviravolta que decidiu dar à sua carreira, Deejay Show reinventou-se para trazer até ao seu público uma nova versão de si mesmo. “Decidi começar também a lançar as minhas músicas, porque percebi que as músicas que escrevia para os outros artistas tinham sucesso”, diz. “É verdade que posso ser muito bom compositor e não ser bom intérprete, mas isso uma pessoa nunca sabe se não tentar. E eu estou a tentar”, acrescenta.

Antes da “Chamada”, que tem data de lançamento oficial em todas as plataformas digitais marcada para o dia 27 de maio, sexta-feira, o artista já tinha tido um tema de bastante sucesso. “Dia 30” conta com mais de um milhão de visualizações, sem qualquer tipo de promoção. Esteve nas tendências nacionais no Spotify e por causa do TikTok começou a explodir um ano depois. 

“Para mim foi algo espantoso, não estava nada à espera. Por falta de confiança pensei que o som tivesse tido sucesso por mero acaso. Não sei se foi ou não, mas se me tivesse dedicado naquela altura tinha construído a minha carreira a parte dali”, lamenta.

A capa do single.

Quanto ao tema propriamente dito, “Chamada”, já está definido como estreia no YouTube. De uma forma muito geral, a música conta a história de duas pessoas e de um amor da nova geração, em que ambas gostam uma da outra mas não querem assumir o peso de um compromisso sério.

“Não é uma história com que eu me relaciono, mas o meu papel é contar histórias”, deixa bem claro Deejay Show. Nela participam vários nomes do panorama musical português. “Isto é como a culinária. Eu, por exemplo, quando cozinho estou ali a levar com o cheiro do refogado, depois vou acrescentando os outros ingredientes, quando vou comer já estou um bocadito enjoado. Com a música é igual”, exemplifica.

Até agora, o artista procura não colocar expectativas sobre este lançamento. “Acho que são o primeiro passo para apanhar uma grande desilusão”, afirma. Em vez disso, Deejay Show prefere esperar as reações do público.

“Já tenho muitos temas feitos. Então, vou lançar um a um e estou à espera do tema que tiver o melhor feedback. Não estou à espera de números. Neste momento não quero nada de volta, só quero dar ao público e perceber se gosta de me ouvir cantar”, conclui.

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