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Como a relação difícil com o pai Phil Collins impactou Lily, de “Emily em Paris”

A atriz sofreu de anorexia e bulimia e explicou que as suas inseguranças sempre estiveram associadas aos problemas com o pai.
Lily Collins é a terceira filha de Phil Collins.

Desde que a primeira temporada estreou em 2020, “Emily em Paris” tornou-se uma das mais populares séries da Netflix. A produção tornou a protagonista Lily Collins numa estrela internacional. O que talvez muitos fãs não saibam é que a atriz é filha do célebre músico Phil Collins.

Nascida em 1989 em Guildford, no Reino Unido, Lily Collins é filha do segundo casamento do artista. A sua mãe é a socialite Jill Tavelman, com quem Phil Collins foi casado entre 1984 e 1996. Lily tem dois meios-irmãos mais velhos, a também atriz Joely Collins e o músico Simon Collins. E tem dois meios-irmãos mais novos, Nicholas e Matthew Collins, fruto do terceiro casamento de Phil.

Lily Collins era miúda quando descobriu que o pai era famoso. Foi numa visita à Disneyland que tudo aconteceu. “Estava às cavalitas do meu pai quando um homem começou a vir em direção a nós”, explicou a atriz à “Radio Times”. “Tinha a cara do meu pai na T-shirt dele e não percebi muito bem. Pediu para tirar uma foto com o meu pai, e foi um momento mesmo estranho. Depois, aos poucos, fui percebendo.”

A atriz tinha apenas cinco anos quando se iniciou o divórcio entre os pais, em 1994 — embora se tenha arrastado durante dois anos. Alegadamente, a separação aconteceu por causa de um caso extraconjugal de Phil Collins, ainda que o rumor nunca tenha sido confirmado publicamente.

O divórcio dos pais teve um grande impacto junto da pequena Lily, sobretudo porque o seu pai tornou-se muito mais ausente da sua vida. Isso deixou a futura atriz frustrada e ansiosa. Como escreveu no seu livro “Unfiltered: No Shame, No Regrets, Just Me”, publicado em 2017, a artista revelou que chegou a ter um distúrbio alimentar. “Muitas das minhas inseguranças vêm destes problemas com o meu pai.”

Lily Collins com os pais.

No final dos anos 90, depois da separação, Lily e a mãe mudaram-se para Los Angeles, nos EUA, distância que também não facilitou a relação com o pai. Lily frequentou a escola na cidade da Califórnia e, mais tarde, começou a trabalhar como modelo e atriz. 

Quando tinha 19 anos, o pai estava a divorciar-se da terceira mulher, Orianne Cevey, com quem teve os últimos dois filhos. A separação atribulada avivou-lhe as memórias de infância. Foi nessa altura que Lily Collins sofreu de anorexia e bulimia.

“A minha vida parecia estar fora de controlo. Não conseguia aguentar a dor e a confusão em torno do divórcio do meu pai e estava a ter dificuldades em equilibrar a vida de adolescente com as duas carreiras de adulta [enquanto atriz e modelo] — que se focavam bastante no meu visual”, disse Lily Collins.

Porém, no mesmo livro publicado em 2017 escreveu uma carta aberta ao pai onde o desculpou por tudo. “Perdoo-te por não teres estado lá sempre que precisei e por não seres o pai que esperava. Perdoo os erros que cometeste. Ainda há muito tempo para seguirmos em frente e quero fazê-lo, estou a convidar-te para te juntares a mim. Amo-te com todo o meu coração, mais do que alguma vez saberás, e estou-te muito grata. Vou ser sempre a tua menina.”

E acrescentou: “Todos fazemos escolhas, embora não perdoe algumas das tuas, e no final do dia não podemos reescrever o passado. Estou a aprender a aceitar as tuas ações e a verbalizar a forma como elas me fizeram sentir. Aceito e honro a tristeza e raiva que senti em relação às coisas que fizeste ou não fizeste, que me deste ou não. Agora compreendo que as minhas frustrações relativas à nossa comunicação não são sobre mudar-te, mas sobre aceitar-te como és.”

Apesar de ter um pai famoso, Lily Collins diz que nunca recebeu nenhum tratamento especial quando estava a começar uma carreira como atriz. Quando tinha 18 anos, conheceu um agente da indústria de Hollywood que lhe disse: “O que é que te faz tão especial? Há imensos filhos,  primos e sobrinhos de pessoas famosas. Faz algo, volta e falamos”, explicou a atriz ao jornal “The Sun”. “A perceção comum é que ter um apelido famoso é tudo aquilo de que precisas. Um apelido pode conseguir-te um encontro, mas se não tiveres talento, não ficas com o papel.”

Nos últimos dias, “Emily em Paris” foi confirmada para uma terceira (e quarta) temporada. A segunda apresentou-nos um novo interesse amoroso da protagonista, Alfie. É interpretado ppelo ator Lucien Laviscount, que começou a carreira como modelo de David Beckham e chegou a participar em “Big Brother”. Esta temporada da série também gerou alguma polémica junto do governo ucraniano. Perceba porquê neste artigo da NiT.

Enquanto espera pela continuação da história de “Emily em Paris”, carregue na galeria para conhecer outras novidades das plataformas de streaming e canais de televisão.

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