Quem passa pelas ruas de Amora já pode encontrar arte onde antes via apenas uma caixa de eletricidade ou um muro. Aos poucos, vários elementos do espaço público estão a transformar-se em telas para artistas locais, com desenhos que dão outra cor às ruas e, pelo caminho, contam um pouco da história e da identidade da freguesia.
É essa a ideia por trás do Projeto de Arte Urbana da Freguesia de Amora, promovido pela Junta de Freguesia, que aproveita o mobiliário urbano existente para criar intervenções artísticas a céu aberto e dar espaço ao trabalho de artistas locais. E já há uma forma simples de descobrir várias destas obras sem andar à procura delas pela freguesia. O projeto inclui roteiros de arte urbana que juntam as intervenções em percursos culturais pensados para moradores, escolas, visitantes ou simplesmente para quem quiser trocar o passeio habitual por uma caminhada diferente.
O primeiro percurso é pedonal, demora cerca de 30 minutos e passa por oito postos de transformação que receberam intervenções artísticas. A caminhada começa na Praceta Estevão Amarante 7 e termina na Rua Movimento das Forças Armadas 2.
A partir daí, quem quiser continuar pode seguir pelo segundo percurso, que também conta com oito pontos de interesse e acaba na Avenida do Mar 38. Neste caso, o passeio pode demorar cerca de duas horas, embora seja possível reduzi-lo para aproximadamente 50 minutos se ficarem de fora as intervenções na zona de Belverde.
Os dois roteiros são, assim, uma desculpa para olhar para Amora com mais atenção. Pelo caminho, é possível descobrir diferentes desenhos e estilos e perceber como uma intervenção numa simples caixa de eletricidade pode mudar a forma como se olha para uma rua por onde talvez já se tenha passado dezenas de vezes.
A ideia, porém, não se resume a tornar o espaço público mais colorido. O projeto procura também promover artistas locais, descobrir novos talentos, tornar as artes visuais mais acessíveis e construir uma identidade artística ligada ao próprio território.
Algumas destas intervenções começaram a aparecer em 2024, quando a iniciativa Street Art Amora lançou uma open call para transformar caixas de distribuição de energia na Avenida Marcos Portugal, no âmbito do projeto Melhor’Amora. No ano seguinte, a arte chegou também às escolas através do projeto Guardiões, que juntou mais de 100 crianças na pintura de 15 caixas de luz, com trabalhos inspirados na história e no património da freguesia.
O projeto continua a crescer em 2026. A segunda fase da Open Call Street Art Amora avançou para a Rua Movimento das Forças Armadas, onde estão previstas intervenções em 10 armários de distribuição elétrica, numa iniciativa que inclui ainda uma homenagem ao legado artístico de Manuel Cargaleiro, no contexto do seu 99.º aniversário.
Algumas caixas servem também para recuperar episódios e símbolos da história portuguesa. É o caso do projeto “Camuflados”, na Rua 25 de Abril, na Cruz de Pau, onde o artista urbano Lest transformou quatro caixas de eletricidade numa homenagem aos valores associados ao 25 de Abril. E é aqui que estas intervenções vão além da componente estética: uma caixa que facilmente passaria despercebida pode transformar-se num ponto de paragem e numa forma de contar a história do lugar onde está instalada.
Carregue na galeria para ver algumas das intervenções artísticas.








