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A nova vida (e carreira) de Clooney, o pai aos 60 que nunca quis casar e ter filhos

Foi o solteirão mais cobiçado de Hollywood, agora é pai de gémeos. Prometeu trabalhar menos, mas realizou um novo filme.
Clooney passou de solteirão cobiçado a pai

O casamento com a atriz Talia Balsam não durou muito tempo. Foi a primeira relação oficial do cada vez mais requisitado solteirão de “ER”, mas a união celebrada em 1989 rompeu-se definitivamente em 1993. E começaram os rumores que George Clooney prometera, depois do divórcio, nunca mais se comprometer.

“Alguém me citou a dizer que tinha dito que nunca mais me casaria, logo a seguir ao divórcio, e nunca mais falei sobre isso”, contava em 2014 à “Esquire”. Haveria de voltar ao tema poucas semanas depois. “Continuo a dizer que nunca mais me irei casar, nem terei filhos, mas as pessoas teimam em não acreditar.”

Durante grande parte da sua vida e carreira, parecia que Clooney se iria manter fiel à promessa. Ao longo dos anos, preencheu uma galeria de pequenos encontros e namoradas fugazes, de celebridades como Cameron Diaz e Renée Zellweger a nomes menos famosos.

De forma quase súbita e surpreendente, o ator chegou aos 50 e viu a sua vida de pernas para o ar. Não só conheceu Amal Alamuddin e se apaixonou, como decidiu que ela era a pessoa certa para o ajudar a quebrar a tradição. No ano dessas mesmas declarações, Clooney fez o pedido e casou-se.

O maior choque estava para vir. Dois anos depois, Amal engravidou. “[Ter filhos] nunca fez parte do meu ADN”, revelou Clooney mais tarde. “Nunca fizemos planos, nunca falámos sobre o assunto até estarmos casados, o que não deixa de ser engraçado. Mas havia uma espécie de assunção de que não queria ter filhos.”

“Não queria casar-me. Não queria ter filhos. Depois este ser humano extraordinário entrou na minha vida e apaixonei-me. E soube desde esse minuto que tudo ia ser diferente”, contou mais recentemente em 2021.

O improvável acabaria mesmo por acontecer, mas ainda havia mais uma surpresa guardada. “O médico começa por dizer: ‘Bem, aqui está um.’ E eu disse, ‘boa’. Ele continua: ‘E aqui está o segundo’. ‘O quê?!’. Ficámos ali sentados, a olhar para aquele pedaço de papel que te dão, a pensarmos que deveria ter havido qualquer engano”, recorda sobre o momento em que descobriu que não iria ser pai de uma mas de duas crianças.

Clooney passou de solteirão mais pretendido do mundo a pai de dois gémeos — uma rapariga e um rapaz — e mudou de vida. A carreira como ator foi interrompida em 2016 e só haveria de ser retomada em 2019. Na cadeira do realizador, sentou-se pela última vez no ano do nascimento dos filhos, em 2017, e só voltaria a ocupá-la novamente daí a dois anos.

Cinco anos depois, a vida parece ter regressado a uma aparente normalidade, com o ator e realizador de 60 anos a lançar na sexta-feira, 7 de janeiro, o seu mais recente filme. “The Tender Bar” tem Clooney como realizador e um elenco com Ben Affleck como protagonista, ao lado de Tye Sheridan, Lily Rabe, Max Martini e Rhenzy Feliz.

A produção da Amazon acompanha J.R (Sheridan), um jovem que viu o seu pai sair de casa ainda em criança e que encontra refúgio na companhia do tio Charlie (Affleck) que trabalha como barman. É no bar que J.R cresce e vai procurando cumprir o sonho de ser escritor.

Na vida real, não se pode dizer que a parentalidade fosse um dos sonhos de Clooney, que hoje lida bem com o assunto. “[A vida de solteiro] parece que foi há eternidades. Agora a minha casa está cheia de gritos e choros de bebés”, explicou em 2017, em entrevista à “The Hollywood Reporter”. “Deviam ver o cenário quando os meus amigos chegam lá e me veem a mudar uma fralda. As gargalhadas que dão. Eu sei, eu sei, dei-lhes tanto cabo do juízo durante tantos anos, mereço cada uma das gargalhadas.”

Ella e Alexander nasceram em Londres, em 2017, e tornaram-se a prioridade do casal. “Foi uma loucura. É tudo conceptual até ser real. ‘Sim, vamos ser pais’, passa a ser ‘Merda, sou pai’.”

“A primeira coisa que muda é que passas a pensar: ‘Espero não dar cabo disto tudo’. Quer dizer, somos todos responsáveis por algo na vida, de uma forma ou de outra — temos que olhar e tomar conta de cada um de nós”, nota. “Mas seres realmente responsável por dois miúdos… Quero que sejam felizes, que tenham sentido de humor, que se interessem pelas coisas, que tenham compaixão pelas dificuldades e lutas das pessoas. É isso, não é? Tens que ser capaz de ter alguma empatia.”

Inevitavelmente, a parentalidade requer tempo, um bem valioso na vida de um ator como Clooney. Ainda assim, o casal revela que tem uma ama apenas em part-time. “Está connosco apenas quatro dias por semana. No resto do tempo somos só nós. E durante o confinamento fomos só nos, durante um ano inteiro”, conta Clooney. “Senti-me como a minha mãe em 1964, a lavar pratos e a fazer seis cargas de roupa por dia.”

Desde 2019 que a carreira do ator retomou alguma normalidade, apesar de estar ciente das crescentes dificuldades — Clooney já está na casa dos 60.

“Tive essa conversa com a Amal, sobre já ter entrado nos 60. Disse-lhe que tínhamos que repensar o que estávamos a fazer com as nossas vidas”, contou. “Estamos a trabalhar demasiado, ambos. Ela trabalha imenso. Isso não significa que não tenhamos um trabalho, porque temos que o ter. Se não tens trabalho, estás morto. Temos é que passar menos tempo atrás de um computador ou a ir aqui e ali.”

Para que haja tempo para tudo, Clooney revela que definiu o limite que dedica ao trabalho, o que também o leva, naturalmente, a aceitar menos propostas. Não que precise delas, como provou recentemente quando recusou um convite para participar no anúncio de uma companhia aérea, mesmo com um cheque de mais de 30 milhões de euros em cima da mesa.

“Comprometi-me com uma dose de trabalho que estou disposto a fazer, ter a certeza de que o faço na medida certa. A Amal está exatamente na mesma situação”, contou. “Pensamos que nos vamos manter assim cerca de um ano. Ao chegarmos lá, logo vemos. Mas ela não tem que deixar de aceitar os casos que quer, significa apenas que não ficará com seis nas mãos. E eu não vou aceitar quatro trabalhos num ano, farei apenas um.”

Quem paga são os fãs, que verão cada vez menos Clooney nos ecrãs. Mas menos não significa nunca e “The Tender Bar”, o seu mais recente trabalho, está mesmo a chegar à plataforma de streaming da Amazon.

“Vamos passar o tempo com os nossos filhos, vamos viajar. Temos uma casa no lago e uma corda para saltar para a água. Espero conseguir saltar aos 60, mas não sei se o conseguirei fazer aos 80. Talvez me borre todo assim que agarrar na corda (risos).”

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