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Há uma nova marca seixalense de fitness e de empoderamento feminino

Elsa Carrinho nasceu em Angola e aprendeu a dar valor às pequenas coisas da vida, no restaurante da mãe, O Quintal da Viúva.
Para mulheres fortes e independentes.

Leonor Carrinho perdeu o marido, em 1993, e ficou com a responsabilidade de cuidar de três filhos menores, uma missão que parecia impossível. Pegou em 12 gasosas e numa caixa de cervejas e começou a vender na rua para suportar as despesas. Elsa Carrinho, com apenas 13 anos, conquistou o primeiro cliente da mãe e, a partir desse momento, o negócio foi evoluindo e ganhando popularidade na freguesia.

Com o tempo compraram um restaurante e apelidaram-no d’O Quintal da Viúva. Neste spot na cidade de Benguela, Angola, Elsa, em conjunto com os dois irmãos, servia às mesas e fazia de tudo um pouco. Não tinha bonecas, nem fiambre nem queijo no frigorífico, mas nunca se queixou. Juntos, puseram mãos à obra e garantiram que o restaurante evoluísse.

Aos 14 anos, Elsa foi estudar Turismo para a África do Sul e esteve lá até cumprir os 12 anos e acabar a formação. Voltou para Angola e permaneceu lá até aos 20 anos, no Grupo Carrinho. Depois de algumas viagens e experiências veio para Portugal com 23 anos, mias precisamente para a Universidade Lusófona de Lisboa, onde se licenciou em Turismo.

Após terminar o curso, fez um estágio no departamento de turismo da Câmara Municipal de Lisboa, mas não se sentiu realizada. Tudo mudou quando foi de férias para Angola e conheceu dois sobrinhos de quatro anos, que não conseguiam falar.

“Disse ao meu irmão para virem passar férias em Portugal. Mudei radicalmente a minha vida e atitude, ia às consultas com eles e, muitas vezes, a terapeuta dizia que apenas tratava dos 90 minutos de terapia e que o resto era comigo. Fui com eles a vários médicos e todos tinham conclusões diferentes, uns apontavam para um diagnóstico de autismo, outros diziam que era síndrome de Williams, mas ninguém tinha uma resposta concreta. A verdade é que eles ficaram comigo três anos e, agora, com 14 anos já falam e estão a dar-se bem na escola”, conta Elsa Carrinho à New in Seixal.

Na sequência desta experiência, Elsa inscreveu-se no centro de emprego para frequentar um curso de Técnica de Ação Educativa. Estagiou numa associação do Seixal, situada na Quinta dos Franceses. Nesse local, apaixonou-se pelo trabalho com miúdos com necessidades especiais. Mal terminou o período de estágio, Elsa pediu para se tornar uma voluntária.

A marca de roupa e o serviço de coaching

Elsa é uma sonhadora nata, que acredita na mudança e na capacidade de inspirar outras mulheres. Foram todos estes episódios que a levaram a querer ajudar os outros, com destaque para jovens com autismo e mulheres independentes.

“A marca de roupa pretende mostrar o que é ser social. Todos pensam no lado do financiamento de instituições, mas não é verdade. A roupa fit veio mostrar que estamos doentes, seja socialmente, mentalmente ou fisicamente. Esta marca veio demonstrar que é preciso fazer exercício, temos de trabalhar a mentalidade, é algo que pode fazer em qualquer lugar”, esclarece.

Cada peça de roupa é inspirada numa mulher marcante na vida de Elsa, sendo que o primeiro modelo é dedicado à própria fundadora. “As mulheres têm de ser unidas mas, antes de darmos algo aos outros, temos de ter a certeza que nós estamos completas. É por isso que a primeira peça é a minha simbologia, sem mim o resto não era possível”, acrescenta.

Além da marca de roupa, Elsa tem um escritório de coaching para adolescentes, onde dá conselhos e tenta mudar a vida de jovens. O estúdio ainda não está aberto. No entanto, as obras estão quase finalizadas, por isso, a inauguração será em breve. Até lá, as peças podem ser compradas através da páginas de Instagram e Facebook.

Carregue na galeria e conheça a gama, os preços e o significado de cada peça de Elsa Carrinho.

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