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Há uma marca seixalense que cria acessórios para combater a discriminação

Existem brincos que representam o corpo feminino e todas as suas imperfeições.
Estão todas as mulheres representadas.

“Olha a Maria rapaz”, “Lá vai a Maria, vai com todos”, “Oh Maria”: estas são apenas algumas das expressões que correm Portugal de lés-a-lés. Mas, provavelmente estranharia se ouvisse na rua alguém gritar “Olha uma Maria Cereja”. A verdade é que, pelo menos no concelho do Seixal, isso pode mesmo começar a acontecer. Pelas mãos de Susana Cereja Almada, nasceu a 10 de outubro a mais recente marca de acessórios, sobretudo de brincos, do Seixal: “A Maria Cereja”. Mas este projeto está longe de se ficar somente por isso.

Numa espécie de movimento, “A Maria Cereja” surgiu da necessidade de Susana expressar os seus sentimentos e da vontade de passar mensagens à sociedade. Isto porque, após um burn-out que teve e consecutivamente o desenvolvimento de um distúrbio alimentar, acabou por ganhar uns quilinhos a mais e alterar a sua imagem física. “Nada que me incomodasse, nunca tive problemas com o meu aspeto físico, sempre gostei de mim e da forma como me via, mas os comentários e observações mais duras foram ganhando espaço na minha cabeça ao ponto de se tornar ensurdecedor”, começa por explicar à NiS.

Com o incentivo de amigos e familiares, a vontade de agarrar na arte e fazer dela um bem maior falou mais alto do que o que saía da boca de várias pessoas ao seu redor. Por isso, Susana juntou a paixão pelo meio artístico aos seus trabalhos criativos e, claro, ao gosto pelos brincos, e criou uma marca própria, de registo português e bem seixalense. A partir daí a ideia essencial d”A Maria Cereja” resumiu-se a passar mensagens sobre conceitos pré-definidos na sociedade e temas tabus. Ao invés de os evitar, representou-os em peças de brincos não lhes dando voz, mas sim várias formas e feitios.

Feitas em argila de polímero, um material de moldagem macio e maleável, não tóxico, e composto por partículas de pvc, cada peça é pensada, desenhada e moldada totalmente nas mãos de Susana, que depois entrega ao forno o trabalho menos técnico: o de coser. Dali resultam artigos únicos e, no caso dos pares de brincos, até singulares entre si. 

“O objetivo aqui é não nos compararmos com ninguém e começarmos a gostar de nós e, portanto, os brincos podem ser todos eles personalizados à imagem de cada Maria Cereja. Não há ninguém igual, por isso, também não vai ser possível que alguém vá ter os brincos iguais a outra pessoa. Pode ter o mesmo padrão, mas se olhar bem não são exatamente iguais, tal e qual como todos nós”, fez questão de esclarecer à NiS.

Por ser uma marca muito recente, ainda há muitas ideias por concretizar, mas duas, pelo menos, são certas. Susana vai lançar sempre uma coleção genérica, sem qualquer tipo de tema, com peças de várias cores, padrões e formas. Depois, serão lançadas várias coleções temáticas.

Por exemplo, neste mês de outubro, uma vez que é o mês do Outubro Rosa, a “A Maria Cereja” lançou uma coleção de brincos que celebram o corpo feminino na sua plenitude, a “Marias”. Também recentemente lançou uma coleção de maminhas — “I Love My Boobs” —, sejam elas descaídas, grandes, pequenas, assimétricas, mastectomizadas. “Estamos ali todas representadas”, garantiu Susana, a empresária de 36 anos formada em Marketing.

No futuro, a ideia passa por chamar para a sua arte e tornar palpável e visível outras temáticas como a homossexualidade, a depressão, anorexia, pessoas com doenças oncológicas, entre outras. “Tudo isto de uma forma que a pessoa que usa os brincos e a outra que olha para eles consigam entender a mensagem sem ser necessário dizer por palavras.”

Na prática, além das peças em argila, para quem alérgico (ou tem essa preferência) também existem modelos de prata e de prata banhadas a ouro. E também, mais do que os típicos brincos, com o espigão que entra na orelha, estão disponíveis peças com molas, exatamente a pensar nas meninas que não têm as orelhas furadas. Vai gostar ainda de saber que todas as componentes que acompanham os brincos (argolas, travões do brinco) são de aço inoxidável, antialérgico e comprado, na grande maioria, a fornecedores portugueses.

É na página do Instagram de “A Maria Cereja” que pode conhecer (e encomendar) todos os modelos já disponíveis, que rondam entre os 10€ e os 20€. Lá, também vai poder assistir a lives e partilhas de informação exatamente sobre todas estas problemáticas que são levadas a cabo por esta marca seixalense. Se quiser saber mais informações e acompanhar as novidades da marca pode enviar um email para amariacereja.earrings@nullgmail.com.

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