compras

Esta jovem seixalense cansou-se da indústria da moda e agora vende roupa em segunda mão

O projeto de moda circular chama-se Habitat Amarelo. Nas próximas semanas vai ter disponível camisolas quentinhas para o inverno.
Mariana ajuda a encontrar uma nova casa para todas as peças de roupa.

“Ninguém merece sofrer nem morrer pela moda”. Foi com esta frase que Mariana Filipa, uma jovem seixalense de 21 anos, deu início a mais um projeto consciente da cidade, sobretudo, a nível ambiental. O nome que lhe deu — Habitat Amarelo — é simples e não tem nada que enganar. É habitat, “porque todos os seres vivos necessitam de um para viver”, e amarelo por ser uma das suas cores favoritas.

Quando ainda nem tinha um nome e, muito menos um espaço online, era visto quase como um hobby. “Tudo começou quando me apercebi de todos os problemas associados à indústria da moda. Na altura, decidi reduzir o meu consumo de fast fashion e depois da redução veio a decisão de ficar um período de tempo sem comprar”, começou por explicar a responsável pelo Habitat Amarelo.

Por volta do ano 2018, Mariana apercebeu-se que naquele universo do consumo sustentável havia uma opção que lhe agradava muito: o mundo da segunda mão.

Começou por comprar e depois vender algumas das suas peças que estavam em boas condições, mas que, já não usava por não se identificar. Com isto, ganhou o gosto de tratar das peças, tirar fotografias, editá-las e, em maio de 2020, decidiu tornar o projeto “em algo mais sério”, mas sem que deixasse de ser tanto o hobby como “a paixão” que depois se tornou. 

Agora, na página do Instagram do Habitat Amarelo, “é possível encontrar de tudo um pouco”. Desde peças novas, usadas, outras mais atuais ou vintage, quer seja para mulher — para quem há mais oferta — ou para homem. O objetivo: “encontrar uma nova casa para todas as peças de roupa e também objetos para que se apoie a economia circular”.

Segundo a jovem, formada em Artes e Humanidades na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, comprar em segunda mão só tem vantagens. “Por exemplo, a redução de recursos necessários, porque estamos a comprar algo que já está feito”. E é isso mesmo que o seu projeto pretende, mas não se fica por aí.

“Tem também a missão de desmistificar a compra em segunda mão mostrando que há muita diversidade e opções que dão para todos os gostos. Além disso, pretende mostrar que se pode encontrar peças incríveis e em excelente estado.”

Quanto à escolha das peças, Mariana seleciona-as a dedo. “Muitas das vezes trago peças que sei que quem segue vai gostar ou anda à procura”. Percebe isso cada vez que coloca uma caixinha de perguntas para “ouvir” aquilo que os seus seguidores precisam ou querem. Mas não é assim desde o começo, já que quando arrancou com este projeto, a jovem seixalense só vendia peças dela, da mãe, de amigos ou de outros familiares. “E às vezes ainda o é. As peças só têm de estar em ótimas condições”.

O resultado: todas as semanas são partilhados vários posts com novas peças de roupa ou, por exemplo, objetos, como livros, e acessórios, como brincos, colares e por aí adiante. Por exemplo, nos próximos dias (e semanas) já sabemos que estão à venda camisolas quentinhas para este outono/inverno. “As novidades respeitam sempre uma paleta de cores e idealmente a estação do ano”, contou à NiS.

No que toca a preços, estes variam consoante as peças de roupa, “mas, no geral, são bastante acessíveis”. Além disso, como confirma a fundadora do Habitat Amarelo, “os preços são sempre justos e colocados de acordo com o tipo de peça, marca e condição.”

Para comprar os artigos do projeto seixalense basta apenas enviar uma mensagem privada através da página do Instagram, indicando qual a peça pela qual tem interesse. Através do mesmo processo, os clientes têm a possibilidade de pedir as medidas, mais fotografias e todos os outros detalhes sobre o artigo.

MAIS HISTÓRIAS DO SEIXAL

AGENDA