Desde pequena que Sara Fernandes se interessava por tudo o que envolvia beleza e autocuidado. A maquilhagem foi a porta de entrada para este mundo, mas a curiosidade rapidamente se estendeu às fórmulas, aos ingredientes e à forma como os produtos funcionam na pele, ainda longe de imaginar que a cosmética faria parte do seu percurso profissional.
“Sempre adorei cosméticos”, conta à NiT, a farmacêutica de 37 anos. O interesse acabou por acompanhá-la durante o curso de Ciências Farmacêuticas e, ainda enquanto estudava, na Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa, criou um blogue chamado Make Down, em 2016, onde escrevia sobre temas ligadas à maquilhagem e cosmética e dava opinião sobre produtos que experimentava.
Mais de uma década depois, o conceito chegou também às redes sociais, com vídeos no Instagram, Facebook, TikTok e YouTube, para acompanhar a forma como o público passou a consumir informação, numa evolução “muito natural e orgânica”. O conteúdo, esse, não mudou tanto como o formato.
No início, havia uma perspectiva mais próxima da consumidora que experimentava produtos, descobria marcas e partilhava aquilo de que gostava. Com o crescimento da formação técnica, essa abordagem ganhou outra profundidade, passando a partilhar não só aquilo que era bom para si, mas também o que seria ideal para outras pessoas com determinadas características.
O percurso académico ajudou a consolidar essa mudança. Depois do mestrado integrado em Ciências Farmacêuticas, Sara especializou-se em Cosmetologia Avançada, com formações realizadas em 2017, 2018 e 2019, e completou ainda uma pós-graduação em Marketing Intelligence na Nova IMS, em 2021. Pelo caminho, passou por diferentes áreas da indústria farmacêutica e cosmética, incluindo funções relacionadas com avaliação de segurança, formação comercial e direção técnica. A experiência profissional acabou por lhe dar uma visão que junta ciência, indústria e comunicação.
Atualmente, essa mistura está presente no conteúdo que partilha na página Make Down. A farmacêutica continua a testar produtos, mas também responde às dúvidas dos seguidores que vão surgindo, muitas vezes sobre questões aparentemente simples. É aí que encontra alguns dos temas mais interessantes, explicando, por exemplo, a forma correta de lavar o cabelo e a necessidade (ou falta dela) de acumular dezenas de produtos numa rotina.
E é neste último ponto que a especialista reforça uma ideia importante: uma boa rotina de skincare não precisa de ser longa nem cara. Para Sara, existem três passos fundamentais para quem quer promover a saúde da pele: limpar, hidratar e proteger do sol. “Se a maioria das pessoas fizer estes três passos, limpar, hidratar e proteger, já vai ter uma pele provavelmente muito mais saudável que a maioria”, resume à NiT.
A partir daí, tudo depende das necessidades individuais. Um sérum pode ser acrescentado para trabalhar manchas, sinais de envelhecimento ou desidratação; um creme de olhos pode fazer sentido pela especificidade daquela zona; mas nenhum destes passos é obrigatório para toda a gente. “Podemos ir jogando com estes passos e adaptando às necessidades da pessoa”, explica.
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Sara aconselha olhar para os grandes grupos de cosmética, porque a inovação desenvolvida pelas gamas mais caras acaba por chegar às linhas de supermercado. Dá como exemplos a L’Oréal ou a Nivea, que pertence à empresa Beiersdorf. “Muitas das vezes os ativos dos cremes mais caros” podem ser encontrados em produtos mais baratos, embora com diferenças na formulação e no posicionamento.
Entre as escolhas acessíveis destaca o Nivea Sérum 360 Antimanchas, pensado para quem quer trabalhar a aparência das manchas. No caso dos solares, a farmacêutica refere a preocupação com a utilização diária, em que não basta existir proteção UV: é importante que o produto seja agradável, fácil de espalhar e não deixe uma película branca. Nas fórmulas que considera particularmente bem conseguidas, encontra ainda ingredientes complementares, como niacinamida, ácido hialurónico e vitaminas C ou E.
Outra marca que entra nas recomendações é a Babaria, sobretudo pelos séruns de vitamina C e retinol, que se encontram na Primor por cerca de 5€. Sara destaca o facto da fórmula não seguir a textura oleosa habitual. “A maioria dos séruns retinol mais baratos costumam ser em óleo, portanto são muito desagradáveis de utilizar”.
Mas há uma categoria que merece um capítulo próprio: a cosmética coreana. A chegada da K-beauty não aconteceu de um dia para o outro. Sara recorda que os produtos coreanos já eram conhecidos quando começou o Make Down, mas só mais tarde conseguiram conquistar um público do Ocidente. O crescimento da cultura coreana, como o K-pop e K-dramas, ajudou a criar curiosidade em torno dos produtos de beleza.

A grande diferença está, segundo a farmacêutica, na filosofia de utilização. Enquanto o mercado europeu e americano procura resultados rápidos, a cosmética coreana aposta numa abordagem mais preventiva e de utilização continuada. “A skincare asiática no geral e coreana em específico é muito mais profilática, portanto preventiva e mais a pensar no uso continuado e diário”, explica à NiT.
Também as texturas ajudam a explicar o sucesso. Num país com verões quentes e níveis elevados de humidade, os produtos foram desenvolvidos tendo em conta a preferência por fórmulas mais leves. É uma característica que acaba por funcionar bem para muitos consumidores portugueses, sobretudo nos meses quentes.
Se tivesse de escolher apenas duas categorias em que considera a cosmética coreana particularmente forte, Sara aponta a limpeza à base de óleo e a proteção solar. No primeiro caso, destaca a “capacidade das fórmulas para emulsificar e sair com água o que evita aquela sensação oleosa, permitindo remover maquilhagem e as impurezas sem agredir tanto a pele”, esclarece à NiT.
Entre as sugestões, está o óleo de limpeza Madagascar Centella Light, da marca SKIN1004. Na proteção solar, uma das suas escolhas é o Relief Sun Rice + Probiotics SPF50+, da marca Beauty of Joseon, disponível em Portugal por cerca de 15€. Outra recomendação coreana é o creme Ceramidin, da marca Dr. Jart+, uma opção a 20€, mas pode aproveitar em promoção na Primor. Para quem procura um sérum, a farmacêutica destaca o Azelaic Acid 10 Hyaluron Redness Soothing, da marca Anua.
E há ainda espaço para as máscaras, embora Sara faça questão de separar aquilo que gosta de usar daquilo que é realmente necessário. A Bio-Collagen Real Deep, da Biodance, uma máscara de hidrogel, é uma das que aprecia pela capacidade de criar oclusão e favorecer a hidratação.
No fundo, a mensagem de Sara não é sobre encontrar o produto milagroso, mas sim em aprender a perceber o que se está realmente a comprar. Um preço elevado pode justificar-se por inovação, investigação ou posicionamento, mas não significa que o produto seja melhor para todas as pessoas. “O que é que nós estamos a comprar? Porque é que eu estou a pagar aqui mais? É porque este produto traz status ou é porque este produto trouxe alguma coisa de novo ao mercado?”, questiona Sara.
Do blog aos conteúdos de vídeos curtos, a lógica mantém-se: ajudar quem está do outro lado a distinguir aquilo de que precisa no meio de uma oferta cada vez maior. E a conclusão da farmacêutica esclarece a principal ideia: “Não é preciso gastar muito dinheiro para termos uma pele saudável e estarmos satisfeitos com ela”.
Carregue na galeria e descubra mais detalhes sobre os produtos selecionados por Sara Fernandes e ainda onde encontrá-los mais baratos.








