Há quase três décadas, um terreno vazio deu lugar a um projeto pensado de raiz para receber momentos especiais. Hoje, o Manjar das Laranjeiras continua a ser uma referência no Seixal, mas é também o reflexo de uma história familiar, onde tradição e inovação caminham lado a lado.
O que começou pelas mãos de Manuel João e Maria do Céu Camões transformou-se, ao longo dos anos, num espaço que acompanha gerações de famílias, desde casamentos a batizados.
Antes de apostar neste projeto, Manuel trabalhava na Marinha, onde fazia serviços em casamentos e eventos. Foi esse percurso que permitiu ao casal comprar o terreno e erguer, de raiz, a quinta que se tornou numa referência. Há cerca de dez anos, o testemunho passou para Linda Ribeiro e Bruno Camões. O casal vivia em Angola quando recebeu o convite para regressar a Portugal e assumir o negócio da família.
A experiência na área da hotelaria tornou a decisão fácil, mas o desafio era conseguir preservar a identidade construída ao longo de décadas, enquanto adaptavam o espaço às novas exigências do mercado. Remodelações, novos serviços, uma comunicação mais forte nas redes sociais e uma visão mais contemporânea permitiram impulsionar o crescimento, sem perder a essência que distinguiu a quinta.
“O Manjar não é uma herança, foi algo pensado e estruturado, com um projeto de arquitetura feito desde o início”, explica Linda Ribeiro, de 33 anos. Hoje, o Manjar das Laranjeiras vai muito além dos casamentos que ajudaram a construir a sua reputação. O espaço acolhe batizados, bodas, jantares de empresa, convívios familiares e noites de fado que atraem visitantes de diferentes pontos do país.
“Fizemos muitas alterações e modernizámos a quinta. Uma pessoa de 70 anos não tem a mesma visão de duas pessoas mais novas. Fizemos imensas obras e isso traduziu-se num crescimento brutal”, refere a proprietária. Apesar de os casamentos continuarem a ser a imagem de marca da quinta, a oferta foi sendo alargada ao longo dos anos, procurando adaptar-se às diferentes formas de celebrar, sem perder o ambiente familiar que sempre caracterizou o espaço.
Para Linda, a diversificação surgiu de forma natural. “Não fazemos só casamentos, mas também batizados, jantares de Natal, noites de fado e muitos almoços e jantares de família. Queremos que, quando alguém pensar em reunir as pessoas de quem gosta, se lembre de nós”, explica.
Por detrás de cada evento continua a existir uma gestão familiar. Enquanto Linda acompanha os clientes, coordena visitas, gere as redes sociais e a organização diária, Bruno assegura a logística e a coordenação das equipas. Já Manuel continua à frente da cozinha, função que desempenha desde a fundação da quinta, e Maria do Céu mantém-se responsável pela lavandaria e por toda a logística associada ao serviço. Cada um conhece o seu papel, mas todos trabalham para o mesmo objetivo.
“Quando os meus sogros nos desafiaram a assumir o negócio, queriam reformar-se. Hoje continuam cá, porque isto faz parte da vida deles. O meu sogro continua na cozinha e a minha sogra continua a ajudar. Somos uma empresa familiar e isso nota-se na forma como trabalhamos”, conta Linda.
Evolução e choque de gerações
Ao longo dos últimos dez anos, as mudanças fizeram-se sentir por toda a quinta. As salas foram renovadas, o mobiliário substituído, a decoração ganhou um estilo mais contemporâneo e até as ementas acompanharam a evolução das tendências. Mas nem todas as transformações foram imediatas.
Como em muitas empresas familiares, também aqui houve um choque entre gerações. “Nem sempre foi fácil. Há aquela ideia de que ‘sempre foi feito assim’, mas os casamentos mudaram, as pessoas mudaram e nós também tivemos de acompanhar essa evolução. Todos os anos tentamos fazer uma melhoria, seja no espaço, nas ementas ou na forma como recebemos os clientes”, explica.
Apesar das novidades, há uma característica que permanece desde o primeiro dia: a proximidade. É essa relação de confiança que faz com que muitos clientes regressem anos depois, para celebrar novos momentos da vida. “Temos casamentos de filhos de casais que também casaram aqui. Fazemos o batizado de bebés cujos pais já conhecíamos e vemos famílias voltarem geração após geração. É das coisas que nos dá mais orgulho”, confessa.
Essa ligação prolonga-se muito além do dia do evento. Antes de cada celebração, toda a organização é preparada ao detalhe, desde a distribuição das mesas às equipas de serviço. “A palavra-chave é planeamento. Se tudo estiver organizado, conseguimos realizar vários eventos na mesma semana sem perder qualidade”, afirma Linda, acrescentando que o objetivo passa sempre por fazer com que cada cliente “se sinta em casa” desde o primeiro contacto até ao último convidado sair.
Aposta no take-away
Uma das novidades mais recentes foi a aposta no take-away. Embora o serviço já existisse há vários anos para clientes habituais, só recentemente passou a ser comunicado de forma mais consistente. A ideia passa por levar a cozinha do Manjar das Laranjeiras a casa dos clientes, mantendo a qualidade dos pratos servidos nos eventos.
A ideia surgiu depois de anos a preparar refeições para clientes habituais, igrejas e empresas, sem nunca comunicar esse serviço de forma oficial. Agora, passou a ter uma identidade própria, mantendo a comida caseira, confecionada no momento e pensada para ser partilhada à mesa.
“Criámos o conceito ‘Manjar em Casa’ para mostrar que também podemos estar presentes nos momentos mais simples, como um almoço de domingo ou um jantar entre amigos”, explica Linda. O serviço foi desenhado para grupos, com refeições disponíveis para cinco ou dez pessoas e preços a partir de 45€.
Entre as opções encontram-se alguns dos pratos mais pedidos, como bacalhau com natas, arroz de pato, lasanha de carne, lombo de porco recheado com chouriço e bacalhau à Brás. A ementa inclui ainda uma seleção de salgados, como rissóis e croquetes, e sobremesas caseiras, permitindo compor uma refeição completa para diferentes ocasiões.
De acordo com a proprietária, a escolha do menu foi simples: apostar no que os clientes mais elogiam. “Tentámos não complicar. Escolhemos os pratos que já sabemos que resultam, que as pessoas pedem mais e que representam a nossa cozinha.”
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Outro dos fatores diferenciadores é a confeção. Todos os pratos continuam a ser preparados na cozinha do Manjar das Laranjeiras, sob a supervisão de Manuel, fundador da quinta e responsável pela cozinha desde o primeiro dia. A aposta passa por ingredientes frescos e por uma confeção tradicional, sem recorrer a refeições previamente congeladas.
“Trabalhamos com produtos frescos e fazemos tudo no momento. A ideia é que as pessoas sintam que estão a levar comida caseira para casa”, explica. As encomendas devem ser feitas, preferencialmente, com 48 horas de antecedência, permitindo à equipa adquirir os ingredientes frescos necessários para cada pedido.
A recolha é feita diretamente na quinta, uma opção assumida pela família para garantir que a qualidade do serviço não é comprometida. “Sabemos que, se fizéssemos entregas, o volume de pedidos aumentava muito, mas preferimos crescer de forma sustentada e continuar a fazer tudo com a qualidade que queremos oferecer”, frisa Linda.
Carregue na galeria para ver imagens do Manjar das Laranjeiras e as iguarias.








