comida

O vinho que aparece na série “Caleidoscópio” da Netflix existe mesmo e é português

É tema de conversa entre duas das personagens principais e a possível vítima de uma burla. A adega ficou surpreendida com a referência.
A surpresa surge no episódio “Rosa”.

Um copo da Starbucks em “Guerra dos Tronos”, erros de filmagens, ou figurantes a atuar de forma incorreta. Nas séries e filmes há detalhes que passam despercebidos à maioria dos espetcadores, mas não aos mais observadores.

A atriz Paula Neves é uma espectadoras e quando via a primeira série do ano da Netflix — “Caleidoscópio” — reparou num detalhe que muitos não viram. No episódio “Rosa”, a partir dos oito minutos e 30 segundos, o tema da conversa entre as personagens é um vinho, mas não um qualquer.

“Este é uma maravilha, notas picantes de bálsamo, um toque salino. Este é de Colares, onde as vinhas crescem nas dunas, cobertas de sal marinho. Sente o sabor? É um Adega Regional de 1968. (…) Só me resta uma caixa, posso vender-lhe três garrafas por 300 cada?”, diz Stan Loommis, personagem interpretada por Peter Mark Kendall.

É verdade. Na mesa de um restaurante, um dos elementos do grupo que prepara um assalto ambicioso (e bastante planeado) a um cofre de alta segurança, tenta vender um vinho tinto português da Adega Regional de Colares. Pouco depois, Judy Goodwin, interpretada pela atriz Rosaline Elbay, entra em cena para tentar fazer subir o valor da garrafa. Mas Stan Loomis acaba por desistir do processo de burla.

Em segundos, a estrela deixa de ser o ator e passar a ser o Adega Regional de 1968 —  e não podia ter deixado os responsáveis mais satisfeitos. “Ficamos muito contentes e surpreendidos com a referência ao nosso vinho e à nossa adega cooperativa na série”, escreveram esta sexta-feira, 13 de janeiro, na página de Instagram da marca.

Sim, porque, ao contrário do que muitos possam pensar, a Adega existe mesmo e apresenta-se como a “mais antiga de Portugal”. Trata-se de uma cooperativa criada em 1931, com o objetivo de “efetuar, pelos meios e técnicas adequadas, a vinificação das uvas provenientes das explorações dos seus associados, desempenhando assim uma importante função social, relativa ao sector agrícola do concelho de Sintra”, lê-se no site.

No edifício, considerado um ponto histórico da região de Sintra, a Adega Regional de Colares reúne, atualmente, mais de 50 por cento da produção da região e mais de 90 por cento dos produtores. “O nosso grande objetivo é a proteção e preservação da Cultura do Vinho de Colares”, garantem os responsáveis. É lá que se continuam a organizar refeições, festas e provas de vinho.

Ainda que a NiT não tenha encontrado o Adega Regional de 1968 à venda, sabemos que terá sido produzido com uvas da casta Ramisco, plantada em pé-franco, nos solos arenosos e livres de filoxera — tão característicos da região. Com uvas apanhadas a menos de um quilómetro da Costa Atlântica, refletirá esse carácter atlântico. No site, poderá encontrar um Arenae Ramisco 2013 (produzido com uvas da mesma casta)  à venda por 19,39€.

Aproveite para ler o artigo e conhecer melhor a série da Netflix onde os episódios não têm uma ordem predefinida.

MAIS HISTÓRIAS DO SEIXAL

AGENDA