comida

Nesta garrafeira do Seixal pode provar vinhos, petiscar e conhecer pequenos produtores

A garrafeira mantém a identidade, mas ganhou novas referências, provas, petiscos, jantares privados e até uma ginja picante.

Uma mesa corrida para 14 pessoas ocupa boa parte da Bagos de Mosto e ajuda a perceber o que mudou nesta garrafeira do Seixal. As garrafas continuam nas prateleiras e a identidade do espaço mantém-se, mas agora há mais motivos para passar por lá e fazer provas, petiscar e participar em encontros com produtores e até jantares privados. Desde maio de 2025 que Diogo Costa e Pedro Costa são os novos proprietários e querem transformar a garrafeira num ponto de encontro para descobrir vinhos menos conhecidos e novos sabores.

“Não mudámos muito o estilo da casa, apenas incluímos novas referências”, explica Diogo. Entre as novidades estão “experiências vínicas mais detalhadas, com maior regularidade”, novos petiscos e a possibilidade de “organizar jantares privados e almoços privados vínicos”. A aposta passa por acrescentar novas experiências sem descaracterizar um espaço que já tinha uma história no Seixal.

A ligação dos dois sócios ao negócio começou, no entanto, muito antes da aquisição da garrafeira. Amigos há mais de dez anos, Diogo e Pedro arrancaram, há cerca de quatro, com um projeto de venda de vinhos, sobretudo de pequenos produtores com pouca presença em Lisboa. Procuravam “um bom produto a um preço apetecível para os clientes”, mas também referências que não fossem fáceis de encontrar nas grandes superfícies.

Sem loja física, davam a conhecer os produtos sobretudo em feiras e eventos ou através de recomendações. Esse contacto direto com o público acabou por ajudá-los a descobrir qual o melhor caminho. “Precisávamos de um espaço onde pudéssemos conversar com os clientes”, explica à New in Seixal.

Foi no Seixal, durante a Aldeia Natal, que começaram a apresentar alguns dos vinhos e outros produtos que comercializavam. Foi também aí que conheceram o antigo proprietário da Bagos de Mosto.

Depois da feira, Diogo e Pedro passaram a trabalhar com a garrafeira enquanto fornecedores e levaram para as prateleiras alguns dos vinhos dos pequenos produtores com quem tinham parceria. Ao mesmo tempo que procuravam um espaço físico para desenvolver o projeto, o antigo proprietário começava a ponderar deixar o negócio. “Chegámos a um ponto em que tivemos que decidir que ou o nosso sonho morre e deixamos tudo para trás ou então aproveitamos algo que já está feito”, conta Diogo.

A oportunidade acabou por surgir das conversas entre os três. Depois da última participação dos dois sócios na Aldeia Natal, em dezembro de 2024, a possibilidade de ficarem com a garrafeira começou a ganhar forma. As conversas prolongaram-se pelos meses seguintes e, a 1 de maio de 2025, Diogo e Pedro assumiram oficialmente a Bagos de Mosto.

Desde então, têm procurado manter a identidade da casa, mas dar-lhe uma nova dinâmica. A mesa corrida, com capacidade para cerca de 14 pessoas, tornou-se uma das peças centrais desta fase. É ali que podem acontecer encontros mais intimistas, com o vinho no centro da experiência, acompanhado por comida e conversa. Tanto pode receber um aniversário com petiscos e vinho como uma prova orientada por um enólogo.

 
 
 
 
 
Ver esta publicação no Instagram
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Uma publicação partilhada por Bagos de Mosto (@bagos.demosto)

A seleção das garrafas segue a mesma lógica do projeto que Diogo e Pedro já tinham antes de chegar à Bagos de Mosto: procurar referências diferentes e pequenos produtores com pouca presença nas grandes superfícies. “Diferenciamo-nos muito pelo produto”, afirma Diogo.

Nas prateleiras encontram-se referências como Herdade da Cardeira, Quinta do Vale da Estrada e Monte da Colónia. Para acompanhar, há tiborna de queijo com presunto (8€), presunto de porco preto (14€), torresmos (7€), azeitonas (1,5€), torta e queijada de Azeitão (3€ cada), e, ainda, sardinhas de conserva em tomate e filete de cavala (7€).

E nem tudo gira à volta do vinho. A Bagos de Mosto tem também gins, espumantes, champanhe e a ginja Dois Belos, um produto que acompanha os dois sócios desde os tempos das feiras. “As pessoas procuravam os rapazes da ginja, que éramos nós”, recorda Diogo.

Mesmo quem já tinha provado ginja noutra banca acabava muitas vezes por aceitar mais um copo. “As pessoas provavam a ginja e, quando passavam por nós, nós metíamo-nos com as pessoas de uma forma amável e dávamos a entender que a nossa ginja era boa. As pessoas arriscavam e, quando provavam, não queriam outra coisa.”

Segundo Diogo, a diferença estava sobretudo na qualidade do produto. Primeiro davam a provar a versão tradicional, que descreve como tendo “uma qualidade fora do normal”. Só depois apresentavam uma alternativa menos habitual: a ginja picante. “Não pica nem na língua nem nos lábios”, explica Diogo. O picante só aparece na garganta e serve para “cortar o doce da ginja”. A intensidade pode variar por se tratar de uma produção artesanal, uma característica que também faz parte da identidade do produto.

Foi assim que a ginja chegou à Bagos de Mosto, onde continua disponível. Pode aparecer no final de um petisco ou de uma prova de vinhos, mas também funciona como alternativa para quem não aprecia vinho.

Mais recentemente, Diogo e Pedro acrescentaram charutos à oferta da garrafeira, mantendo a aposta em produtos menos comuns no Seixal. Mas há outra mudança que querem tornar cada vez mais visível: a regularidade dos eventos.

Uma das questões que os sócios identificaram no funcionamento anterior da casa era a dificuldade em criar uma rotina para os clientes. Agora, querem ter uma programação que permita saber quando há um novo motivo para regressar.

Para Diogo e Pedro, a Bagos de Mosto deve ser mais do que uma loja onde se entra para comprar uma garrafa e sair. Querem que seja possível provar antes de escolher, conhecer produtores diferentes e sentar os amigos à mesma mesa. “A ideia essencialmente é ter coisas que os outros não têm” e proporcionar “experiências que mais ninguém dá”, resume Diogo.

O próximo evento acontece já no sábado, 5 de setembro. “Vamos ter um evento de Cante Alentejano, onde as pessoas vão ter à disposição vários petiscos e vinhos. A ideia é não existir um preço fixo por pessoa, ou seja, as pessoas não são obrigadas a pagar para participar no Cante. Cada cliente pode escolher livremente aquilo que quer consumir, tanto ao nível da comida como do vinho. O cliente pode optar por uma garrafa mais económica ou por uma garrafa de valor superior. Podemos ter vinhos de 20€, mas também de 50, 60, 70, 80 ou 100€”, explica o proprietário.

A vontade de criar novas experiências e levar estes vinhos até aos clientes também começa a sair da garrafeira. Depois de um ano à frente do espaço, os dois sócios estão a trabalhar em parcerias com restaurantes do Seixal para colocar nas mesas da restauração local alguns dos vinhos que apresentam na loja.

A ideia é criar uma ligação entre os dois espaços: provar um vinho num restaurante, gostar dele e saber onde o encontrar depois. Nesse caso, basta passar pela Bagos de Mosto, levar uma garrafa para casa e voltar a abrir o vinho que descobriu à mesa.

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Rua Paiva Coelho 71
    2840-520 Seixal
  • HORÁRIO
  • Quinta a sexta-feira das 18 às 22h30
  • Sábado das 18 às 23h30
  • Domingos por reserva

ARTIGOS RECOMENDADOS