Quando Ana Amaral soube que o café da sede do Grupo Futsal Amigos Encosta do Sol procurava uma nova gerência, percebeu que era a oportunidade pela qual esperava há vários anos. Depois de uma vida dedicada à restauração e de já ter gerido um café, decidiu voltar a apostar no sonho de ter um espaço seu. Mas, desta vez, ao lado da filha, Tatiana Martins.
Mais do que abrir um café, mãe e filha quiseram criar um ponto de encontro para a comunidade, num espaço recheado de pratos caseiros, petiscos tradicionais, um ambiente familiar e jogos de setas. “Isto é muito do bairro, dos vizinhos”, resume a proprietária de 42 anos, que acredita que um espaço como este vive tanto da boa comida como da proximidade com a comunidade.
Para Tatiana, este projeto tem também um significado especial. Ainda em miúda, acompanhava a mãe no café que esta geria há cerca de uma década e guarda memórias felizes desse tempo. “Tinha nove ou dez anos na altura e ainda me lembro das boas memórias. Lembro-me muito de passar o dia no café a jogar setas e adorava aquilo”, recorda a jovem de 18 anos. Hoje, é ela quem está atrás do balcão e vê a irmã mais nova começar a viver experiências semelhantes e a brincar com os filhos dos clientes.
“Há nove anos, eu abri um café em sociedade com uma amiga. O negócio não deu certo, porque nós tínhamos propósitos diferentes. Ela era de gastar o dinheiro no dia-a-dia e eu era de chegar ao fim do mês e saber que está ali dinheiro para tudo e só depois tirar para mim”, explica Ana. Depois de uma primeira experiência com um negócio próprio aquele desejo nunca desapareceu. Chegou a ser gerente na área da restauração e a acumular experiência ao longo dos anos.
Já a filha, terminou este ano a escola. A jovem trabalha desde os 16 anos também na área da restauração, mas a sua verdadeira paixão passa pelo mundo da estética. Agora, concilia o trabalho como nail designer e às mesas do Encosta do Sol.
Mais do que um café, Ana Amaral quer que o espaço seja um ponto de encontro para quem vive em Paio Pires. Na cozinha é a própria Ana quem assume os tachos. A aposta passa por uma cozinha tradicional. Todos os dias há uma sopa (1,60€), um prato de carne e um de peixe, ambos por 7,50€. Nos primeiros dias de funcionamento já serviu pratos como costeletas, dourada assada no forno com legumes e batata, pernas de frango no forno com batata e massa de peixe. Ao longo do dia, a ementa passa pelas refeições mais rápidas e pelos petiscos, como bifanas, pregos, hambúrgueres, ovos rotos, pica-pau, moelas e caracóis.
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Esta preocupação estende-se também aos bolos caseiros, preparados na casa para acompanhar um café a qualquer hora do dia. “Tentámos encontrar um meio termo, isto é, não perder dinheiro, mas também não ir ao bolso do cliente”, explica Ana, que procurou definir uma carta pensada para o dia a dia dos moradores da zona.
A receção da comunidade superou todas as expectativas. No dia de abertura, a 21 de julho, o movimento foi tão intenso que mãe e filha tiveram dificuldade em acompanhar os pedidos. “Sabia que as pessoas estavam interessadas em ver esta casa aberta, mas não imaginei que quisessem todos experimentar no mesmo dia”, admite Ana. O primeiro dia começou de forma tranquila, mas tudo mudou ao final da tarde. O balcão encheu-se, os pedidos chegavam de todos os lados e Tatiana admite que houve momentos em que nem sabia quem atender primeiro. “O balcão estava cheio e ainda havia pessoas lá fora a fazer pedidos”, recorda a jovem.
Mãe e filha continuam a ajustar rotinas e a perceber quais são os horários de maior movimento antes de reforçarem a equipa. Mas Ana já pensa mais à frente. Gostava que, se a filha descobrir nesta área uma nova paixão, um dia Tatiana pudesse gerir um espaço próprio.
Carregue na galeria e veja os petiscos e como está o Encosta do Sol.







